Bruxaria devocional,  História

Em nome dos deuses

Introdução

  • Apesar do paganismo ter sido criminalizado nos anos de 391 EC, os deuses e os costumes pagãos continuaram presentes em diferentes manifestações da humanidade como a arte, arquitetura e costumes.
  • Neste texto pretendo fazer um compilado com os meus achados da presença dos deuses e seus mitos nos nossos tempos. O nome dos deuses tem sido utilizados inclusive na ciência pós-moderna para nomear processos fisiológicos, químicos, espécies, corpos celestes e muito mais. Através dessas pequenas menções, os deuses sobrevivem e podem acabar chegando até mais pessoas.
  • Esse texto tem por essência permanecer inacabado, sendo complementado a medida que novos achados forem encontrados. Sugestões são bem vindas. O enfoque será dado a mitologia grega, mas posso ir incluindo alguns detalhes de outras mitologias.
  • Por ser bióloga microbiologista que trabalha com minhocas marinhas, então é possível que exista uma tendência para mais exemplos dentro dessas áreas por me chamarem mais atenção.

Astronomia

  • A astronomia é uma das mais antigas ciências. As primeiras civilizações, como os babilônios, gregos,  chineses, indianos, persas e maias realizaram observações metódicas do céu noturno.
  • Acho que a primeira menção que temos dos deuses na nossa infância é quando somos apresentados ao nome dos planetas do nosso Sistema Solar. Veja a seguir que a astronomia costuma utilizar muitos nomes de deuses e heróis.

I) Planetas

  • Um planeta (do grego πλανήτης, viajante) é um corpo celeste que orbita uma estrela ou um remanescente de estrela, com massa suficiente para se tornar esférico pela sua própria gravidade, mas não ao ponto de causar fusão termonuclear, e que tenha limpado de planetesimais a sua região vizinha.
  • Os filósofos da Antiguidade como os gregos Aristóteles (384-322 AEC) e Ptolomeu (90-168 EC), entendiam que o planeta Terra era o centro do Sistema Solar, modelo chamado de Geocentrismo. Esse modelo permaneceu e foi apoiado pela Igreja Católica. A teoria que de que o Sol seria o centro do Sistema Solar, no modelo chamado de Heliocentrismo tem registros desde o grego Aristarco de Samos (310-230 AEC), mas só foi fundamentada com robustez pela primeira vez pelo matemático polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), mas a teoria permaneceu negada pela Igreja.
Modelos para o Sistema Solar.
  • Hoje sabemos que temos 8 planetas do nosso Sistema Solar, sendo Plutão considerado planeta-anão desde 2006. Os planetas Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno eram conhecidos desde a Antiguidade porque eram os mais brilhantes e eram conhecidos por diferentes culturas no mundo. Já os planetas Urano e Netuno foram descobertos no século XIX após a invenção de telescópios mais potentes, mas manteve-se o padrão dos nomes de deuses.
  • Como os primeiros astrônomos europeus escreviam em latim por ser a língua do Império Romano, eles acabaram homenageando os deuses romanos. Sabe-se que o panteão romano teve bastante influência do panteão grego, inclusive as mitologias das divindades romanas foram sincretizadas com deuses gregos, com isso, também temos o nome dos planetas associados a deuses gregos como:
    • Hermes – Mercúrio – É o primeiro planeta do Sistema Solar e o menor deles, possuindo raio equatorial de 2.439,7 km. Esse planeta, que não tem atmosfera substancial devido às condições de temperatura, que em média é de aproximadamente 169ºC, e gravidade baixa, foi batizado com esse nome por conta de sua velocidade, já que percorre sua órbita a 47,87 km/s ao redor do Sol. O tempo gasto para concluir seu movimento de rotação é de 59 dias; o de translação, 87 dias. O deus Mercúrio inspirou o nome do planeta. Era o deus dos viajantes e o mensageiro dos deuses, se movendo muito rápido.
    • Afrodite – Vênus – É o segundo planeta do Sistema Solar; ao contrário do que se pensa, não é Mercúrio o planeta que apresenta a maior temperatura, e sim Vênus, devido ao efeito estufa provocado pelos gases de sua composição atmosférica, chegando à temperatura máxima de 482ºC. A atmosfera desse planeta é composta por hélio, sódio, oxigênio, dióxido de carbono, enxofre e vapor d’água. Vênus tem rotação de 243 dias e translação de 224 dias, sendo sua velocidade orbital de 35km/s. Vênus é confundido com uma estrela devido ao seu brilho intenso, podendo ser visto a olho nu. Devido a isso, recebeu o nome da deusa da beleza, Afrodite.
    • Gaia – Terra – É o terceiro planeta do Sistema Solar; é o único conhecido que propicia a vida e a sobrevivência a seus habitantes. Devido à fertilidade, recebeu esse nome em homenagem à deusa Terra, que foi a geradora de todos os deuses. O planeta Terra possui um satélite natural, a Lua. O tempo de translação do planeta é de 365,2 dias e o de rotação é de 23,9 horas; sua velocidade orbital é de 29 km/s. A temperatura média é de 15ºC. A atmosfera é composta principalmente de oxigênio, nitrogênio e argônio.
    • Ares – Marte – É o quarto planeta do Sistema Solar; seu tempo de translação é de 687 dias e o de rotação 24,6 horas, possuindo velocidade orbital de 24 km/s. Possui temperatura média entre 20ºC a 130ºC. A atmosfera desse planeta é composta de dióxido de carbono, nitrogênio, oxigênio e monóxido de carbono e possui duas luas: Fobos e Deimos. Sua coloração avermelhada é devida à quantidade de óxido de ferro presente em sua atmosfera. O planeta recebeu esse nome devido a essa coloração, que se assemelha ao sangue derramado nas batalhas travadas pelo deus da guerra, Marte.
    • Zeus – Júpiter – É o quinto planeta do Sistema Solar e é o primeiro gasoso. Sua atmosfera é composta por hidrogênio, hélio, metano, dióxido de carbono, água, amônia e silicatos. Possui 67 satélites conhecidos. Seu tempo de translação é de 11,9 anos e o de rotação é de 9h55min30s; sua velocidade orbital é de 13 km/s. A temperatura média desse planeta é de -108ºC. Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar; devido a isso recebeu o nome do deus Zeus, que era o mais poderoso do Olimpo.
    • Cronos – Saturno – É o sexto planeta do Sistema Solar e segundo planeta gasoso. Sua atmosfera é composta principalmente por hidrogênio e hélio. Esse planeta possui 60 satélites conhecidos e temperatura média de -125ºC. Seu tempo de translação é de 30 anos e o de rotação de 10,5 horas; sua velocidade orbital é de 9,6 km/s. Devido ao tempo de translação, que era o maior da antiguidade, recebeu o nome do deus do tempo, Saturno.
    • Urano – Urano – É o sétimo planeta do Sistema Solar e o terceiro planeta gasoso. Sua atmosfera é composta principalmente por hidrogênio, hélio e metano. Descoberto em 1781. Urano possui 27 satélites naturais e 10 anéis. Por estar bem distante do Sol, possui temperatura média de -215ºC. Seu tempo de translação é de 84 anos e o de rotação é de 17 horas; sua velocidade orbital é de 6,8 km/s. A cor azulada de Urano é devida à quantidade de metano presente em sua atmosfera. Por essa cor se assemelhar ao céu, recebeu seu nome em homenagem ao deus do firmamento, Urano.
    • Poseidon – Netuno – É o oitavo e último planeta do Sistema Solar já que em 2006 Plutão deixou de ser planeta e passou a ser considerado planeta-anão. Descoberto em 1846. Netuno também é um planeta gasoso; sua atmosfera é composta principalmente por hidrogênio, hélio e metano. Por estar a cerca de 4,5 bilhões de quilômetros de distância do Sol, sua temperatura média é de -200ºC. Seu tempo de translação é de 164 anos e o de rotação é de 16 horas; sua velocidade orbital é de 5,4 km/s. Sua coloração azulada é devida à grande presença de metano; por essa cor, recebeu o nome do deus do mar, Netuno. Possui 13 satélites.
    • Plutão – Hades – Era o antigo nono planeta que desde 2006 se tornou planeta-anão, o asteroide 134340 Plutão, o maior membro do cinturão de Kuiper. Ele deixou de ser chamado de Planeta X para Plutão em 1930.
Sistema Solar.
Os oito planetas do Sistema Solar com tamanho em escala (de cima para baixo, da esquerda para a direita): Saturno, Júpiter, Urano, Netuno (planetas externos), Terra, Vênus, Marte e Mercúrio (planetas internos).
Tamanhos relativos de 25 objetos do Sistema Solar menores que a Terra. Esta versão foi criada e carregada para corrigir falhas no original criado por Tony g100. Todas as imagens retiradas da imagem de origem ou de imagens da NASA.

II) Asteroides

  • Um asteroide (pré-AO 1990: asteróide) é um planeta menor do Sistema Solar interno. Historicamente, esses termos foram aplicados a qualquer objeto astronômico orbitando o Sol que não se transformou em um disco e não foi observado que tinha características de um cometa ativo, como uma cauda.
  • Os nomes de divindades e personagens das mitologias greco-romanas também foi comum ao nomear os asteroides.
  • Existem dois grandes cinturões de asteroides no Sistema Solar:
    • Cinturão Principal – Também chamado de Cinturão de Asteroides ou Cinturão Interno de Asteroides. É uma região entre as órbitas de Marte e Júpiter formada por inúmeros objetos irregulares chamados de asteroides.
    • Cinturão de Kuiper – Também chamado de Cinturão de Edgeworth ou Cinturão de Edgeworth-Kuiper, ele é externo se estendendo a partir de Netuno.
Cinturões de asteroides no Sistema Solar, um cinturão interno entre Marte e Júpiter, outro externo chamado Cinturão de Kuiper.
  • No século XIX foram encontrados novos planetas:
    • 1 Ceres (em 1801); 
    • 2 Pallas (em 1802); 
    • 3 Juno (em 1804); 
    • 4 Vesta (em 1807);
    • 5 Astraea (em 1845);
    • 7 Hebe (em 1847);
    • 8 Iris (em 1847);
    • 9 Metis (em 1848);
    • 10 Hygiea (em 1849);
  • O número do asteroide é basicamente uma sequência dada pela ordem de sua atribuição. De forma que 1 Ceres, o primeiro asteroide descoberto, recebeu o número 1, o segundo, 2 Palas, depois, 3 Juno, 4 Vesta, e assim por diante.
O asteróide 4 Vesta (esquerda), com 1 Ceres (centro) e a Lua (direita) mostrados em escala de 20 km/px.
  • Logo se tornou evidente que eram bastante diferentes dos planetas anteriormente conhecidos: partilhavam a mesma região geral do espaço, entre Marte e Júpiter (o Cinturão de Asteroides), com órbitas por vezes sobrepostas. Esta era uma área onde se esperava apenas um planeta, e eles eram muito menores do que todos os outros planetas; na verdade, suspeitava-se que pudessem ser fragmentos de um planeta maior que se desintegrara. Herschel chamou-os de asteróides (do grego para “parecidos com estrelas”) porque mesmo nos maiores telescópios eles se assemelhavam a estrelas, sem um disco resolúvel. 
  • A situação manteve-se estável durante quatro décadas, mas em meados da década de 1840 foram descobertos vários asteroides adicionais. Em 1868 já se conheciam 100 asteróides diferentes, em 1921 já se conhecia 1000 asteroides, em 1989, eram 10.000, em 2005 eram 100.000 e em 2020, 1 milhão de asteroides já tinham sido descritos.
  • Novos “planetas” eram descobertos todos os anos; como resultado, os astrônomos começaram a tabular os asteroides (planetas menores) separadamente dos planetas maiores e a atribuir-lhes números em vez de símbolos planetários abstratos, embora continuassem a ser considerados como planetas pequenos.
Os 42 dos maiores objetos do cinturão de asteroides, localizados entre Marte e Júpiter. Clique aqui para ver imagem em maior tamanho.
Tabela “Designação dos corpos celestes”, da última edição do “Berliner Astronomisches Jahrbuch” (anuário astromômico de Berlim) que usa símbolos em vez de números circulados para os “planetas menores” (que hoje são chamados de “planetas anões” ou “asteróides”).
  • Eu destaco o asteroide 399 Persephone presente no cinturão interno de asteroides. Esse asteróide foi descoberto em 23 de fevereiro de 1895 pelo astrônomo alemão Max Wolf.

III) Satélite natural

  • Satélite natural é um corpo celeste que orbita em torno de um planeta ou outro corpo maior. Dessa forma, o termo satélite natural poderia se referir a planetas anões orbitando a uma estrela, ou até uma galáxia anã orbitando uma galáxia maior. Porém, é normalmente um sinônimo de lua, usado para identificar satélites não artificiais de planetas, planetas anões ou corpos menores. Por exemplo, a Lua é o satélite natural da Terra.
  • Em setembro de 2011, havia 375 objetos no Sistema Solar classificados como luas. Dentre esses, 169 orbitam planetas e 206 orbitam planetas anões e corpos menores. Porém, alguns são maiores que alguns planetas principais, como Ganímedes e Titã, satélites de Júpiter e Saturno, respectivamente, que são maiores que Mercúrio. Assim sendo estes satélites, se não orbitassem planetas, seriam eles mesmos planetas. Apesar disso, existem outros satélites que são muito menores e têm menos de 5 km de diâmetro, como vários satélites do planeta Júpiter.
  • Os satélites naturais também seguem um padrão comum na astronomia de receber nomes de divindades e personagens mitológicos.
  • Caronte, o satélite natural de Plutão tem mais ou menos metade do diâmetro deste último, e visto que o primeiro não gira exatamente em torno do segundo, o que leva certos astrônomos a pensarem no conjunto como um planeta duplo. De facto, o próprio sistema Terra-Lua é, também considerado por alguns astrônomos como um planeta duplo.
Comparação em escala do tamanho de vários satélites naturais com a Terra. Dezenove destes são grandes o suficiente para ser esféricos, e um deles, Titã, tem uma atmosfera substancial.

IV) Estrelas

  • Estrela (do latim “stella“) é um astro (objeto astronômico) de plasma que possui luz própria, esférico e grande, mantido íntegro pela gravidade e pressão de radiação, que ao fim de sua vida pode conter uma proporção de matéria degenerada. Sua formação foi possivelmente iniciada em torno de 180 milhões a 250 milhões de anos após o Big Bang.
  • O Sol é a estrela mais próxima da Terra e sua maior fonte de energia. O Sol corresponderia ao deus Hélio no panteão grego, mas também pode ser associado a Héstia, por ser o fogo central do universo e dos nossos lares, necessário para a existência de tudo.
Tamanho do Sol em relação a outras estrelas.
  • Na astronomia contemporânea, uma constelação é uma área da esfera celeste conforme definida em convenção pela União Astronômica Internacional (UAI) em 1922, delimitadas uma das outras por arcos de ascensão reta e declinação. Essas áreas são agrupadas em torno de asterismos, padrões formados por um conjunto de estrelas importantes, aparentemente próximas umas das outras no céu noturno terrestre e que os astrônomos antigos acreditavam formar imagens. No senso comum, esses constelação tem o significado de asterismo.
  • Os asterismos também costumam ser nomeados com base em criaturas e personagens mitológicos.
Asterismos dos signos do zodíaco.
Asterismos.
  • Em destaque, coloco o asterismo de Virgem. Esse conjunto de estrelas foi nomeado em homenagem a Perséfone. Na perspectiva de povos do Hemisfério Norte, quando Perséfone, ou Virgem, está no céu, então o tempo está bom e as coisas estão crescendo, por outro lado, quando não é mais possível vê-la no céu, a estação de cultivo chegou ao fim.
  • Virgem é um asterismo do sul que pode ser vista por observadores localizados entre latitudes de +80° e -80°. Para os observadores do Hemisfério Norte, Virgem é vista durante a primavera e o verão, sendo maio o mês com melhor visualização. Por outro lado, Virgem é visto no Hemisfério Sul durante o outono e inverno.
  • O Sol passa por Virgem aproximadamente entre 23 de agosto e 22 de setembro.
Asterismo de Virgem.
  • A maneira mais fácil de encontrar Virgem é procurar a estrela Arcturus no oeste. Arcturus é tão brilhante que tem uma tonalidade avermelhada. Se você encontrar a Ursa Maior no céu e seguir o arco de sua cauda, ​​você atingirá Arcturus no asterismo de Botas e se continuar na direção ela o levará até a estrela mais brilhante de Virgem: Spica. Costuma-se utilizar o mnemônico em inglês “Arc to Arcturus and Spike to Spica”. Virgem pode ser vista diretamente ao sul do asterismo Coma Berenices e imediatamente ao norte dos asterismos de Libra, Corvus e Cratera.
Constelação da Ursa Maior (Big Dipper) acima da constelação de Virgem (Virgo).
  • A maioria dos astrônomos conhece Virgem pelas galáxias alojadas dentro dela, mas Virgem também é notável porque o primeiro exoplaneta foi descoberto dentro dela há 30 anos. Posteriormente, já foram encontrados mais de 5.000 exoplanetas.
  • Virgem tem mais estrelas com planetas conhecidos do que qualquer outra constelação, com um total de 35 planetas orbitando 29 estrelas. A mais notável dessas estrelas é 61 Virginis, que é quase idêntica ao Sol em composição e tem 3 planetas orbitando-o, um dos quais é uma super-Terra. Virgem também detém o recorde de maior número de planetas já descobertos em um único ano, ou seja, nove em 2009.
Estrelas e galáxias do asterismo de Virgem.

Dias da Semana

  • Seguindo ao lado da descoberta dos deuses nos nomes dos planetas, vem a associação dos deuses com os dias da semana, que também tem uma relação planetária.
  • A semana é um período de 7 dias, uma unidade de tempo arbitrária criada sem base astronômica. A origem da semana é associada aos antigos judeus e o relato cosmogônico bíblico, onde Deus trabalhou seis dias e descansou no sétimo. Essa associação provavelmente foi inspirada nos sumérios e babilônicos que dividiam o ano em semanas de sete dias cada, com um dia de descanso.
  • Os babilônicos batizaram cada um dos dias com o nome de um dos cinco planetas conhecidos na época (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno) e com o Sol e a Lua, algo que também foi adotado pelos romanos.
  • Durante séculos, os romanos usaram um período de oito dias na prática civil, mas em 321 EC, o imperador Constantino estabeleceu a semana de 7 dias no calendário romano e designou o Domingo como primeiro dia da semana. Os dias subsequentes receberam os nomes de dia da Lua, dia de Marte, dia de Mercúrio, dia de Júpiter, dia de Vênus e dia de Saturno. Constantino, convertido ao cristianismo, decretou o domingo como dia de descanso e adoração.
  • Os dias atribuídos pelos romanos ao Sol (Sun), à Lua (Moon) e a Saturno (Saturn) foram mantidos para os dias correspondentes em inglês (Sunday, Monday e Saturday). Já os outros dias da semana no inglês foram originados de línguas anglo-saxônicas com associação a mitologia nórdica. Tuesday (terça-feira) vem de Tiu, ou Tiw, o nome anglo-saxão de Tyr, o deus nórdico da guerra. Tyr foi um dos filhos de Odin, ou Woden, a divindade suprema após a qual Wednesday (quarta-feira) foi nomeada. De forma similar, Thursday (quinta-feira se origina do dia de Thor, nomeado em homenagem a Thor, o deus do trovão e Friday (sexta-feira) foi derivado do dia de Frigg, Frigg, a esposa de Odin, representando o amor e a beleza, na mitologia nórdica.
  • As línguas românicas/latinas como espanhol e francês manteve a associação original para todos os dias da semana.
Dias da semana em diferentes idiomas.
  • Assim como temos associação dos dias da semana com astros celestes, também temos essa associação para as horas de cada dia. Essa associação foi relatada por Paracelso e é utilizada até os dias atuais para fins mágicos.
Horas planetárias. Veja com mais detalhes como essa tabela é construída clicando aqui.

Biologia

  • Na ciência como um todo são feitas descobertas constantemente. A equipe responsável por essas descobertas pode fazer homenagens para pessoas queridas, personagens históricos e mitológicos para as suas descobertas. Aqui vou colocar alguns nomes que foram utilizados se remetendo a figuras da mitologia grega para vocês terem uma ideia. Acredite, os cientistas são bastante criativos.
  • Para classificar os seres vivos, processos fisiológicos e tudo que existe na natureza, de maneira geral, os cientistas criaram categorias para agrupar esses seres de acordo com sua proximidade. No caso de animais e microrganismos, a área da ciência que estuda essa identificação, descrição e classificação é a taxonomia. Com o aumento do conhecimento da diversidade, cada vez mais classes foram sendo criadas, tendo uma hierarquia taxonômica entre essas classes para facilitar o entendimento da diversidade. Dessa forma, organismos dentro da mesma classificação são mais similares do que organismos de classificações distintas.
  • Todos esses nomes de classificação são criados por cientistas e muitos deles se inspiraram em personagens mitológicos para criar esses nomes. Todos os nomes dessas classificações são escritos com letra maiúscula, exceto o epíteto específico que acompanha um gênero.
Hierarquia taxonômica simplificada para um leopardo.
  • Gênero e epíteto específico são escritos em itálico. Em locais que não tem a função itálico, pode ser escrito entre aspas ou sublinhando as palavras. Nos textos científicos também é comum citar o nome do gênero uma vez no texto e depois abreviar o gênero. Em alguns casos, o nome do autor da espécie e o ano da publicação científica onde ela foi descrita também costuma seguir o nome da espécie. Quando o nome do autor está entre parênteses, indica que a espécie já foi alterada de gênero em algum momento. Por exemplo: Musca domestica Linnaeus, 1758 e M. domestica Linnaeus, 1758.
Como é formado o nome de uma espécie.

I) Animais

  • Destaco aqui o gênero de carangueijo que recebeu o nome de Persephona Leach, 1817, inspirado na maravilhosa Perséfone. De acordo com a taxonomia atual, sabe-se que seis espécies de Persephona  ocorrem no Atlântico ocidental são P. aquilonaris Rathbun, 1933; P. _ crinita Rathbun, 1931; P. _ finneganae Rathbun, 1933; P. _ lichtensteinii Leach, 1817; P. _ mediterranea ( Herbst , 1794) e P. punctata (Linnaeus, 1758); e quatro no Pacífico oriental P. edwardsii Bell, 1855; P. _ orbicular Bell, 1855; P. _ subovata ( Rathbun , 1893) e P. townsendi (Rathbun, 1893). No entanto, este número é um tanto incerto dado o status questionável de várias espécies do gênero (Magalhães et al., 2016). 
Mudanças ontogenéticas no padrão de cores de Persephona aquilonaris (A – C) e Persephona mediterranea (D – F), ambas variando de velha (grande) a jovem (pequena). Fonte: Magalhães et al., 2016.
  • Existe uma família de minhocas marinhas chamada Nereididae e vários gêneros dentro dessa família que fazem alusão às Nereidas. Elas eram 50 ninfas do mar filhas de Nereu, antigo deus do mar e Dóris, deusa da foz dos rios. O interessante que as Nereidas assim como as minhocas do mar são marinhas e os cientistas não confundiram com as Oceânides que são de água doce.
Exemplos de minhocas do mar da família Nereididae da Nereis cf. coutieri vivos (Glasby et a. 2015).
  • Também temos dentro das minhocas marinhas homenagens a deusa Afrodite como o gênero Aphrodita Linnaeus, 1758 e a espécie Eunice aphroditois (Pallas, 1788).
Aphrodita Linnaeus, 1758.
  • Existe um gênero de peixes chamado Zeus Linnaeus, 1758, uma clara homenagem ao deus soberano dos céus Zeus. Será que é por causa da aparência de brabo?

II) Plantas

  • Entre as plantas também vemos muito a influência da mitologia seja pela aparição de plantas em mitos, como o seu nome popular ou científico estar atrelado a algum personagem mitológico. São inúmeros os mitos onde ninfas ou personagens foram metamorfoseados em plantas, explicando sua origem mitológica. Temos muitos exemplos na categoria Herbário, mas selecionei alguns exemplos para ilustrar:
    • Açafrão – É uma flor muito valiosa da espécie Crocus sativus. Ela produz um pigmento utilizado para tingir roupas da realeza, sendo evocado como cor do manto de Hécate no Hino Homérico II a Deméter. Ela também teria sido originada da metamorfose de Krokus, amante do deus Hermes, dando origem ao nome do gênero. A deusa Eos seria matrona da flor devido as cores da aurora. A flor de açafrão também está presente no mito do rapto de Europa por Zeus.
    • Girassol – A flor solar tem como espécie Helianthus annuus que tem referência ao deus solar Hélio da mitologia grega. Segundo o mito, uma das ninfas oceânides de Hélio é a Klytie que foi metamorfoseada em girassol após ter sido abandonada pelo deus e ficar aos prantos acompanhando o seu caminho pelo céu.
    • Louro – O loureiro pertence a espécie Laurus nobilis e em grego é chamado de Dafne lembrando da ninfa que teria sido transformada em um loureiro para conseguir escapar das investidas do deus Apolo.
    • Menta – A hortelã ou menta é uma planta originária do mediterrâneo que pertence ao gênero Mentha sp. em alusão a ninfa Menta que foi transformada na planta após reivindicar o amor de Hades para si em detrimento de Perséfone.
    • Narciso – É uma flor do gênero Narcissus e que tem seu nome originado do mito de Narciso que teria se afogado ao se apaixonar pela sua própria imagem refletida em um lago. Depois disso, ele foi transformado na flor do narciso.
    • Ninfas – Temos uma família de plantas aquáticas chamada Nymphaeaceae que possui um gênero que se chama Nymphaea que é uma clara associação as ninfas devido a beleza deslumbrante de suas flores.
    • Romã – É um fruto da espécie Punica granatum e aparece como fruto que foi provado por Perséfone no submundo, selando seu compromisso com Hades. É uma fruta também associada a outras deusas como Hera, Ártemis, Afrodite e Hécate.

III) Microrganismos

  • O microrganismos ou micro-organismo é nome dado para organismos que não são vistos sem auxílio de instrumentos como lupas e microscópios. Existem microrganismos em muitos grupos de organismos de origem diferentes, podendo possuir só uma célula (unicelular) ou várias células (multicelular), mas ainda assim sendo pequenos.
  • De maneira geral, todas as bactérias e arqueas são microrganismos, mas dentro dos eucariotos também existem microrganismos como os fungos, flagelados e algumas plantas e animais.
  • Apesar de existirem alguns microrganismos causadores de doenças, a maioria dos microrganismos que existem são essenciais para o equilíbrio de muitos outros organismos e ciclagem de nutrientes. Assim como os animais e plantas, eles possuem classificações taxonômicas e muitos dos nomes dados aos microrganismos tem relação com personagens mitológicos.
Os três domínios: Bacteria, Archaea e Eukaria.
  • Vejam alguns exemplos a seguir:
    • Candidatus Endoriftia persephone – É uma espécie de bactéria marinha fundamental, que permite o desenvolvimento de comunidades de animais com alto teor de biomassa em torno de fontes hidrotermais de águas profundas no leste do Oceano Pacífico.
    • Persephonella – Gênero de bactérias marinhas que são obrigatoriamente quimiossintéticas, ou seja, produzem energia através de compostos inorgânicos, parecem ser atores-chave nos ciclos de carbono, enxofre e nitrogênio em habitats de alta temperatura em fontes de águas profundas.
    • Demetria terragena – Gênero de bactéria isolada do solo na Alemanha. O nome do gênero foi uma alusão a deusa da agricultura grega Deméter.
    • Craterellus cornucopioides – É uma espécie de fungo chamada popularmente de trompeta-da-morte, corno da abundância, orelha-de-morcego, viuvinhas. Ele é comumente observado em florestas durante o outono e inverno. O nome de sua espécie tem associação ao termo cornucópia que se refere ao mito grego onde a cabra Amaltheia que teria amamentado Zeus no Monte Dicte em Crete. Quando o deus atingiu a maturidade, ele criou o escudo contra o trovão (a égide) a partir da pele da cabra e o chifre da abundância (cornucópia ou keras amaltheias em grego) a partir de seus chifre. Em algumas versões Amalteia é uma ninfa e não uma cabra.
    • Asgardarchaeota – Também chamado de Asgard, é um superfilo de arquea que tem seu nome em homenagem ao reino dos deuses, os Æsir, na mitologia nórdica, mundo separado do reino dos mortais, Midgard. Dentro desde superfilo também temos vários filos com menção a deuses nórdicos como Friggarchaeota Caceres, 2019 em menção a deusa Frigg; Helarchaeota Seitz et al. 2019 em menção a deusa Hela; Lokiarchaeota Spang et al., 2015 em menção ao deus Loki; Odinarchaeta Zaremba-Niedzwiedzka et al., 2017 em menção ao deus Odin; Freyrarchaeota Caceres 2019 em menção a deusa Freya; Thorarchaeota Baker 2015 em menção ao deus Thor; e assim por diante. Apesar de não ser dentro da mitologia grega, eu acho esse exemplo muito interessante e descarado na vontade de fazer referência a deuses na microbiologia.
Fungo da espécie Craterellus cornucopioides, a trombeta-da-morte.

IV) Fisiologia

  • Existe um estudo para tratamento de câncer de mama que recebeu o nome PERSEPHONE, sendo um dos estudos de redução de escala foi o único que conseguiu provar que o medicamento trastuzumabe adjuvante deve ser utilizado por 12 meses e não por período inferior para gerar os efeitos esperados. Interessante a associação dos cientistas com o ciclo anual do mito da deusa.
PERSEPHONE é um projeto científico para estudar o efeito de um remédio contra o câncer de mama.
  • O estudo das células do sistema imunológico é chamado de imunologia. Uma célula fundamental são os macrófagos que tem a função de destruir células defeituosas. Existem alguns macrófagos que estão associadas a células que se multiplicam descontroladamente, os tumores. Um estudo de Buonfiglioli e Hambardzumyan (2021) comparou a célula de macrófagos associados a tumores (TAMs) a criatura mitológica Cérbero que protege os portões do submundo grego. Os TAMs seriam o Cérberos dos tumores do sistema nervoso, também chamado de glioblastoma (GBM), o mais agressivo e mortal dos tumores cerebrais primários. Eles tem três funções principais progressão tumoral, imunossupressão e desenvolvimento de edema cerebral vasogênico. Os TAMs podem ser metaforicamente comparados ao cão de três cabeças Cerberus da mitologia grega, que guarda os portões do Submundo, impedindo que os mortos vivam. No GBM, os TAMs protegem as células tumorais da morte e apoiam a sua sobrevivência.
Esquema de macrófagos associados a tumores (TAMs): O Cerberus do glioblastoma (GBM) e suas principais funções. Fonte: Buonfiglioli e Hambardzumyan (2021).
  • Enzimas são um tipo de proteína que atua acelerando processos fisiológicos, ou seja, são catalizadoras. Existem inúmeros tipos de enzimas. No caso das proteases, elas aceleram a quebra de outras proteínas. Foi dado o nome de Perséfone (sigla Psh) para uma protease do sistema imunológico que atua identificando a presença de microrganismos invasores por atuar como isca para algumas proteases de fungos e bactérias.
Processo de ativação da protease Perséfone (Psh) pela presença de proteases de patógenos descrita no trabalho de Issa et al. (2018).

Química

  • Na tabela periódica é uma disposição sistemática dos elementos químicos ordenados por seus números atômicos, configuração eletrônica, e recorrência das propriedades periódicas. Ela foi publicada pela primeira vez em 1789 por Antoine Lavoisier com 33 substâncias ou elementos químicos, sendo essa a primeira tabela conhecida.
Tabela de Lavoisier
  • Em 1869, enquanto escrevia seu livro Dimitri I. Mendeleev criou uma carta para cada um dos 63 elementos conhecidos. Cada carta continha o símbolo do elemento, a massa atômica e sua s propriedades químicas e físicas. Colocando as cartas em uma mesa, organizou-as em ordem crescente de suas massas atômicas, agrupando-as em elementos de propriedades semelhantes.
Tabela de Mendeleev.
  • Atualmente quem gera as tabelas periódicas válidas é a International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC) e ela disponibiliza em seu site em diferentes formatos. Atualmente temos elementos do número atômico 1 (hidrogênio) ao 118 (oganessônio) foram descobertos ou sintetizados, sendo as adições mais recentes (elementos 113, 115, 117 e 118) confirmadas pela IUPAC em dezembro de 2015. 
  • Os primeiros 94 elementos existem naturalmente, embora alguns sejam encontrados somente em quantidades de trações e foram sintetizados em laboratório antes de serem encontrados na natureza. Elementos com o número atômico de 95 ao 118 foram somente sintetizados em laboratório ou reatores nucleares. Tem sido buscada a síntese de elementos com números atômicos maiores. Vários elementos radionuclídeos sintéticos ou que ocorrem naturalmente também têm sido produzidos em laboratórios.
Tabela da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC) válida em 2022.
  • Vários elementos químicos presentes na tabela possuem referências a personagens mitológicos. Aqui eu destaco os seguintes:
    • Promécio (Pm) – Enquanto desenvolviam uma bomba atômica como parte do Projeto Manhattan durante a Segunda Guerra Mundial, o químico Charles Coryell e seus colaboradores Larry Glendenin e Jacob Marinsky trabalharam para identificar elementos produzidos durante a fissão nuclear de urânio (U). Assim, um deles acabou por ser o elemento 61 — um metal de terra rara ainda não descoberto há muito tempo suspeito de sentar-se entre Neodímio e Samarium na tabela periódica. Foi a esposa de Coryell, Grace Mary, que sugeriu nomear o elemento radioativo em homenagem a Prometeu, o Titã Grego que roubou o fogo dos olímpicos e deu aos humanos. Dessa forma, a ação não ficava impune: Zeus o tinha amarrado a uma montanha, onde uma águia vinha bicar seu fígado regenerado diariamente. Como Glendenin explicou em 1976, o nome promécio (Pm) “não apenas simboliza a forma dramática como o elemento é produzido como resultado do aproveitamento da energia da fissão nuclear, mas também alerta para o perigo de punição pelo abutre da guerra”.
    • Titânio (Ti) – A princípio, o crédito por descobrir titânio (Ti) vai para o mineralogista britânico William Gregor, que detectou um metal em um mineral preto arenoso chamado menachanite em 1791. Ele só teve um nome quatro anos depois, quando o químico alemão Martin Heinrich Klaproth identificou o mesmo metal em um mineral diferente: rutile. Klaproth logo soube da descoberta de Gregor e percebeu que os dois metais eram o mesmo elemento desconhecido, que ele chamou de “titânio” em homenagem aos Titãs. Os titãs eram seres híbridos, nenhum era humano por completo e todos tinham o poder de se transformar em animais. O titânio (Ti) faz jus ao seu nome: Ele não é corroído facilmente e ostenta uma alta resistência à tração, particularmente quando comparado com sua baixa densidade.
    • Tântalo (Ta) – Na mitologia grega, Tântalo (Ta) era um filho de Zeus que os deuses condenados a passar a eternidade em pé em uma piscina de água que ele não podia beber, com frutas fora de alcance. Então, quando o químico sueco Anders Gustaf Ekeberg identificou um novo metal duro e cinza em 1802, ele descobriu que era quase impossível fazê-lo dissolver em ácido. Então ele chamou de tântalo (Ta) “em parte seguir o costume de adotar nomes da mitologia, e em parte aludir ao fato de que o óxido deste metal é incapaz de se alimentar mesmo no meio de um excedente de ácido”.
    • Nióbio (Nb) – Antes de se tornar nióbio (Nb), o elemento 41 era conhecido como columbium. O nome era um aceno ao Novo Mundo. Dessa forma, o químico britânico Charles Hatchett identificou pela primeira vez o brilhante metal acinzentado em uma amostra mineral descoberta décadas antes na Nova Inglaterra. A descoberta de Hatchett aconteceu apenas um ano antes de Ekeberg encontrar tântalo (Ta), e alguns cientistas concluíram que os dois metais muito semelhantes eram na verdade o mesmo elemento. Na década de 1840, o químico alemão Heinrich Rose determinou que eles não eram iguais. Então, ele chamou columbium de “nióbio” (Nb) em homenagem à filha de Tântalo, Niobe.
    • Cério (Ce) – Não foi a única vez que Berzelius nomeou um elemento em homenagem a um deus, como fez com o Tório em homenagem ao deus nórdico Thor. Depois de descobrir o metal de terras raras prateadas em 1803, Berzelius e seu colega Wilhelm Hisinger batizaram-no de ceriumEntão, Cério recebeu o nome da deusa romana associada à agricultura e colheitas abundantes, Ceres.
    • Irídio (Ir) – Foi nomeado em referência a deusa Íris do arco-íris por sua capacidade de produzir compostos coloridos, . Assim, “Eu deveria inclinar-me a chamar esse irídio (Ir), da impressionante variedade de cores que ele dá, enquanto se dissolve em ácido marinho”, escreveu o químico britânico Smithson Tennant após descobrir o elemento por volta de 1803. Dessa forma, Tennant não especificou exatamente como ele veio com a palavra irídio (Ir), mas é frequentemente dito que foi inspirado por Iris, deusa grega do arco-íris.

Marketing e comércio

  • Existem inúmeras empresas e estabelecimentos comerciais e propagandas que se utilizam dos nomes dos deuses em seus produtos ou como nome principal. Veja alguns exemplos a seguir.

I) Nike

  • A curva provocada pelas asas da estátua votiva da deusa/daemon grega Nike que passou a ser conhecida como Niké da Samotrácia. A estátua não tem cabeça e braços, e sua base em forma de proa de navio. É uma obra-prima da escultura grega da era helenística, datada do início do século II AEC.  O formato das asas gerou a marca: Nike. Então, a marca “Nike” se origina de “Niké”. Com o passar do tempo, a empresa retira o texto, deixando simplesmente o desenho (da asa).

II) Dove

  • Dove é uma palavra em inglês que significa “pomba” e é o nome de uma marca de produtos de higiene pessoal. Essa escolha foi feita com inspiração na deusa grega Afrodite, deusa do amor e beleza. A ideia é que você ao usar o sabonete, terá a pele macia e jovem como uma deusa.
  • A deusa Afrodite é retratada ao lado de aves na iconografia grega antiga, entre elas a pomba e o ganso, ambos como símbolos de fertilidade e amor.
Logotipo da marca Dove.

III) Starbucks

  • A Starbucks é uma marca de cafeteria que tem em seu logo as sereias. As sereias possuem suas origens na mitologia grega onde elas eram metade mulheres e metade pássaros e tinham relação com o mar. Elas encantavam marinheiros levando eles a morte. Elas também eram consideradas psicopompos, levando a alma das pessoas que morrem no mar. Uma criatura marinha grega com calda dupla é a Scylla, bastante semelhante a imagem presente no logo da cafeteria.
Logotipo da cafeteria Starbucks.
Odisseu, preso ao mastro de seu navio, ouve o canto mortal das sereias. Uma das donzelas com corpo de pássaro se joga no mar em desespero por ter sido frustrada pelo herói. Museu Britânico, Londres. Cerca de 480-470 AEC.
Scylla é retratada como uma ninfa sereia com a cabeça, braços e torso de uma mulher no topo da cauda serpentina de um peixe. As partes dianteiras de dois cachorros brotam de sua cintura e ela segura um tridente na mão. Museu J. Paul Getty, Malibu (cerca de 340 AEC).
  • As sereias também tem grande relação com o mito céltico da Melusina que é uma criatura metade mulher e metade serpente, peixe ou dragão, que teria essa transformação com relação ao contato com a água. Ela está associada às casas governantes de Anjou, Lusignan e Plantageneta e supostamente alertou os nobres sobre essas casas sobre morte ou mudança iminente.
A pintura retrata o momento da lenda em que Raymondin espiona sua esposa, Melusine, e descobre que ela é meio-serpente aos sábados.
A Fera Melusina. Artista: Julius Hübner, 1844. Museu Nacional, Poznan.

IV) Olympikus

  • A marca brasileira esportiva Olympikus tem seu nome em referência aos Jogos Olímpicos e aos arcos que representam os continentes participantes das competições, atualmente são cinco arcos.
  • Na Grécia Antiga existiam diferentes competições esportivas também eram formas de honrar suas cidades e deuses, tendo origens desde a Creta minóica. De maneira geral, eram chamados de Jogos Pan-Helênicos porque reuniam participantes de várias regiões da Grécia Antiga. Eles foram interrompidos em 393 EC Teodósio I tornou o culto pagão crime. Entre os jogos realizados estão:
    • Jogos Olímpicos ou Olimpíadas – Ocorreram na cidade de Olímpia em homenagem a Zeus, desde 776 AEC. O prêmio era uma coroa de oliveira (kotinos) e ocorria a cada 4 anos.
    • Jogos Píticos – Ocorreram na cidade de Delfos em homenagem a Apolo, ocorreram cerca do século VI AEC. O prêmio era uma coroa de louros (grinalda) e ocorria 2 anos após os Jogos Olímpicos, também a cada 4 anos.
    • Jogos Nemeus – Ocorreram na cidade de Nemeia em Corinto em honra a Zeus e Héracles, desde 573 AEC devido a vitória de Héracles sobre o leão da Nemeia, um dos 12 trabalhos. O prêmio era um aipo selvagem e ocorria a cada 2 anos.
    • Jogos Ístmicos – Ocorreram na cidade de Istmia no Sicião em honra a Posídon a cada 2 anos e o prêmio era uma pinha.
Logotipo da marca Olympikus.
Os jogos olímpicos modernos tiveram origem nas práticas da Grécia Antiga.

V) Goodyear

  • A Goodyear é uma marca que fabrica pneus para diferentes veículos. Em seu logotipo, ela possui uma bota alada em seu centro muito associada ao deus grego Hermes que rede as estradas e viagens. Com isso, a marca também transmite segurança em suas viagens e rapidez.
Logotipo da marca Goodyear.

VI) Pandora

  • Pandora é uma marca de jóias que teve como inspiração do nome da marca no mito da Pandora (do grego Πανδωρα que significa “todos os presentes”) que foi a primeira mulher mortal formada de barro pelos deuses.
  • O Titã Prometeu recebeu a tarefa de criar a raça humana. Posteriormente, ele ficou descontente com a sorte imposta a eles pelos deuses e então roubou o fogo do céu. Zeus ficou furioso e ordenou que Hefesto (Hefesto) e os demais deuses criassem a primeira mulher Pandora, dotando-a de beleza e astúcia. Ele então a entregou ao tolo irmão mais novo de Prometeu, Epimeteu, como noiva. Zeus deu a Pandora um jarro de armazenamento (pithos) como presente de casamento, que ela abriu, liberando o enxame de espíritos malignos presos dentro dele. Estes iriam atormentar para sempre a humanidade. Apenas Elpis (Esperança) ficou para trás, uma única bênção para aliviar o sofrimento da humanidade.
Logotipo da marca Pandora.
Pandora abrindo a caixa.

VII) Maserati

  • A marca de carro de luxo italiana Maserati tem um tridente em seu logotipo. É uma referência clara a Poseidon, deus dos mares, inclusive eles possuem uma estátua do deus em sua sede.

VIII) Versace

  • É uma marca de roupa de luxo italiana que tem como símbolo a égide, que é a cabeça da Medusa.
Logotipo da marca Versace.

Agradecimentos

  • Quero agradecer a minha amiga Thaiana Garcia da página Siri do Céu (@siridocéu), uma excelente oraculista, astróloga, artista e carcinóloga (bióloga que trabalha com crustáceos). Ela me inspirou a chegar no tema desse texto me enviando uma imagem de um Persephona sp.

Referências

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  4. Earl, H. M., Hiller, L., Vallier, A. L., Loi, S., McAdam, K., Hughes-Davies, L., … & Yahya, S. (2019). 6 versus 12 months of adjuvant trastuzumab for HER2-positive early breast cancer (PERSEPHONE): 4-year disease-free survival results of a randomised phase 3 non-inferiority trial. The Lancet393(10191), 2599-2612.
  5. Buonfiglioli, A., & Hambardzumyan, D. (2021). Macrophages and microglia: the cerberus of glioblastoma. Acta neuropathologica communications9(1), 1-21.
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