Herbalismo,  História antiga

Agricultura helênica

Introdução

  • Hesíodo foi um fazendeiro da cidade de Ascra, na Beócia, que se tornou um poema renomado. No século VII AEC, ele propôs a Teogonia, um poema épico dedicado a contar as origens dos deuses.
  • Ele também escreveu um poema sobre como viver de forma justa intitulado “Os Trabalhos e os Dias O poema incluía um detalhado calendário agrário que especificava as épocas de plantio e colheita, além de tratar de assuntos como o momento ideal para se casar.
  • A poesia de Hesíodo era tão famosa na Antiguidade que Heródoto dá a ele o crédito por ensinar aos gregos sobre seus deuses.
  • Os dois cereais mais básicos da dieta grega eram a cevada e o trigo. Acredita-se que 70-75% da dieta deles durante o período clássico consistia de cereais, por isso o texto de hoje tem foco na cultura de cereais.
Espiga de cevada e Deméter em moeda de prata de Metaponto na Lucânia, 530-510 AEC.

Descoberta da agricultura

  • Deméter, a deusa dos cereais, é irmã de Zeus. Quando sua filha, Perséfone, foi escolhida para ser esposa de Hades sem a permissão de Deméter, a deusa impediu todos os grãos de germinarem até Zeus prometer que devolveria sua filha.
  • A atitude de Deméter levou a fome e obrigou Zeus a ceder. Ele permitiu que Perséfone passasse parte do ano no submundo como Rainha do Submundo ao lado de Hades e outra parte do ano na superfície junto de sua mãe.
  • A história traça paralelos com plantio de cereais, que também ficam um tempo abaixo do solo antes de crescer para fora dele.
  • Segundo o Hino Homérico II a Deméter, após o retorno de Perséfone para junto de Deméter, a deusa Deméter teria ensinado a Triptólemo como realizar a agricultura e teria instituído os Mistérios Elêusis que são festivais em honra ao ciclo agrário proporcionado por Deméter.

Organização social das terras

  • Em Atenas, a posse de terras e a produtividade eram refletidas no status social e político de um cidadão. Os cidadãos eram classificados por classes de propriedade: quem estava no grau mais alto tinha posses que produziam pelo menos 500 alqueires por ano e quem estava no grau mais baixo não tinha terras próprias.
  • Em Esparta, a terra era distribuída igualmente entre os cidadãos espartanos, que contavam com o apoio do cultivo realizado pelos seus hilotas.
  • Nem toda a terra era de propriedade de indivíduos. Santuários podiam abranger terras sagradas também. Terras sagradas podiam ser cultivadas, arrendadas para outras pessoas ou simplesmente deixadas de lado.
  • Muitas vezes, havia regras para o uso da terra. Por exemplo, forasteiros que visitavam o santuário de Atenas em Alea tinham permissão para deixar um animal pastar por um dia e uma noite, mas eles seriam multados se ficassem por mais tempo.

Cultivo de grãos

  • O cultivo de grãos era um processo meticuloso. A irrigação artificial era impossível, então camponeses dependiam da chuva em suas plantações e por conta dos verões secos, eles tinham um período mais curto para semear e colher.
  • Em uma fazenda maior, só metade do campo seria plantado a cada ano, enquanto a outra metade fica em repouso para não desgastar o solo.
  • Segundo o poeta Hesíodo, a melhor época para semear os grãos era o outono, e maio era o mês ideal para as colheitas. Felizmente, se alguém perdia essa janela de tempo tinha a possibilidade de plantar milhete na primavera.

I) Plantio

  • Antes de estar pronta para uma plantação, a terra tinha de ser arada três vezes:
    • Uma vez na primavera para remover ervas daninhas – Festival de Boufonia;
    • Outra no verão para arejar o solo – Festival da Proerosia;
    • E uma última vez no inverno para plantar as sementes em terra úmida – Festival da Choaia.
  • As ferramentas agrícolas eram em geral implementos feitos à mão com madeira e às vezes ferro nas pontas. A ferramenta mais complexa era o arado, que era feito de diversas partes, incluindo uma viga, uma barra de tração e um jugo.
  • O arado era puxado por dois bois, enquanto a semeadura era feita manualmente.
  • Uma enxada de duas pontas era usada para virar a terra e outras ferramentas eram usadas para cavar e capinar.
  • Após o plantio das sementes, um menino virava o solo com uma enxada para protegê-las de pássaros famintos.
  • Com a semeadura terminada, os camponeses esperavam as chuvas de inverno para irrigar o campo.

II) Colheita

  • Cereais eram colhidos na primavera usando uma faca curvada, a foice. De costas para o vento, os ceifadores cortavam os caules das plantas e deixavam as espigas para trás antes de prosseguir com o restante. quando o corte estava terminado, as espigas eram todas levadas para a eira.
Colheita com foices.

Ceres (Verão), cerca de 1717/1718.
Crédito: Samuel H. Kress Collection
Artista: Antoine Watteau (1684 – 1721).

III) Moagem

  • Após a colheita das espigas, os trabalhadores as levavam para a eira (do grego αλώνια, que significa debulhar), a superfície usada para extrair os grãos.
  • As eiras poderiam ser de dois tipos:
    • Uma superfície exterior especialmente plana, geralmente circular e pavimentada, ou
    • Dentro de um edifício com um piso liso de terra, pedra ou madeira onde um agricultor debulharia  a colheita de grãos e depois peneirá-los. 
  • As eiras exteriores estão geralmente localizadas perto de uma quinta ou casa de quinta, ou em locais de fácil acesso a partir de áreas de cultivo.
  • Bois e asnos eram amarrados a um poste no centro da eira e guiados para circulá-la, enquanto trabalhadores jogavam espigas sob seus cascos.
  • As pisadas dos animais faziam os grãos saírem de suas casas.
  • Depois disso, os grãos eram coletados para o processo de joeiramento. Joeirar ajudava a separar o joio das sementes de grãos mais pesadas. Primeiro o grão era lançado com uma pá de madeira. Enquanto estava no ar, o vento soprava o joio leve, deixando apenas os grãos pesados.
  • Para remover o joio restante, os grãos eram jogados em um cesto de madeira chamada de liknon, que peneirava os grãos até sobrarem apenas sementes limpas.
Trigo (esquerda) e Joio (direita).

“Tal como o vento dispersa o joio nas eiras sagradas,
de homens peneireiros, na altura em que a loira Deméter
separa o trigo do joio entre rajadas de vento
e os montes de joio se embranquecem – assim os Aqueus
se embranqueciam (…)”

Ilíada, Canto V, 499-503.
Joeiramento.
  • A cevada, usada para fazer farinha, era diferente dos outros tipos de cereais. Malhar a cevada não era suficiente para separá-la da casca, então ela era torrada em uma ferramenta especializada, o phrygeton. Depois de torrada, a cevada era amassada com um almofariz e um pilão. Os grãos amassados eram então moídos usando um moedor manual ou um moinho de tromonha.
  • A moagem era um trabalho tedioso, trabalhadores cantavam para animar o ambiente. Quando a cevada estivesse moída, ela era peneirada em um cesto de vime, o koskinon, e estava pronta para ser usada.
Trigo e Agricultura na Grécia Antiga – Assassin’s Creed Odyssey Discovery Tour.


IV) Armazenamento e transporte

  • Cereais tinham de ser armazenados em um lugar escuro, seco, fechado e bem arejado para que os grãos não estragassem.
  • Conforme Hesíodo, o método preferido de armazenagem de grãos era o pito, o mesmo vaso da mitológica caixa de Pandora.
  • Evidências arqueológicas sugerem que os gregos também guardavam grãos em estruturas pequenas e emparedadas feitas de galhos.
  • Fazendas geralmente precisavam guardar grãos o suficiente para se sustentar por um ano e semear no próximo.
  • Qualquer excedente era guardado para anos difíceis ou vendido no mercado.

Produção de vinho

  • A vinicultura data do quarto ou terceiro milênio AEC. Ela se difundiu pela Grécia durante a Idade do Bronze e em alguns séculos os gregos a tinham afinado.
  • Os vinhos poderiam ser aromatizados com especiarias, ervas, resinas e até perfume.
  • Os vinhos gregos também eram muito mais fortes que o vinho atual, com um teor alcoólico de aproximadamente 16%. Por conta disso, a bebida era misturada com água para deixá-lo palatável.
  • O vinho tinha muitas utilidades na cultura grega. O líquido era muito importante nos simpósios, as festas com bebida reservadas exclusivamente para homens. Durante o simpósio, uma cratera (tigela de mistura) ficava no centro da sala para misturar o vinho com água. Depois de diluído, ele era compartilhado entre os convidados da festa, que bebiam de taças individuais.
  • O vinho tinha papéis em oferendas aos deuses e em funerais. Além disso, ele poderia ser misturado com certos ingredientes afrodisíacos ou hipnóticos para induzir excitação ou sonolência.
  • Surpreendemente, vinho também era usado no tratamento de doentes, sendo receitado para mulheres acometidas por problemas ginecológicos. Dioscórides até descreveu dois tipos de vinhos que supostamente podiam abortar um feto.

I) Tipos de vinhos

  • Os gregos utilizavam uma variedade de uvas para produzir vinhos de tipos diferentes. Júlio Pólux registrou em seus “Onomástico” que havia 28 variedades de uvas cujos nomes derivavam do seu local de origem ou do método de produção.
  • As uvas de Byblia produziam um vinho chamado Byblinos que tinha uma ótima reputação entre os amantes de vinho e até aparece na tragédia “Ion” de Eurípedes durante uma cena que transcorre em um simpósio luxuoso.
  • A uva escura de Prammia, por sua vez, era usado no vinho de Prammios, um apreciado vinho preto produzido em Icária e Esmirna. O prestígio do vinho de Prammios era tal que ele foi consumido pelos heróis das obras Ilíada e Odisséia de Homero.
  • Do outro lado do espectro estava a Psythias ou Psythia, uma uva branca da Jônia que produzia um vinho bastante doce hoje conhecido como Liasto.
  • O vinho de Tassos era considerado como um dos vinhos de mais qualidade da Grécia e foi consequentemente produzido em larga escala para ser exportado para mercados estrangeiros. O tratado hipocrático “Das afecções” até listava o vinho de Tassos entre as bebidas mais refrescantes que ajudavam pacientes que sofriam de sensações de calor (fogachos).
  • Em Atenas e no resto da Grécia, o vinho de Tassos estava no alto da lista dos vinhos de qualidade. Evidências arqueológicas de ânforas de Tassos apareceram em locais como Atenas, Anfípole, Pela, Egito e outras áreas em volta do Mar Negro. Muitas dessas ânforas estavam rotuladas com o nome das pessoas envolvidas na produção do contêiner, tais como ceramistas, donos de oficinas ou inspetores dedicados a assegurar a qualidade dos jarros. Essas estampas também ajudavam a identificar a origem do vinho.
  • Havia três tipos principais de vinhos na Grécia Antiga:
    • Austeros;
    • Glukazon; e
    • Autokratos.

II) Colheita

  • A primeira etapa era sempre a colheita, quando as uvas cultivadas em videiras enfileiradas eram colhidas pelos trabalhadores.
  • Segundo Homero, a colheita costumava ser acompanhada por música para deixar o ambiente mais festivo.

III) Secagem

  • As uvas passavam por secagem para aumentar a doçura do vinho e evitar que virasse um vinagre. Na maioria dos vinhedos, o processo de secagem ocorria com as uvas dispostas no chão sob o calor do sol para serem cobertas à noite para evitar que elas acumulassem orvalho.
  • Segundo o poema de Hesíodo “Os Trabalhos e os Dias”, o período ideal de secagem era de 12 dias e 10 noites.
  • Quando elas estavam completamente secas, as uvas eram colocadas em jarros, assim como é hoje.
Secagem de uvas.

IV) Esmagamento

  • Os gregos tinham métodos para esmagar as uvas colhidas. A técnica mais comum usava o lenos, um enorme “tanque de pisar” onde os vinicultores pisoteavam as uvas com os pés.
  • Fora isso, os gregos às vezes trituravam as uvas com as mãos usando um coador, esmagavam elas com um pilão ou espremiam elas usando uma ferramenta de “prensa de saca”.
Lenos, tanque onde as uvas eram colocadas para serem pisadas.

V) Fermentação e Conservação

  • Depois que as uvas eram esmagadas, o suco era despejado em grandes contêineres chamados de pitos, onde ele fermentava.
  • Depois de fermentado, o vinho era filtrado por meio de um ethmos ou saco, onde ele separava o vinho de resíduos de levedura, a borra.
  • O vinho era então colocado em um depósito especial. O local era seco, e os pitos dentro dele eram parcialmente enterrados no chão para que fossem mantidos em uma temperatura de 15°C.
  • Essas medidas asseguravam que o vinho não perderia sua qualidade antes de ser enviado ao mercado.
Dioniso com taça de vinho.

VI) Envase e transporte

  • Quando o vinho estava pronto para o envio, o vinho era despejado em recipientes chamados de ânforas. Elas eram menores que os pitos e por isso mais fáceis de carregar e de exibir em feiras movimentadas, porém, isso não quer dizer que transportar vinho era um negócio seguro.
  • Às vezes, navios que transportavam ânforas naufragavam antes de chegarem a seu destino, deixando centenas de frascos de vinho perdidos no mar.
Exemplo de ânfora para transporte de vinho.

VII) Falsificação do vinho

  • O vinho de Tassos era muito popular no mundo grego e a demanda por ele era tão grande que adulterações e imitações se tornaram um grande problema.
  • Para combater esses problemas, os cidadãos e donos de terras em Tassos estabeleceram uma lei que proibia qualquer vinho estrangeiro de entrar em seu território. Eles também proibiram a venda de vinho em jarros ou taças para assegurar que o vinho fosse apenas vendo em ânforas corretamente rotuladas ou em pitos marcados com uma estampa de autenticidade.

“Nenhum navio de Tassos importará vinho estrangeiro para dento de Athos e Pacheia; se o fizer, seu dono e seu timoneiro estarão sujeitos às mesmas penalidades da adulteração de vinho com água… nem ninguém venderá vinho por cótilo de uma ânfora, de um barril ou de um pitos falsificado (sem rótulo); para quem vendê-lo, as ações legais, multas e penalidades serão as mesmas de adulteração com água.”

Estela com detalhes da lei de Tassos sobre adulteração de vinho.
Hércules recebe vinho nesta representação de uma cena de seus Doze Trabalhos.

VIII) Tavernas

  • Atenas contava com muitas tavernas e os gerentes dos estabelecimentos eram frequentemente ridicularizados pelo poeta cômico Aristófanes. As tavernas podiam ser chamadas de “taverna” mesmo ou de “kapeleion” e vendiam vinho, vinagre e às vezes doces e lanchinhos.
  • Depois que uma ânfora de vinho era aberta, o líquido era despejado em uma cratera (tigela de mistura) para decantá-lo. Ele também podia ser antes resfriado em um refrigerador de vinho chamado de psíctere, que era colocado em uma cratera cheia de água fria. Quando estava pronto para servir, o vinho era transferido para jarros chamados de enócoas para ser bebido em taças individuais como cílices ou cântaros.
  • Em Atenas, as tavernas se difundiram no canto sudeste da ágora, como indicam as várias ânforas, taças, crateras e utensílios encontrados na área. Evidências arqueológicas semelhantes foram encontradas no lado sul da ágora de Corinto, sugerindo que também havia tavernas por lá.
Produção de vinho na Grécia Antiga – Assassin’s Creed Odyssey Discovery Tour.

Pecuária

  • Animais eram mantidos em fazendas tanto pelo seu uso no trabalho como pelos produtos secundários que ofereciam.
  • Boa parte do trabalho pesado na lavoura era feito por bois e asnos, que ajudavam a puxar arados e carroças. Ovelhas e cabras, por sua vez, eram criadas pela sua carne, mas o leite também era usado para a fabricação de queijo. Os porcos onívoros comiam restos e cachorros ajudavam a controlar e proteger os animais.
  • Bois, ovelhas, cabras e porcos também eram oferecidos aos deuses como sacrifícios.
  • Hermes e Pan eram deuses diretamente relacionados aos pastores de rebanhos na região da Arcádia.
Pastor de ovelhas.

Deuses da agricultura

  • No panteão grego, está repleto de divindades relacionadas a prosperidade da terra, sendo diretamente relacionada ao cultivo ou indiretamente propiciando de alguma forma a abundância. Recomendo a leitura dos textos sobre as Grandes Mãe onde falo sobre as deusas da terra e também o texto sobre a relação dos gregos com a terra que estão no link a seguir.
  • De maneira geral, Deméter e Perséfone são as principais deusas relacionada a agricultura na Grécia Antiga, principalmente relacionada ao plantio e colheita de cereais. Após o plantio, os camponeses rezavam para a deusa da agricultura, Deméter, e sua filha, Perséfone, esperando pela bênção de uma safra abundante. Deméter também estava presente durante o processo de debulha dos grãos.
Relevo votivo para Deméter e Koré.
  • No entanto, a colheita de uvas era especialmente associada a Dioniso, havendo uma crença de que o deus Dioniso apresentou o vinho aos mortais. Por isso, havia muitas celebrações e festivais dedicados a Dioniso, incluindo as Antestérias, um festival ateniense que marcava a abertura de um novo vinho do outono anterior.
  • As Antestérias ocorriam ao longo de três dias. O primeiro dia chamava-se phithoigía (abertura dos jarros). Como seu nome sugere, ele era dedicado a abertura de novos jarros de vinho e ao oferecimento de libações a Dioniso.
  • O segundo dia, Choes (jarros) incluía eventos joviais como concursos de bebida, mas havia também uma cerimônia solene em que a esposa do arconte casava-se com Dioniso.
  • O terceiro dia era chamado de Chytroi (potes), em referência aos potes que continham as refeições do dia.
  • As Antestérias eram em geral alegres, mas elas também tinham um lado sombrio. Os Choes, especificamente, eram vistos como dias ruins, quando espectros do submundo podiam aparecer para assombrar os vivos. Nesse dia, as pessoas supostamente mastigavam folhas de espinheiro para espantar esses espíritos.
Dioniso com taça de vinho.

Sacrifícios de grãos

  • Sacrifícios de animais desempenhavam um grande papel religioso na Grécia Antiga, mas cereais também tinham um papel sagrado importante. Alphita, ou farinha de cevada, era levada a sacrifícios de animais para ser espalhada sobre a cabeça do animal e em sua carne enquanto ele assava.
  • Os gregos também ofereciam aos deuses sacrifícios “sem sangue”, como bolos. Os bolos podiam ser preparados com formas específicas dependendo da divindade ou do tipo ritual e contavam com ingredientes como queijo, nozes, mel, cereais e frutas secas. Em Atenas, por exemplo, as pessoas ofereciam à deusa Ártemis um bolo de queijo especial chamado de amphiphon.
  • Os gregos também faziam questão de honrar deuses com aparchal, os “primeiros frutos” de seu trabalho plantando, caçando ou pescando. Os gregos levavam aparchal de trigo e cevada a Deméter após a colheita da primavera, esperando que isso garantisse fertilidade do solo. Acreditava-se que deixar de honrar um deus com aparchal atraía a fúria divina, com consequências severas.
Oferenda sem sangue.
  • A prática da libação era comum na Grécia Antiga e consistia em derramar um líquido em honra a deuses ou para fechar contratos. A libação típica era feita com vinho de um jarro chamado “oinochoe” ou “hydria” que era segurado na mão para uma tigela rasa chamada “phiale” ou “patera”. Depois de derramar parte do líquido no phiale, o restante no oinochoe era bebido pelo celebrante. 

Agricultura no Brasil

  • O Brasil é um país agrícola, representando mais de 24% do PIB. A tecnologia já propicia técnicas e instrumentos que otimizam todas as etapas do cultivo desde o plantio até o consumidor final.
  • Não pense que por você morar em uma cidade, apartamento ou não ter uma horta em casa, você não está em contato com a agricultura. Ela afeta às nossas vidas constantemente.
  • Dito isso, sabemos que a maior parte da população se distanciou do processo de cultivo e a sacralidade que envolvia diferentes divindades nesse processo passou a ser profanada. As pessoas não pensam mais em como o processo é feito e nem quais são as consequências desse processo para a natureza como um todo.
Estimativa de produção agrícola no Brasil e sua respectiva produção de resíduos. Fonte: Conab (2017).
  • Como praticantes do paganismo que buscam o resgate dos cultos antigos e a valorização dos ancestrais que tinham crenças sagradas a cerca da agricultura, temos um papel muito importante para honrar essas práticas e também na compreensão da disputa política e ambiental que ocorre no campo agrícola.
  • No presente texto não pretendo abordar as questões complexas que envolvem a agricultura no Brasil, mas deixo o convite para você entender o que está em jogo por aqui.
  • O Brasil passou por um processo de colonização violenta e a terra foi distribuída de forma desigual levando esses colonizadores escravagistas a fazerem as maiores fortunas desse país que continuam sendo passadas de geração em geração.
A maior parte do Brasil possui possui terras privadas.
  • Os limites dos agrotóxicos presentes nos alimentos são cada vez menos restritivos por conta de pressões políticas. Os produtos que chegam nas mesas da periferia são os mais cheios de agrotóxico, enquanto os produtos orgânicos e produzidos por agricultura familiar estão nos pratos das elites. Estão lucrando com a morte crônica dos periféricos, isso quando ainda existem legumes e frutas para serem consumidos, já que quanto mais pobres, mais produtos industrializados são consumidos.
  • Existem movimentos extremamente violentos que impedem o acontecimento da reforma agrária e a distribuição de terras para cultivo de pequenos produtores. Os membros do Movimento Sem Terra (MST) são pintados como vilões apenas para rejeitarmos sua luta em busca da descentralização das terras e na produção orgânica. Existem indígenas sendo assassinados cruelmente diariamente por defenderem suas terras contra exploradores.
  • Existem florestas e biomas sendo destruídos para produção de transgênicos e criação de pasto.
  • O desperdício de alimentos e água são gigantescos.
  • O trabalho escravo é uma realidade ainda hoje em fazendas.
  • Fique atento, agro NÃO é pop.
Trabalho escravo.
  • A pecuária também está diretamente relacionada ao aquecimento global, trabalho escravo, desperdício de alimento e maus tratos a animais.
Trabalho escravo no Brasil.

Referências

  1. Assassin’s Creed Odyssey. Discovery Tour: Wheat and Agriculture.
  2. Assassin’s Creed Odyssey. Discovery Tour: Wine.
  3. Threshing floor. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Threshing_floor> Acessado em 26/11/2023.
  4. Lado B do agronegócio. Disponível em <https://projetocolabora.com.br/ods12/lado-b-do-agronegocio/> Acessado em 26/11/2023.

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