Energia dos elementos

O fogo helênico

Introdução

  • A minha intenção é esse texto ser um repositório dos meus estudos sobre o elemento fogo na perspectiva helênica. Por isso, será um texto em constante construção. Volte aqui sempre em busca da versão mais atual. Assim como qualquer outro texto deste blog, não pretendo esgotar esse assunto aqui, apenas compartilhar o que já estudei para ajudar vocês.
  • Diferente do que normalmente vemos no neopaganismo onde os elementais estão separados didaticamente por elementos, ao estudar a perspectiva grega, percebemos que os espíritos da natureza estão por toda a parte e muitos deles habitam em locais onde mais de um elemento predomina ao mesmo tempo.
  • Na nossa realidade existem elementos naturais mais complexos que apenas as divisões entre fogo, terra, água e ar. Isso fica claro quando pensamos em ninfas das nuvens, ninfas das estrelas, ninfas da luz, ninfas de vulcões, entre outras, que podem ser compreendidas como elementais de mais de uma categoria.
  • Os textos sobre elementos buscam apenas uma reflexão de onde os elementos estão se manifestando e levam destaque na mitologia grega. Apesar da divisão didática, é importante pensar que pode haver predomínio de um elemento, mas dificilmente estarão isolados. Compreender os elementais gregos é ter contato com a natureza, ultrapassando os limites dessas categorias.

Fogo: Construção e Destruição

  • Assim como tudo na natureza, o fogo tem seus aspectos construtivos e destrutivos. Por isso, buscamos o equilíbrio dessa força em nós.
  • Ele é um elemento transformador e purificador, a sua ação gera mudanças de estado. Do cru ao cozido, do frio para o quente, do concreto para o abstrato.
  • Momentos de construção do fogo:
    • Cozimento de alimentos;
    • Forja de ferramentas;
  • Momentos de destruição do fogo:
    • Incêndios;
    • Holocaustos;
  • No Hino Homérico II, através do fogo, Deméter eliminava os “elemento mortais” do corpo do jovem Demofonte. É um símbolo de autoimolação, o sacrifico que diviniza, torna especial. Também é uma alusão da transformação do trigo em pão através da morte pelo fogo. Esse rito que também é vivenciado nos Mistérios Elêusis, onde quem é iniciado tem um tratamento especial no pós-vida.

Deméter [fragmentação]
o besuntava de ambrosia como se fosse nascido de um deus,
enviando-lhe sopro agradável e segurando-o junto ao colo.
À noite o cobria em fogo como tição
às escondidas dos caros pais: para eles era um grande espanto
como crescia precocemente, aos deuses assemelhada a face.

Transformação de Demofonte em divindade através do fogo (Hino Homérico II).

Manifestações do fogo

  • O fogo tem um lugar de destaque em vários mitos gregos e está associado a vários personagens notáveis ​​da mitologia grega, sendo o mais famoso Prometeu, que roubou o fogo dos deuses do Olimpo. 
  • Ele tinha um significado prático, simbólico e até elementar para a mente grega. Em termos práticos, era extremamente perigoso e extremamente útil, se administrado adequadamente, para calor e para trabalhos manuais como metalurgia e avanços tecnológicos relacionados. Simbolicamente, muitas vezes tinha uma conotação de inteligência e também de destruição e de vida. 
  • Sabendo onde o fogo está se manifestando, podemos entender seus poderes e como nos conectar com ele na natureza. Nada mais pagão do que sentir o calor do sol na pele e entender por si a sensação que isso gera. Para os gregos antigos, não há religião porque não existe momento profano ou distante dos deuses. Eles estão por toda parte, o sagrado está presente em todos, o tempo todo.
Fogo.

I) Independência humana

  • O mito de Prometeu roubando o fogo dos deuses é um dos mitos gregos mais famosos hoje e provavelmente o mais famoso em relação específica ao fogo. 
  • Zeus deu a Prometeu e seu irmão Epimeteu a tarefa de fornecer presentes aos seres mortais, que ainda eram muito fracos e lutavam pela sobrevivência. Prometeu concederia presentes aos humanos (em versões posteriores do mito, ele realmente criou a humanidade) e Epimeteu aos outros animais. Infelizmente para a humanidade, antes que Prometeu pudesse agir, Epimeteu (cujo nome significa “reflexão”) deu todos os melhores presentes aos animais (beleza, força, velocidade e agilidade, etc.), então os seres humanos permaneceram fracos e vulneráveis ​​contra os animais mais perigosos e os rigores da natureza.
  • É aqui que entra o mito do fogo. Prometeu pensou que o mínimo que Zeus poderia fazer era dar fogo à humanidade para aquecimento e avanço material, mas Zeus recusou. Prometeu, que era conhecido por ser um mestre trapaceiro, pregou uma peça em Zeus, e Zeus em represália decidiu punir a humanidade, a quem Prometeu amava, negando-lhes o dom do fogo.
  • Então, Prometeu invadiu a oficina de Hefesto e roubou fogo e também forjou implementos e os deu aos humanos. (Outros relatos mostram que ele roubou o fogo do Olimpo.) Prometeu é, portanto, lembrado como um dos grandes benfeitores da humanidade.
  • A resposta de Zeus agora foi ainda mais severa. Ele puniu a humanidade enviando-lhes a caixa de Pandora cheia de dores e misérias incalculáveis, e o irmão menos inteligente e pensativo de Prometeu, Epimeteu, abriu a caixa tolamente. 
  • Quanto a Prometeu, Zeus o amarrou a uma rocha onde uma águia comeu seu fígado todos os dias por muitos anos. Zeus fazia seu fígado regenerar todas as noites para que no dia seguinte a águia pudesse voltar a se banquetear. Prometeu permaneceu nessa agonia até ser finalmente libertado por Héracles (nome romano Hércules). Mas o dom do fogo nunca foi retirado e, graças ao dom de Prometeu, eles conseguiram sair de sua condição física miserável.
  • Embora fosse um deus, o roubo do fogo por Prometeu mais tarde se tornou um símbolo da independência humana dos deuses e, eventualmente, no contexto do Ocidente cristão, da revolta contra Deus na forma de ateísmo. Marx usou o mito de Prometeu dessa maneira, por exemplo. Amplamente, Prometeu ainda é usado como símbolo da inteligência, engenhosidade e progresso humanos.
A punição de Prometeu.

II) Renascimento

  • A Fênix é provavelmente ainda mais conhecida hoje do que o mito de Prometeu, embora possa não ser imediatamente associada na mente de todos com o fogo. 
  • Este ciclo de vida e morte continua indefinidamente. Em algumas versões, ela é consumida pelo fogo de uma faísca enviada dos céus; em outros ela se incendeia. Então, depois de três dias, ela ganha vida.
  • A Fênix é um símbolo poderoso, então, de vida, morte e renascimento. Como um símbolo de renascimento, é também um símbolo de esperança. Os gregos o associavam não apenas ao ciclo da vida em geral, mas também especificamente à metempsicose ou reencarnação. Assim, eles também conectaram a Fênix com a ideia da imortalidade da alma. Mais tarde, os cristãos empregaram o mito como um símbolo da morte e ressurreição de Cristo.
  • Existem versões dos mitos da Fênix em diversas culturas em diversas civilizações. Na versão grega está a história de uma ave do paraíso, majestosa em tamanho e dignidade e de cor brilhante, que vive no paraíso por 1.000 anos (embora algumas fontes coloquem o período de tempo significativamente mais longo ou mais curto) e então vem à terra e morre. pelo fogo, apenas para renascer das cinzas para viver mais 1.000 anos.
A fênix.

III) Sol

  • Deuses solares: Hélio, Apolo e Asclépio;
  • Os deuses solares no panteão grego possuem forte ligação com a inteligência, conhecimento e razão.
  • Hélio é aquele que tudo vê. Inclusive Hécate recomenda a Deméter para pedir ajuda de Hélio para ter conhecimento sobre o rapto de Perséfone. Apolo é um grande símbolo de civilidade e acometimento, em oposição a Dioniso. Através dessas concepções foram criados os termos apolíneo e dionisíaco.
  • A luz solar é aquela que dá fim a noite. Sendo a noite um momento onde não enxergamos bem e, por isso, é misteriosa e pode esconder segredos e é temida por muitos, sendo decisões tomadas com base na intuição. Por outro lado, durante o dia vemos com claridade, e com isso tomamos decisões com base na razão e movidas pelo que os olhos veem.
  • O calor solar também tem referência a estações quentes como a primavera-verão, quando a vida está exuberante, os animais se reproduzindo e as colheitas sendo feitas. Por isso, o sol também tem essa associação com a prosperidade, alegria, saúde e sucesso. Ficamos mais extrovertidos e alegres com a energia das múltiplas cores que surgem na natureza.
  • Existem ninfas e divindades menores que personificam a luz do sol em cada momento do dia:
    • O ciclo do dia começa com Hélio trazendo o sol, Eos (ou Aurora) de dedos rosados trazendo a luz do amanhecer; Hemera traz a luz forte do dia, as Hespérides trazem o entardecer, Nix traz a noite, enfeitando o céu com a lua de Selene, estrelas de Astéria e o Érebo traz a escuridão.
    • Sendo o sol uma estrela que brilha durante o dia, as ninfas e deuses associados a estrelas seriam a sua oposição no céu noturno. Trazendo esses aspectos luminosos e oraculares.
    • Eosphorus (do grego Εωσφορος, do romano Lúcifer, Portador da Alvorada) e Hesperus (do grego Ἑσπερος, Crepúsculo, Noite) eram os deuses da estrela Vênus. Os dois deuses estelares foram posteriormente combinados.
    • Ninfas das estrelas – Astérias (estrelas no geral), Híades (estrelas da navegação), Hespérides (pôr-do-sol) e Asteriai (estrelas).
  • Deusas relacionadas a inspiração e a criação científica também teriam relação com o fogo criativo, como:
    • Musas – Calíope (bela voz); Clio (a que confere fama); Euterpe (a que dá júbilo); Tália (a festiva); Melpômene (a cantora); Terpsícore (a que adora dançar); Érato (a que desperta desejo); Polímnia (a de muitos hinos); e Urânia (celeste).
Luz do sol.

IV) Lareira

  • Héstia, cujo nome significa lareira, foi a primeira filha de Cronos e Rheia e foi a primeira a ser engolida por seu pai ao nascer e a última a ser vomitada por ele ao ser forçado por Zeus. Para Héstia eram sagrados todos os altares de sacrifícios para todos os deuses, o fogo da lareira de cada casa, o fogo das piras públicas e o chão de toda cidade.
  • A lareira era o centro sagrado do culto doméstico onde eram lançadas oferendas, portanto, Héstia era a deusa da vida doméstica e a doadora de toda a felicidade e bênçãos domésticas e, como tal, acreditava-se que ela residia na parte interna de todas as casas.
  • Toda vez que uma colônia era formada, os emigrantes pegavam o fogo que deveria queimar na lareira de usa nova casa daquela cidade mãe. Se o fogo da lareira se extinguisse, o fogo usado para reacender teria que ser feito com vidros acesos que tiravam o fogo do sol.
  • Dito isso, o fogo é um símbolo do espírito da cidade e da união das pessoas que vivem naquele lugar. O fogo também permite que os alimentos sejam cozidos e a prosperidade física dos membros da casa é reforçada pela lareira, onde os alimentos eram preparados.
  • O processo da transformação dos alimentos através da culinária envolve todos os elementos, mas o fogo tem seu papel central. Atualmente temos o fogão como um primo moderno da lareira e ele pode ser honrado como o símbolo da riqueza e fartura no lares.
A lareira como o centro da casa.

V) Forja

  • Hephaistos ou Hefesto era o deus olímpico do fogo, vulcões, ferreiros, artesãos, metalurgia, cantaria e escultura. Ele foi retratado como um homem barbudo segurando um martelo e uma pinça – as ferramentas de um ferreiro – e às vezes montado em um burro. Ele era filho de Zeus e Hera.
  • O povo helênico, assim como outros povos guerreiros, possuem divindades relacionadas a forja e ao fogo. Isso demonstra a tamanha importância e sacralidade dessa função de transformar o ferro em instrumentos de guerra.
  • Perceba que a forja assim como muito relacionada ao fogo, também está fortemente relacionada a terra devido ao metal transformado e também a água, onde o fogo é apagado. Os artesãos e ferreiros que fazem essas transformações também eram típicos devotos de Hefesto.

“Suínos com a gordura abundante sobre eles foram chamuscados e estendidos sobre a chama de Hefesto.”

Hefesto como um sinônimo do fogo (Ilíada de Homero 9. 467).

“Aproximava-se a hora marcada quando o homem, por sua vez, deveria sair para a luz do dia; e Prometeu, não sabendo como poderia conceber sua salvação, roubou as artes mecânicas de Hefesto e Atena, e fogo com eles (eles não poderiam ter sido adquiridos nem usados ​​sem fogo), e os deu ao homem… A arte de Hefesto de trabalhar com o fogo, e também a arte de Atena, e as deu ao homem. E desta forma o homem foi suprido com os meios de vida.”

Platão, Protágoras – Filósofo grego século 4 AEC – 320c – 322a (tranduzido Jowett).
Forja.

VI) Vulcões e fontes térmicas

  • A atividade vulcânica originalmente é associada pelos gregos aos são originalmente aos filhos Gigantes de Gaia. De maneira tardia, Hefesto foi sincretizado com o deus-vulcão italiano Adranus-Volcanus, e passou a ser considerado o deus dos vulcões. 
  • Os vulcões também são consideradas entradas para o submundo. Um exemplo é o Monte Etna é a montanha mais alta da Sicília, com 3.350 m de altura. Além disso, é o vulcão ativo mais alto da Europa. É um vulcão com múltiplas aberturas (ventilações), deixando o suspense do local onde ocorrerá a próxima erupção. A terra fértil da região vulcânica propicia o crescimento de inúmeras espécies de plantas, como espécies de carvalho, pinheiro manso, bétulas e faia. Para os gregos antigos, o Monte Etna era o reino de Vulcano, deus do fogo, e lar do monstro Ciclope. Em algumas versões do mito de Perséfone, o Monte Etna seria a entrada para onde Hades levou Perséfone após o rapto.
  • Rios de fogo do submundo estão associados a punições e sofrimento como o deus-rio Eridano (Nome grego: Ηριδανος; Transliteração: Êridanos; Escrita latina: Eridanus; Tradução: Queimado cedo) e o deus-rio Flagetonte (Nome grego: Φλεγέθων; Transliteração: Phlegeton; Tradução: rio flamejante);
  • Com isso, podemos ver os aspectos destruidores e surpreendentes das erupções vulcânicas, mas também trazem aspectos construtivos como a fertilidade na terra. A lava que vem das profundezas também demonstra ao heleno que no submundo pode ter esses rios feitos de lava/fogo.
Vulcão.

VII) Tochas

  • O submundo é um lugar onde não tem a luz do sol. Aqui temos o fogo das tochas com o intuito de ser iluminador do caminho escuro. Ele é como a consciência em oposição às sombras do submundo/inconsciente.
  • Existem muitas divindades ligadas ao submundo e as sombras que apresentam esse aspecto de guia por caminhos misteriosos através de suas tochas.
  • Tochas de cabeça dupla são características marcantes dos Mistérios de Elêusis. Dadoukhos (do grego Δαδούχος, ΔΑΔΟΥΧΟΣ, no masculino) ou Dadoukhousa (do grego Δᾳδουχοῦσα, no feminino) é aquele que porta a tocha durante os mistérios. O cargo foi ocupado primeiro pelos Kírykæs, mas posteriormente entregue ou compartilhado com os Lykomídai.
  • As ninfas que portavam tochas junto de Deméter nos Mistérios Elêusis eram chamadas de Lâmpades (do grego Λαμπάδες e inglês torch-bearer), para os romanos eram chamadas de ninfas avernais ou infernais. Alguns dizem que elas pregavam peças nos viajantes que iam até Elêusis ou levavam eles a morte. No submundo, elas acompanham Hécate, sendo um presente de Zeus pela lealdade da deusa na Titanomaquia. Existem relatos de que a luz das tochas das lâmpades poderia levar as pessoas a loucura. Elas também atuam como servas de Perséfone. Uma delas é Orphne, esposa do deus-rio Aqueronte, seu filho é Ascalaphus, que cuidava dos pomares de Hades (Ovídio. Metamorfoses v, 539; Pseudo-Apolodoro. A Biblioteca i, 33).
Imagem sem origem confirmada podendo representar celebrantes dos Mistérios ou as deusas Deméter e Perséfone. Fonte: https://hellenismo.wordpress.com/2012/09/25/calendar-for-the-eleusinian-mysteries/

VIII) Raio

  • O raio é uma descarga elétrica de grande intensidade que ocorre na atmosfera, entre regiões eletricamente carregadas, e pode dar-se tanto no interior de uma nuvem (intranuvem), como entre nuvens (internuvens) ou entre uma nuvem e a terra (nuvem-solo). O raio vem sempre acompanhado do relâmpago (emissão intensa de luz), e do trovão (som estrondoso), além de outros fenômenos associados. Embora as descargas intranuvem e internuvens sejam mais frequentes, descargas nuvem-solo são de maior interesse prático para os seres humanos.
  • No panteão grego, Zeus é o deus que domina os raios. Ele é rei dos deuses e o deus do céu, clima, nuvens, lei e ordem, destino e e realeza. Ele foi retratado como um homem majestoso e maduro, com uma figura robusta e barba escura. Seus atributos habituais eram um raio, um cetro real e uma águia. O raio seria um presente dos Ciclopes ou um presente de Hefesto.
    • Ninfas das nuvens – Plêiades (chuva), Nephelai ou Néfeles (nuvens de chuva), Aurai (brisas frescas) e Boréades (ventos).
    • Perceba que os raios interagem tanto com o fogo já que são a causa de muitos incêndios desde a pré-história até os dias atuais, mas também possui relação com o ar e a água que formam as nuvens.
Jupiter de Smyrna. Artista: Pierre Granier (1635–1715).

IX) Holocausto

  • O termo holocausto (em grego: ὁλόκαυστος, holókaustos: ὅλος, “todo” e καυστον, “queimado”) tem foco no contexto religioso da queima de oferendas para diferentes divindades na Grécia Antiga.
  • Os gregos antigos sacrificavam diferentes elementos além de animais como frutas, vegetais, grãos, flores, queijo, bolos e pães, e diferentes tipos de libações, como vinho, água, leite, óleo, mel e sangue. O sacrifício de animais seria, via de regra, acompanhado de oferendas não sangrentas e de libações. O animal escolhido para ser queimado poderia ter relação com o mito da divindade ou ser tradicionalmente ligado a divindade.
  • O animal sacrificado poderia ser inteiramente queimado ou ter uma porção queimada e outra porção compartilhada em um banquete para os participantes da cerimônia, dependendo da situação e do deus honrado.
  • Como já foi dito, toda oferenda era feita com primeira oferta a Héstia.
  • Perceba que o holocausto tem uma forte ligação com o fogo, mas também pelo ar que é o veículo que leva a oferenda aos deuses.

Fogo: Elemento fundamental

  • Os primeiros filósofos, que ficaram conhecidos como filósofos pré-socráticos. Esses pensadores, buscavam explicar a natureza (physis) através da razão (logos), isto é, sem recorrer aos seres sobrenaturais, como deuses, titãs ou monstros mitológicos. Sua grande tarefa era encontrar, na natureza, o elemento primordial (arché), que teria dado origem a tudo que existe.
  • Heráclito de Éfeso (Ἡράκλειτος ὁ Ἐφέσιος, Éfeso, cerca de 500-450 AEC) foi um filósofo pré-socrático considerado o “Pai da dialética”. Na vulgata filosófica, Heráclito é o pensador do “tudo flui” (em grego, πάντα ῥεῖ;  translisterado:  panta rei, sintetizando a ideia de um mundo em movimento perpétuo, em oposição ao paradigma de Parmênides) e do fogo, que seria o elemento do qual deriva tudo o que nos circunda.
Heráclito de Éfeso.
  • A partir de seus pressupostos – panta rei e a guerra entre os contrários -, Heráclito definiu uma arché, um princípio que está em todas as coisas desde a sua origem: o fogo.
  • Para ele, “todas as coisas são uma troca do fogo, e o fogo, uma troca de todas as coisas, assim como o ouro é uma troca de todas as mercadorias e todas as mercadorias são uma troca do ouro”; ou seja, todas as coisas transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as coisas.
  • Segundo Heráclito, o fogo é, pois, o elemento primordial de todas as coisas. Tudo se origina por rarefação e tudo flui como um rio. O cosmos é um só e nasce do fogo e, de novo, é pelo fogo consumido, em períodos determinados, em ciclos que se repetem pela eternidade.
  • Para Heráclito, o fogo, quando condensado, se umidifica e, com mais consistência, torna-se água; e esta, solidificando-se, transforma-se em terra; e, a partir daí, nascem todas as coisas do mundo. Este é o caminho que Heráclito define como sendo “para baixo”.
  • Derretendo-se a terra, obtém-se água. Água transforma-se em vapor, tal como vemos na evaporação do mar. E, rarefazendo-se, o vapor transforma-se novamente em fogo. E este é o caminho “para cima”.

Bruxaria e o fogo

  • Existem alguns símbolos clássicos do fogo na bruxaria que podem ser usados em rituais ou em feitiços como: a vela, o caldeirão, o fogão, fogueiras, cristais e ervas solares.
  • A queima de pedidos pode ter o intuito de enviar aos deuses uma mensagem ou a intenção de destruir ou banir algo que não queira mais na sua vida.
  • Na ritualística normalmente a vela atua como um portal de conexão entre o devoto e espíritos, também podendo ter o papel do envio de energias. Você pode representar o círculo mágico fisicamente com um círculo de velas delimitando a área do ritual.
  • O fogo também é trabalhado na abertura de círculos mágicos, na culinária mágica e no herbalismo com o trabalho com ervas regidas pelo fogo ou pelo sol.
  • No tarot, você pode trabalhar com a energia do fogo através do naipe de paus e também arcanos ligados ao espiritual (Sacerdotisa, Sumo Sacerdote), transformação (Morte e Torre) e sucesso (Carro, Sol, Diabo, Mundo).
Círculo mágico feito de velas.

Perséfone e o fogo

  • A deusa Perséfone é regente de processos cíclicos. As mudanças e transformações estão sob domínio dessa deusa. Para algo ser criado e mudar, algo também precisou ser destruído e deixado no passado. Assim como o fogo é transmutador, Perséfone é uma deusa das iniciações e dos términos.
  • Perceba que Perséfone também tem regência nos outros elementos por meio de outras faces e epítetos. O mesmo vale para outras divindades. O devoto que se aprofunda nos mistérios da divindade consegue ver nuances e complexidades que tornam muito rica as práticas de conexão.
  • Você pode trabalhar com Perséfone e o fogo com os epítetos:
    • Dadoukhos ou Daduchus (grego Δᾳδοῦχος, Δαδουχος. Δᾳδοῦχος é um substantivo sg. Masc, portadora da tocha);
    • Eleusinia (grego Ἐλευσίνια, ΕΛΕΥΣΙΝΙΑ; fem. de Ἐλευσίνιος.) Entrada do léxico: Ἐλευσίνια é fem. de: Ἐλευσίνιος, α, ον, de Elêusis; epíteto. de Zeus na Jônia; de Artemis na Sicília e Antioquia; mas principalmente de Deméter; Ἐλευσείνιαι Demeter e Koré: daí, II. Ἐλευσίνιον, τό, seu templo em Elêusis. III. Ἐλευσίνια, τά, seus festivais. (L&S p. 532, coluna da direita, editado para simplificar.)
    • Euphenges (grego εὐφεγγής, ΕΥΦΕΓΓΗΣ, brilhante).  Hino Órfico 29.11.
    • Lucífera (portadora da luz);
    • Pyr Diós (grego Πῦρ Διός, ΠΥΡ ΔΙΟΣ,  fogo de Zeus).
    • Pyrphóros ou Pyrphorus (grego πυρφόρος, ΠΥΡΦΟΡΟΣ, portadora do fogo). Perséfone é o fogo de Zeus que transforma a alma;
    • Thesmophoros (a que traz a luz). Hino Homérico 2 a Deméter, 2 e 77; Epinício 5 de Baquílides, 59;
Perséfone como deusa do fogo.

Referências

  1. Rosa, E. B. et al. Hinos homéricos: tradução, notas e estudo. São Paulo: Editora UNESP, 2010.
  2. Hephaistos. Disponível em <https://www.theoi.com/Olympios/Hephaistos.html> Acessado em 11/06/2023.
  3. Lampades. Disponível em <https://www.theoi.com/Khthonios/Lampades.html> Acessado em 11/06/2023.
  4. Lampad. Disponível em <https://en.wikipedia.org/wiki/Lampad> Acessado em 11/06/2023.
  5. Lampades. Disponível em <https://pantheon.org/articles/l/lampades.html> Acessado em 11/06/2023.
  6. Glossary of the Eleusian Mysteries (Hellenic Gods) – Glossary of the Eleusian Mysteries. Disponível em <https://www.hellenicgods.org/glossary-of-the-eleusinian-mysteries> Acessado em 11/06/2023.
  7. Significance of Greek Mythology Fire. Disponível em <https://www.theoi.com/articles/significance-of-greek-mythology-fire/> Acessado em 11/06/2023.

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