Bestiário

Abelha

Introdução

  • As abelhas pertencem ao filo Arthropoda, classe Insecta e ordem Hymenoptera junto das formigas e vespas. Dentro dessa ordem, elas estão na superfamília Apoidea (grupo Apiformes);
  • Acredita-se que as abelhas sejam um grupo que se originou a partir do grupo das vespas ao longo de milhões de anos de evolução, alterando a sua alimentação de insetos e ácaros para néctar e pólen de flores. Existem apenas três espécies que se alimentam de carne como as vespas.
  • A espécie de abelha mais conhecida é a Apis mellifera (abelha melífera, europeia, do mel ou africanizada), famosa pelo ferrão e picada dolorida, sendo uma das maiores produtoras de mel no Brasil.
  • As operárias da abelha melífera (Apis mellifera) vivem em média 45 dias, mas podem chegar até cinco meses de vida em climas muito frios. Os machos são expulsos da colônia por volta de 10 dias de vida e vivem cerca de três semanas no ambiente, mas, caso encontrem uma rainha, morrem logo após a cópula. Já as rainhas podem viver de dois a quatro anos, o que geralmente depende de seu desempenho na postura de ovos.
  • Existem cerca de 20 mil espécies de abelhas no mundo e no Brasil já foram descritas 1678 espécies, mas estima-se que existam mais de 2500 espécies, sendo o país que possui com uma das maiores de abelhas no mundo.

Anatomia das abelhas

  • Dentro das cinco famílias de abelhas existentes no Brasil, há muitos gêneros e espécies das mais diversificadas formas, cores e tamanhos. O que torna difícil descrever uma anatomia comum entre todas as espécie, porém uma vez que a Apis mellifera é a espécie de abelha mais estudada, sua anatomia e estruturas externas são usadas como referência para conhecer os aspectos gerais de uma abelha.
  • O corpo de uma abelha é dividido em três partes: cabeça, tórax e abdômen.
  • Uma estrutura importante numa abelha, por exemplo, é a que está relacionada ao transporte de pólen, a escopa ou corbícula. Essa estrutura está presente somente nas fêmeas das abelhas, mas com exceções, como as rainhas das abelhas sem ferrão e das abelhas melíferas, que não as possuem, já que elas não saem para coletar alimento. O mesmo vale para os machos de todas as cinco famílias, uma vez que eles não trabalham, apenas possuem função reprodutora.
  • O ferrão é um ponto comum entre as fêmeas, mas os machos não possuem essa arma, pois o ferrão é o ovipositor, órgão responsável pela postura de ovos, que sofreu modificações.
  • Na cabeça estão os cinco olhos (dois compostos e três simples denominados ocelos) e as antenas, onde estão os sensores de três sentidos: audição, olfato e tato, fundamentais na identificação dos cheiros das flores e na escuridão da colônia. Ainda na cabeça, no caso das abelhas melíferas, estão localizadas duas glândulas responsáveis por dissolver a cera e produzir a geleia real, que alimentará a rainha e as larvas criadas nas células reais ou realeiras.
  • No tórax estão os órgãos de locomoção. As pernas dianteiras têm pêlos microscópicos que agem como escovas para limpar as antenas, os olhos, a língua e a mandíbula. O segundo par de pernas conta com um esporão, cuja função é a limpeza das asas e a retirada do pólen acumulado nas corbículas, que estão nas pernas posteriores. As asas são formadas por duas membranas superpostas. O par de trás é menor e têm ganchinhos para prender as duas asas formando uma só durante o voo. 
  • No abdômen da Apis mellifera, que foi a espécie melhor estudada quanto à anatomia interna, está localizada a vesícula melífera ou papo (que transporta o néctar coletado das flores e onde se inicia o processo de produção do mel) e as glândulas cerígenas (que produzem a cera), além do estômago, intestino e traquéias e espiráculos (órgãos de respiração). Nessa parte do corpo também estão localizados os órgãos reprodutores. Na extremidade do abdômen das fêmeas se encontra o ferrão. Os machos não possuem essa arma.

Abelhas sem ferrão

  • Outro grupo importante no Brasil são as abelhas nativas sem ferrão, que não picam. Algumas delas, inclusive, fazem méis saborosos. São conhecidas também como abelhas indígenas ou meliponíneos, pois pertencem à tribo Meliponini.
  • Em comum, a Apis mellifera e as abelhas sem ferrão têm o fato de viverem em sociedade, construindo colônias em que podem viver dezenas de milhares de abelhas. Existem ainda as que preferem levar uma vida solitária. 

Abelhas abutres

  • As abelhas que se alimentam de carne também são chamadas de abelhas carniceiras ou abelhas abutres.
  • O ato de comer carne de cadáveres se chama necrofagia. Existem dois tipos de necrofagia:
    • Obrigatória – Quando o animal que se alimenta apenas de cadáveres;
    • Facultativa – Quando o animal tem outras fontes de alimento além dos cadáveres.
  • Apenas três espécies de abelhas em todo o mundo se desenvolveram de maneira a obter sua proteína exclusivamente a partir de carcaças — e elas vivem apenas em florestas tropicais e não possuem ferrão. São elas:
    • Trigona hypogea (Silvestri 1902);
    • Trigona necrophaga (Camargo e Roubik 1991);
    • Trigona crassipes (Fabricius 1793). 
  • Também existem outras espécies de abelhas que são necrófagas facultativas.
  • As abelhas abutres, assim como as larvas, geralmente entram na carcaça pelos olhos. A abelha abutre saliva na carne podre e depois a consome, armazenando a carne em seu papo. Quando retorna à colônia, essa carne é regurgitada em um pote de cera e misturada com mel, sendo processada por uma abelha operária por cerca de 14 dias, que então secreta novamente as proteínas resultantes como um produto comestível de glicose e aminoácidos livres, resistente à decomposição, semelhante ao mel.
  • As secreções substituem o papel do pólen na dieta das abelhas, pois os abutres carecem de adaptações para carregar o pólen e os estoques de pólen estão ausentes de seus ninhos, embora também armazenem mel, que é de origem desconhecida. As larvas são alimentadas com a substância à base de carniça, enquanto as abelhas adultas consomem o mel.

Modos de vida das abelhas

  • As espécies de abelhas variam em tamanho, forma, coloração, hábitos de nidificação e modos de vida. Quanto ao modo de vida, de maneira geral, as espécies de abelhas podem ser divididas em três categorias: social, solitária e parasita.
  • Das mais de 20 mil espécies de abelhas conhecidas no mundo, aproximadamente 77% são solitárias, 9,5% são sociais, 13% são parasitas de ninhada e 0,5% são parasitas sociais.

I) Abelhas sociais

  • A maioria das abelhas vivem em sociedade, como as mamangavas-de-chão, a abelha melífera e as abelhas sem ferrão, ou seja, vivem em grupos de indivíduos ou colônias em que todos se beneficiam.
  • No caso das abelhas sociais, cada colmeia possui uma rainha, zangões e operárias.
    • Rainha – A única fêmea fértil da colméia e vive por cerca de 4 a 9 anos, responsável pela postura de ovos para produção de zangões e operárias. Uma rainha pode colocar cerca de 2 a 3 mil ovos por dia. A rainha se alimenta de geléia real, produzida por uma secreção de abelhas jovens, enquanto as demais abelhas se alimentam de pólen e mel. Ela faz um voo nupcial assim que se torna madura e acumula todos os espermatozoides dentro de um órgão chamado de espermateca. Cada vez que ela bota um ovo, libera alguns espermatozoides para fecundá-lo – ou não libera, caso queira que a cria seja macho. Além disso, ela é responsável pela liberação de feromônios que regulam o bom funcionamento da sociedade.
    • Zangões – Machos de curto período de vida gerados por partenogênese (óvulos não fecundados) e possuem função apenas de reprodução para geração de operárias. Existem cerca de 400 mil zangões por colméia. Ele morre após a cópula por ter o abdômen preso ao corpo da rainha ou por ser abandonado pelas operárias e ficarem sem alimento.
    • Operárias – Todas as operárias são filhas da abelha rainha e desempenham diferentes funções na colônia de acordo com a idade. Elas são fêmeas estéreis (sistema reprodutor atrofiado) que vivem cerca de um mês. Quando jovens, as operárias realizam trabalhos internos, como a limpeza das células de cria (operárias faxineiras), alimentação da cria (operárias nutrizes) e a construção de células de cria (operárias construtoras). Quando mais velhas, realizam trabalhos externos, como a defesa da colônia (operárias guardas) e a coleta de recursos, como pólen, néctar, resina e água (operárias campeiras ou forrageiras). Durante a coleta de recursos nas flores, as campeiras podem realizar a polinização. 
  • Em uma colônia de Apis mellifera, por exemplo, são encontradas uma rainha, de 2 mil a 80 mil operárias e de 0 a 400 machos, dependendo da época do ano. A rainha vive, em média, dois anos e as operárias aproximadamente 45 dias. Os machos morrem assim que acasalam com a rainha virgem. Os machos que não acasalam vivem, em média, 80 dias e não trabalham.
  • Geralmente, as colônias são construídas em cavidades preexistentes, como ocos de árvores, ninhos abandonados de formigas, pequenos mamíferos e cupinzeiros no solo, ou suspensos nos galhos de árvores, dependendo da espécie de abelha.

II) Abelhas solitárias

  • Além das espécies sociais, existem as espécies de abelhas solitárias. Neste caso, uma única fêmea é responsável por todas as atividades do ninho, desde a sua fundação, construção de células de cria, coleta de recursos florais como pólen, néctar e óleos, defesa do ninho e postura de ovos.
  • Geralmente, depois de um a dois meses, ela morre e não tem contato com as suas crias. As novas abelhas emergem como adultas e estão prontas para a reprodução, continuando o ciclo.
  • As abelhas solitárias usam diferentes locais para construírem seus ninhos. A maioria escava seus ninhos no solo, algumas constroem seus ninhos em cavidades preexistentes, como em células abandonadas de vespas e abelhas, em orifícios na madeira e em troncos de árvores.
  • Para a construção dos ninhos, utilizam areia, barro, folhas, pétalas de flores, óleos florais e resinas como materiais de construção.
  • Entre o modo de vida social e solitário, existem outros níveis de organização, como comunal, subsocial e semissocial. A classificação se dá considerando a existência de sobreposição entre gerações, divisão de trabalho reprodutivo, cooperação entre as fêmeas do grupo e presença de uma fêmea dominante.

III) Abelhas parasitas

  • O terceiro modo de vida é formado pelas espécies de abelhas parasitas, que podem ser divididas em dois grupos: as parasitas de ninhada e as parasitas sociais.
  • No parasitismo de ninhada as abelhas fêmeas não constroem ninhos e nem coletam pólen e néctar nas flores para alimentação das larvas. Em vez disso, elas invadem ninhos de outras abelhas solitárias e colocam seus ovos nas células de cria das hospedeiras.
  • As abelhas parasitas sociais atacam somente colônias, ou seja, ninhos de espécies de abelhas sociais. Ao invadir uma colônia, a fêmea parasita social substitui a rainha dominante e passa a colocar ovos em seu lugar, utilizando-se do trabalho das operárias da colônia invadida para o cuidado com a sua cria.

Reprodução das abelhas

  • Na Apis mellifera, aproximadamente cinco dias depois de nascer, a princesa (ou rainha virgem) faz seu voo nupcial, no qual copula com diversos zangões. Depois disso, volta para a colônia e pode voar mais algumas vezes, embora não seja comum.
  • Já nas abelhas sem ferrão, a princesa realiza apenas um voo nupcial, se acasala com apenas um macho e, depois que retorna para a colônia, nunca mais a deixa. Por sua vez, o macho que teve a sorte de copular com a princesa cumpriu sua missão na terra: ele cai morto logo após o ato, pois seu órgão genital é rompido (fica preso no abdômen da fêmea).
  • Os espermatozoides introduzidos nas rainhas, no caso das abelhas sociais e nas fêmeas das abelhas solitárias, ficam armazenados pelo resto da sua vida reprodutiva num órgão chamado espermateca, que funciona como um banco de sêmen. 
  • Quando a rainha vai gerar uma cria (processo chamado de postura), o óvulo primeiro desce por um canal (oviduto). Se a rainha fertilizar o óvulo com um espermatozoide da espermateca, ela gera uma fêmea diploide ― com duas cópias de cada gene (o materno e paterno) em suas células.
  • Quando querem produzir machos, as abelhas fecham um canal da espermateca para impedir que os ovos sejam fertilizados. O resultado são machos haploides ― com apenas uma cópia do gene materno. Esse processo de gerar um indivíduo a partir de um óvulo não fecundado se chama partenogênese e acontece também com vespas e formigas. Com isso, os machos das abelhas nascem sem pai.
  • A ciência ainda não tem muita certeza por que o sistema reprodutivo desses insetos evoluiu assim. Uma hipótese é que favoreça as fêmeas incapazes de encontrar machos na natureza. Assim, elas conseguem gerar machos com os quais possam copular mais tarde.

A dança das abelhas

  • A dança das abelhas é um complexo sistema de comunicação através de movimentos corporais que atuam para localizar comida e comunicar essa informação a seus companheiros.
  • A dança em si  é baseada em dois princípios: angulação e duração. A angulação indica a direção do alimento em relação ao sol, e a duração da dança indica a distância.
  • Esse sistema de dança foi descoberto pelo etologista austríaco Karl Von Frisch, renomado pesquisador desses insetos que começou a trabalhar na década de 1930. No entanto, após a ascensão do partido nazista ao poder na Alemanha, ele foi removido de suas responsabilidades por ter ascendência judaica. Em 1973 ganhou o Prêmio Nobel de Medicina Fisiológica junto de outros dois pesquisadores com a pesquisa da dança das abelhas.
  • Em termos gerais, existem dois tipos de dança das abelhas:
    • Dança em círculo – Quando uma fonte de alimento está a 50 m da operária, ela executa uma dança em círculo. Sua duração indica a distância até a fonte do alimento, mas sem especificar a direção.
    • Dança do requebrado – Ocorre quando a abelha encontra a fonte de alimento a mais de 150 metros de distância. A operária que a realiza voa em linha reta, retorna em semicírculo ao ponto de partida e, a seguir, realiza um movimento oposto e simétrico. Enquanto faz o movimento central, o corpo da abelha “requebra” de um lado para o outro. Ao mesmo tempo, emite um som de baixa frequência. A distância do momento do requebrado é o indicativo aproximado da distância das flores.
  • A representação da distância a que as flores estão é bastante simples. No entanto, entender como as abelhas comunicam a direção do alimento é um pouco mais complexo.
  • As abelhas usam o favo de mel como mapa, para representar os arredores da colmeia. O ângulo que a abelha toma em relação à vertical do favo é a chave. Se a abelha quiser indicar que as flores estão na direção do sol, ela fará a parte do requebrado em direção ao teto do favo e vice-versa.
  • Se a direção for um ângulo específico, digamos 60° a oeste do Sol, a abelha fará esse ângulo em relação à vertical. Assim, esses insetos alados são informados sobre a direção de suas fontes de alimento com uma dança relativamente complexa.
  • As abelhas se comunicam principalmente por meio de interações químicas, graças à produção de feromônios, substâncias secretadas por diversas glândulas que são percebidas pelos receptores olfativos presentes nas antenas.
  • Os feromônios são o principal meio de estimulação e coordenação de quase todas as atividades das abelhas. O corpo das abelhas também é coberto por esses compostos químicos, chamados de hidrocarbonetos cuticulares, que funcionam como um crachá de identificação. Eles indicam à qual colônia a abelha pertence, o sexo e a casta a qual pertence (qual é a tarefa que realiza na colônia).
  • Nas abelhas melíferas, os feromônios produzidos pela rainha, por exemplo, inibem a construção de realeiras (células especiais para o desenvolvimento das futuras rainhas) pelas operárias, também desencorajam o crescimento dos ovários das operárias e também atraem as abelhas da colônia para perto da rainha e, particularmente, as nutrizes, que alimentam a rainha com geleia real. Caso uma rainha desapareça da colmeia, as operárias rapidamente notam a ausência de seu “cheiro”. Os feromônios produzidos pelas princesas (rainhas virgens) atraem zangões nos voos nupciais.
  • Compostos químicos também são expelidos durante uma ferroada. Quando o ferrão é deixado no inimigo, um sinal químico é liberado como um alerta convocando as demais abelhas nas proximidades para se engajarem na defesa da colônia.  

Produção de mel caseiro

  • Diversas espécies de abelhas sem ferrão podem ser criadas e manejadas em caixas racionais para obter seus produtos ou seus serviços de polinização.
  • É válido lembrar que para a criação de abelhas sem ferrão para fins comerciais, científicos ou de lazer, bem como a implantação de meliponários, lugar onde são mantidas as colônias de abelhas sem ferrão, o meliponicultor deve seguir as normas presentes na regulamentação da atividade em seu Estado, caso este possua uma, para obter a autorização de uso e manejo. 
  • Os Estados que atualmente possuem regulamentação própria são Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. Os Estados que ainda não possuem regulamentação própria estão subordinados às regras da Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020
  • É importante destacar que os criadores que possuem mais de 49 colônias precisam realizar o Cadastro Técnico Federal (CTF) no site do IBAMA, na categoria 20-81, após a obtenção de autorização de uso e manejo do órgão ambiental competente, segundo a Resolução CONAMA.
  • As melhores espécies de abelhas sem ferrão para criar são as que ocorrem naturalmente no local onde se deseja instalar o meliponário. A razão central disso é que elas estão adaptadas às condições ambientais regionais de onde são nativas, o que facilita sua busca por alimento e reduz de modo considerável a necessidade de cuidados especiais por parte do meliponicultor. Ademais, dificilmente sofrem os efeitos negativos de endocruzamentos (acasalamento de indivíduos que são geneticamente próximos). 
  • O transporte de abelhas para fora de sua área de ocorrência natural também pode levar à competição entre espécies por recursos alimentares e locais para a construção dos ninhos, além do intercâmbio de parasitas e patógenos.
  • De acordo com a Resolução CONAMA nº 496, de 19 de agosto de 2020, é permitida a obtenção de colônias mediante:
    • Captura de enxames na natureza por meio da instalação de recipiente isca (ou ninho armadilha),
    • Aquisição a partir de meliponário devidamente autorizado,
    • Depósito pelo órgão ambiental competente ou
    • Resgate de colônias em áreas de supressão vegetal ou em situação de risco alojadas em cavidades naturais ou artificiais.
  • Segundo a Resolução CONAMA, essas quatro formas de obtenção de colônias devem ser autorizadas pelo órgão ambiental competente, com exceção de captura na natureza por meio da instalação de recipientes isca para a aquisição e manutenção de criatórios de produtores com até 49 colônias sem fins comerciais. 
  • A Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), disponibiliza em seu site fichas catalográficas de 60 espécies de abelhas sem ferrão relevantes para a meliponicultura brasileira, selecionadas a partir da lista do Catálogo Nacional de Abelhas-Nativas-Sem-Ferrão, publicado pelo ICMBio por meio da Portaria nº 665, de 3 de novembro de 2021.
  • Além dos nomes popular e científico, as fichas apresentam informações sobre a biologia e comportamento geral das espécies e uma foto da entrada dos ninhos. Traz ainda imagens de espécimes depositados na Coleção Entomológica “Prof. J.M.F. Camargo” (RPSP), da FFCLRP/USP, e de espécimes vivos fotografados pelo biólogo Dr. Cristiano Menezes, da Embrapa Meio Ambiente, preservando a coloração natural das abelhas.

A extinção das abelhas

  • Está sendo observada uma grande diminuição no número de abelhas no mundo. Isso gera um prejuízo importante nos ecossistemas naturais e na ecomonia como um todo devido ao papel fundamental das abelhas na polinização, atuando na dispersão de cerca de 73% das espécies de plantas no mundo.
  • Existem diferentes razões que podem estar causando essa diminuição:
    • Desmatamento e ocupação humana faz com que as abelhas percam seu habitat.
    • Manejo intensivo de colmeias artificiais de maneira inadequada para atender diferentes locais com baixa de abelhas, diminui a eficiência das abelhas devido ao estresse.
    • Aumento de doenças e predadores de abelhas.
    • Uso excessivo de agrotóxicos faz com que as abelhas se contaminem com as substâncias tóxicas e aumenta a mortalidade de larvas na colméia.

A abelha no Egito

  • O símbolo mais antigo de abelha vem do Egito, com a palavra bjt. Quando os reinos do Alto e do Baixo Egito foram unidos sob um único governante, por volta de 3500 AEC, a abelha representava o rei do Baixo Egito e o governante do Alto Egito era representado por um junco. O Faraó detinha muitos símbolos, um deles era o de Rei Abelha (He of the bee).
  • A partir do Novo Reino (cerca de 1600 AEC), as menções ao mel e as representações dele foram sendo feitas com mais frequência. O principal centro da apicultura ficava no Baixo Egito. As abelhas precisam de água para sobreviver e produzir mel, com isso, as paisagens ricas e exuberantes do longo do Rio Nilo favoreciam elas.
  • O mito dizia que as abelhas eram as lágrimas de Rá que caíram na terra. O deus que se acreditava governar todas as partes do mundo: terra, céu e submundo. Deus do Sol, ele era considerado o governante da ordem e de todas as coisas reais. A partir de Rá que teria vindo também mel e a cera.
  • Documentos afirmam que o deus Amon tinha uma ordem de sacerdotes chamados bity, que provavelmente eram os apicultores que forneciam mel para os rituais do templo.
  • O Templo de Neith em Sais (nome grego para a cidade egípcia de Sa) também era conhecido como “A Casa da Abelha”. Heródoto descreveu Sais como um complexo de templos com conexões para uma ótima faculdade de medicina. Acredita-se que a escola permaneceu operante entre 3000 AEC e 525 AEC.
  • Outros dizem que no Templo de Neith funcionava uma faculdade de ginecologia e obstetrícia com alunas e era comandada por uma mulher. Suspeita-se, mas não está provado, que a médica possa ter sido Peseshet, cujo nome foi encontrado durante escavações de uma tumba em Gizé. Nascida por volta de 2.500 AEC, seu título era “Senhora Supervisora ​​​​de Médicas Femininas”, indicando que ela supervisionou um contingente maior de médicas e também pode ter sido médica, no entanto,
    essa parte é incerta. Peseshet pode ser a primeira mulher da história a ter um status profissional elevado. Ela é descrita como a “Associada do Rei” e também mais solenemente como “superintendente dos sacerdotes funerários da mãe do rei”. Acredita-se que ela tenha formado mais de 100 parteiras, mas isso é difícil de provar, já que a antiga língua egípcia parece não ter uma palavra específica para parteira.
  • Existem muitos hieróglifos e registros da abelha e da apicultura. O mel era usado para cozinhar, curar doenças e feridas, pagar impostos e também era cobrado como uma comitiva a ser paga pelas tribos vencidas aos seus conquistadores.
  • O mel era usado em rituais e na culinária. Eram usados como alimento para animais sagrados, como leão, touro e crocodilo.
  • Jarras de mel eram deixadas como oferendas aos mortos como alimentos na vida após a morte. O processo da mumificação também poderia ocorrer embalsamando as múmias com mel e os sarcófagos eram fechados com cera de abelha.
  • No ritual mortuário da Abertura da Boca, os sacerdotes colocavam mel na boca da estátua do Faraó.
    As abelhas e as oferendas rituais de mel tinham conexões relevantes com a ressurreição da alma.
  • O mel também tinha relação com promessas de amor. Foi encontrado um voto matrimonial incluindo o mel: “Eu te tomo por esposa… e prometo entregar-te anualmente 12 potes de mel.”
  • É provável que a apicultura tenha surgido no Egito, uma vez que as representações mais antigas são encontradas em templos e tumbas do Império Antigo. As esculturas mostram apicultores soprando fumaça nas colmeias para acalmar as abelhas enquanto removem os favos de me. O templo onde são encontrados, Shesepibre (o Delícia de Ré), data de cerca de 2.450 AEC.
  • Em 1898, o arqueólogo Ludwig Borchardt descobriu o friso numa sala adjacente ao obelisco central, que chamou de “A Câmara das Estações”. É a representação mais antiga da apicultura na história,
    mostrando-a na sua forma já avançada. Cada seção do baixo-relevo detalha as atividades apícolas que ocorrem em épocas específicas do ano.
  • No Livro de Am-Tuat, a voz da alma é comparada ao zumbido das abelhas. O livro descreve a jornada que a alma do Faraó morto faz ao submundo. De hora em hora ele é testado para um nome secreto diferente que ele deve saber, para poder passar por outro portão. Lá, ele encontra as almas dos deuses mortos, que dormem em uma caverna, unidas por uma longa passagem que vai de leste a oeste. Agora fundido com Osíris, o Faraó os desperta para ficarem de quatro, para cavalgarem com ele, em seu barco em direção à luz, suas vozes comunitárias como “um enxame de abelhas”.
  • O santuário onde Osíris era adorado como Deus do Submundo era Hwt bjt, a Mansão da Abelha. Um epíteto pelo qual Osíris era conhecido era Osíris-Apis. Nessa forma, ele assumiu a forma de um touro. Apis era uma divindade da fertilidade e deus do poder primordial, que posteriormente se tornou associado ao deus criador, Ptah. Em algum momento, ele também deve ter desenvolvido uma associação com o touro Deusa do Céu, da Fertilidade e das Mulheres, Hathor. Ele absorveu suas qualidades de bondade e generosidade, e então se fundiu ainda mais com o deus do submundo, Osíris.
  • De acordo com Arriano de Nicodemos, Apis foi um dos deuses egípcios aos quais Alexandre, o Grande, ofereceu sacrifícios quando conquistou o antigo Egito dos persas. Foi nomeado Aser-hapi (ou seja, Osíris-Apis), que então se tornou Scrapis, e mais tarde foi dito que representava Osíris em sua plenitude, em vez de do que apenas seu Ka – seu espírito.

Abelha sagrada

  • Em uma das versões do mito de Zeus, ele teria sido escondido por sua mãe Réia em uma caverna para protegê-lo da ira de Cronos. Nessa caverna, ele teria sido alimentado por abelhas até a idade adulta e destronou seu pai. Zeus recebeu o epíteto de Melissaios devido a sua relação com elas. As abelhas seriam douradas e resistentes ao frio como recompensa de Zeus.
  • Dionísio também teria sido criado em uma caverna alimentado por mel. Antes do vinho, eram ofertados a ele hidromel. Ele também é o deus padroeiro da apicultura.
  • As abelhas também eram chamadas de “aves das Musas”.
  • O semideus ou daimon Melisseus regia o mel e a arte da apicultura.
  • As Thriae (do grego antigo Θριαί, romanizado:  Thriaí) eram três irmãs naiades virginais, uma de várias dessas tríades na mitologia grega. Elas foram nomeadas de Melaina (“A escura”), Kleodora (“Famosa por seu dom”) e Daphnis (“Louro”) ou Corycia. As ninfas tinham cabeça e torso de mulher e parte inferior do corpo e asas de abelha.

Abelhas do submundo

  • As abelhas eram associadas às almas dos mortos. Suas colméias naturais são localizadas em fendas em paredes rochosas ou cavernas, que eram consideradas entradas para o submundo.
  • As abelhas também faziam colmeias em crânios de animais mortos como touros e leões.
  • Muitos filósofos gregos acreditavam que as abelhas eram a alma de humanos que ainda não teriam nascido. As ninfas também eram chamadas de abelhas, porque se acreditava que eram almas reencarnadas.
  • O mel era uma oferenda que era considerada agradável aos deuses ctônicos, sendo feita a libação de água e mel sobre a terra.
  • Existem mitos que dizem que Cérbero poderia ser distraído com bolos de mel.
  • A Grande Mãe minóica possuía o epíteto Melissa, sendo referenciada como a Abelha Rainha.
  • Um dos epítetos de Perséfone é Melitôdês, “doce como o mel” e suas devotas são chamadas de melissa (em grego clássico: Μέλισσα; romaniz.: Mélissa), “abelhas”. Além disso, as abelhas se relacionam a Perséfone por serem polinizadoras, auxiliando na dispersão de muitas espécies de flores e ervas.
  • O mel, segundo um mito grego, foi descoberto por uma ninfa chamada Melissa (“Abelha”); e o mel era oferecido aos deuses gregos desde os tempos micênicos. As abelhas também eram associadas ao oráculo de Delfos e a profetisa às vezes era chamada de abelha.

Desceu, pois, Sansão com seu pai e com sua mãe a Timnate, e, chegando às vinhas de Timnate, eis que um filho de leão, bramando, lhe saiu ao encontro. Então o espírito do Senhor se apossou dele tão possantemente que o fendeu de alto a baixo, como quem fende um cabrito, sem ter nada na sua mão; porém nem a seu pai nem a sua mãe deu a saber o que tinha feito. E desceu, e falou àquela mulher, e agradou aos olhos de Sansão. E depois de alguns dias voltou ele para a tomar; e, apartando-se do caminho a ver o corpo do leão morto, eis que no corpo do leão havia um enxame de abelhas com mel. E tomou-o nas suas mãos, e foi-se andando e comendo ele; e foi-se a seu pai e a sua mãe, e deu-lhes dele, e comeram, porém não lhes deu a saber que tomara o mel do corpo do leão.

Bíblia Cristã – Livro Juízes 14: 5-9.

Dia da Abelha

  • O Dia Mundial das Abelhas foi estabelecido pela ONU durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em dezembro de 2017 e é comemorado todo dia 20 de maio desde 2018.
  • O dia escolhido foi uma homenagem ao esloveno Anton Janša, nascido em 1734 e considerado o pioneiro da apicultura moderna.
  • Segundo a ONU, a “data foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas para lembrar a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável”.
  • No Brasil, o Dia Nacional da Abelha é no dia 3 de outubro.

Abelhas na bruxaria

  • No inconsciente coletivo, de maneira geral, as abelhas são símbolo de perseverança, trabalho de equipe, fertilidade, riqueza e as belezas da primavera.
  • A bruxaria o mel pode ser usado em magias de adoçamento, também pode ser usado para magnetismo pessoal e autoestima. 
  • A energia do mel pode ser empregada vestindo a vela, no corpo, como oferendas, adoçando um chá ou na culinária mágica.
  • A cera de abelha também pode ser usada para fazer velas ou bonecas mágicas.
  • Você pode criar o hábito de fazer uma pequena prece a Perséfone sempre que ver uma abelha.
  • Se você for vegetariana ou vegana, você pode trabalhar com as abelhas através da criação, oferendas com água açucarada, imagens, pinturas, meditações e orações.
  • Você pode trabalhar especificamente com as abelhas abutres para trabalhos de cura e conexão com processos de vida-morte.
  • Devido ao grande significado das abelhas você pode ter uma rotina de práticas um momento de práticas devocionais em honra das abelhas, inclusive pode ser dia 20 de maio.

Curiosidades sobre as abelhas

  • Quando as abelhas picam outro animal, elas acabam deixando o ferrão preso no animal e nesse momento parte de seu abdmônem se rompe. Com isso, a maioria das abelhas morrem poucos minutos após a ferroada.
  • Quando a colmeia está muito muito grande e precisa ser dividida, existe um estímulo de um feromônio para as operárias alimentarem as larvas com geleia real para formação de novas rainhas.
  • Elas são excelente polinizadoras. Ao entrar em contato com uma flor, ela acaba transportando entre flores o pólen. Isso é excelente para a reprodução das plantas.
  • Coletivo de abelhas é enxame. 
  • Apicultura é a prática de criação de abelhas em colméias artificiais para produção de mel, cera, própolis ou seus subprodutos normalmente para fins comerciais.
  • Cada abelha produz cerca de 5 g de mel por ano, para produzir 1 kg de mel, as abelhas precisam visitar cerca de 5 milhões de flores. Para produzir 1 g de cera, as abelhas consomem cerca de 6 a 7 g de mel.
  • Cada abelha visita dez flores por minuto e faz em média 40 voos por dia, tocando cerca de  40 mil flores e recolhendo o seu néctar.
  • As abelhas têm cinco olhos. Dois deles ficam nas laterais da cabeça e são compostos, isto é, formados por milhares de pequenas unidades individuais chamadas de omatídeos. Cada omatídeo forma um ponto da imagem, sendo assim, a imagem total formada pelos olhos compostos é a soma das imagens formadas pelos omatídeos. É com os olhos compostos que as abelhas enxergam as flores. Os outros três olhos são os ocelos, bem menores e localizados no topo da cabeça das abelhas. Os ocelos não formam imagens: cada um deles possui dois receptores de cores e captam informações sobre a coloração do ambiente. Eles auxiliam as abelhas na percepção do ambiente em relação à intensidade luminosa. Na hora de processar a imagem de uma flor, por exemplo, o cérebro usa esses dados extras para fazer ajustes e correções necessárias para interpretar as cores com precisão.

Referências

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  4. Venturieri, G. C., Raiol, V. D. F. O., & Pereira, C. A. B. (2003). Avaliação da introdução da criação racional de Melipona fasciculata (Apidae: Meliponina), entre os agricultores familiares de Bragança-PA, Brasil. Biota Neotropica3, 1-7.
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  8. Rosa, J. M., Arioli, C. J., Abatti, R., Agostinetto, L., Botton, M. Polinizadores em perigo: por que nossas abelhas estão desaparecendo? IV Simpósio de Ciência, Saúde e Território, 2017.
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  10. A.B.E.L.H.A. e ICMBio lançam fichas catalográficas de espécies relevantes para a meliponicultura. Disponível em <https://abelha.org.br/abelha-icmbio-fichas-catalograficas-das-especies-relevantes-para-a-meliponicultura/> Acessado em 12/05/2023.
  11. Comunicação das abelhas. Disponível em <https://abelha.org.br/comunicacao/> Acessado em 12/05/2023.
  12. Abelha abutre. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Abelha_abutre> Acessado em 12/05/2023.
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  14. Dia Mundial das Abelhas. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Mundial_das_Abelhas> Acessado em 12/05/2023.

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