Civilizações antigas,  História,  Morte

Ancestrais de Local

Introdução

  • Os ancestrais de local, também podendo ser chamados de ancestrais da terra, são todos os seres que passaram por um local e agora já morreram.
  • Eu não limito apenas a seres humanos, mas também plantas, outros animais e formações geológicas.
  • A energia deles pode estar relacionada a objetos físicos ainda presentes no local ou objetos que só tem marcas no mundo astral porque já foram removidos no mundo físico.
  • Os ancestrais de local podem ter relação com uma fazenda que realizava a plantação de um mesmo tipo de planta no mesmo local por anos seguidos, pode ter relação com um povo que viveu por décadas naquele local ou com fatos históricos de devastação e invasão.
  • Os ancestrais de local podem ter influência na energia no local mesmo tendo vivido no local há décadas ou séculos passados. Eles podem ter uma conexão de proteção com o local ou de sofrimento com o local.
  • Ao buscar conexões com os ancestrais de terra, saibam que respeito é fundamental, mas que nem todos estarão com relações harmoniosas com você. Imagina você é descendente de uma família portuguesa que devastou e expulsou o povo daquele ancestral? Imagina um ancestral sanguíneo seu foi responsável por contribuir pela devastação do ambiente natural daquele ancestral? Fique sempre atento para essas possíveis relações.
  • No texto de hoje, eu vou mostrar a pesquisa que estou fazendo sobre o local onde nasci e vivo no momento: bairro da Venda Velha, no município de São João de Meriti, com o objetivo de te inspirar a começar as suas pesquisas pela história do local onde nasceu, mostrando exemplos do que pode ser pesquisado.
  • Para entender o local onde nasci, precisei começar com a História do Brasil que pode ajudar nas suas pesquisas se você for moradora dessa terra e depois fazer as adaptações para a sua região e local.
  • Se você não mora no Brasil, veja através do texto de hoje que a história ampla do seu país influencia demais o local que nasceu até hoje e vai continuar influenciando. É importante termos noção do que ocorreu antes de chegarmos para valorizarmos e carregarmos de significado a história do povo que veio antes de nós.

História da Colonização do Brasil

  • Antes de chegar na história de São João de Meriti, eu precisei estudar a história da colonização do Brasil pelos portugueses e como o território foi dividido e explorado.
  • Assim, a partir de uma visão macro, consegui entender melhor as questões micro afetaram o território de São João de Meriti.

I) Tratado de Tordesilhas

  • Durante os séculos XV e XVI EC, os reinos europeus passaram por um processo denominado expansão marítimo-comercial. Portugal e Espanha destacaram-se pelos acordos que fizeram em relação à divisão das terras que ainda não tinham sido exploradas e das que porventura fossem encontradas.
  • Em 1493, o papa Alexandre VI fez um documento, denominado Inter coetera, para uma divisão de terras entre Portugal e Espanha. Esse documento determinava que uma linha imaginária seria traçada a 100 léguas de Cabo Verde para separar as terras de Portugal, a leste, das terras da Espanha, a oeste.
  • Entretanto, Portugal desaprovou essa divisão. No dia 7 de junho de 1494, foi assinado então o Tratado de Tordesilhas (na cidade de Tordesilhas, na Espanha) com a nova proposta feita pelos portugueses: a linha imaginária seria traçada a 350 léguas de Cabo Verde, separando as terras de Portugal, a leste, das terras da Espanha, a oeste, como no documento anterior. Entre as possessões de Portugal, ficou a maior parte da África e do Oriente. A Espanha obteve a maior parte das novas terras (América).
Mapa com a divisão das colônias portuguesas e espanholas a partir do Tratado de Tordesilhas e do Tratado de Saragoza.
  • Esse tratado desagradou os outros reinos europeus, que não foram contemplados. Sendo assim, países como a Holanda, a Inglaterra e a França também realizaram suas viagens marítimas nesse período, desafiando o Tratado de Tordesilhas. A França, por exemplo, organizou algumas expedições clandestinas para a América, especialmente para a costa brasileira, no século XVI.
  • Outras regiões do planeta foram disputadas entre os próprios espanhóis e portugueses; por exemplo, a Ilha das Malocas, considerada na época uma rica fonte de especiarias, que deveria ser propriedade de Portugal, segundo o tratado.
  • O próprio território brasileiro como hoje conhecemos é, em parte, resultado das invasões portuguesas às possessões espanholas. Após a colonização efetiva do território brasileiro, em 1530, os portugueses continuaram a explorar as terras do continente avançando para além da linha imaginária do Tratado de Tordesilhas.

II) Capitanias hereditárias e sesmarias

  • As capitanias hereditárias foram a primeira divisão administrativa e territorial implantada pelos portugueses durante a colonização da América Portuguesa após o Tratado de Tordesilhas. Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500 e, em 1534, o rei português Dom João III implantou o sistema de capitanias hereditárias como mecanismo de colonização.
  • O rei português decidiu dividir o território em 15 lotes, que foram distribuídos em 14 capitanias  diferentes, cuja administração ficou sob responsabilidade dos capitães-donatários. Os donatários eram comerciantes ou pessoas que pertenciam à pequena nobreza de Portugal. A responsabilidade de desenvolver a capitania era exclusiva do donatário, que recebia o direito sobre o lote de terra a partir da Carta de Doação. Os direitos e deveres que o donatário deveria cumprir foram fixadas na Carta Foral.
  • Os donatários não tinham a posse da terra, que continuava pertencendo ao rei português. Portanto, tinham apenas o direito de fixar-se e administrar a terra da melhor forma possível. Dentro de sua capitania, o donatário era a maior autoridade administrativa e jurídica e respondia apenas ao rei de Portugal.
  • Os donatários eram obrigados a investir ou atrair investimentos, criando toda infraestrutura para garantir o desenvolvimento e a segurança de sua capitania. Além disso, deveriam atrair pessoas para morar em sua capitania, distribuindo terras (sesmarias) e cobrando impostos de quem fixasse morada nelas.
  • No que diz respeito à segurança, os donatários deveriam construir fortificações a fim de impedir invasões estrangeiras, além de combater os povos indígenas que fossem hostis à presença dos portugueses.
Mapa clássico das capitanias hereditárias produzido por Luís Teixeira, em 1586.
Mapa das Capitanias Hereditárias de 1534-1536.

III) Capitania de São Vicente

  • O atual município de São João de Meriti correspondia a Capitania de São Vicente 1 que tinha como donatário Martin Afonso de Souza. Ela foi uma das mais conhecidas da história brasileira. Foi nela que a primeira vila brasileira foi fundada e é a região onde surgiram aquelas que se tornaram as maiores cidades brasileiras.
  • O povoamento dessa capitania começou antes de que o rei de Portugal ordenasse a colonização da área, provavelmente por parte de náufragos, que fundaram pequenos portos principalmente para a comercialização de escravos.
  • A colonização da Capitania de São Vicente se deu por duas razões:
    • Primeiramente, as terras brasileiras precisavam ser defendidas de ataques de outros reinos europeus, e para isso era necessário que fossem povoadas. São Vicente corria o risco de ser perdida pelos portugueses, pois ficava perto das áreas de domínio castelhano e também do Rio de Janeiro, onde os franceses se instalaram, além de zona de passagem para o Rio da Prata.
    • Em segundo lugar, a partir dela empreenderam a busca pelo ouro e pela prata, em suma, a busca pelo El Dorado; isso trouxe muitos portugueses que se aventuraram pelos sertões da capitania em busca do ouro.
  • A capitania de São Vicente foi uma das poucas capitanias em que a colonização não se deu apenas na faixa litorânea, mas também no sertão. Nela não prosperou a plantação de cana-de-açúcar como nas capitanias nordestinas. A colonização e povoamento na Capitania de São Vicente foram muito diferentes das outras capitanias brasileiras.
  • Entre as catorze capitanias, apenas duas tiveram resultados econômicos expressivos de imediato. Pernambuco prosperou por conta da produção de açúcar nos engenhos, e São Vicente prosperou em virtude da comercialização de índios como escravos.
Brasil em 1709.
  • Seu primeiro donatário foi Martim Afonso de Sousa, sendo a capitania dividida em duas partes, das quais a mais setentrional foi abandonada pelo donatário e parte dela foi refundada em 1567 como Capitania Real do Rio de Janeiro sob o comando de Salvador Correia de Sá.
  • Diversamente da capitania de Pernambuco, a capitania de São Vicente manteve sua condição em razão de relação profissional entre o fidalgo e a burocracia imperial.
  • Além da vila de São Vicente, datada de 1532, progressivamente foram fundadas outras povoações como Santos, São Paulo, Sant’Ana de Mogi, entre outras. Destaca-se em 1536 ocorreu a Guerra de Iguape, o primeiro confronto entre o império português e espanhol na America Latina.
  • O colonizador e sertanista Brás Cubas, um dos fundadores da vila de Santos, teve papel de destaque no desenvolvimento da capitania. De família nobre, filho de João Pires Cubas e Isabel Nunes, veio para o Brasil com Martim Afonso de Sousa e governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (de 1545 a 1549 e de 1555 a 1556).
  • A controvérsia entre os donatários Conde de Monsanto e Condessa de Vimieiro na década de 1620 acabou dividindo a Capitania de São Vicente em duas partes. Uma ficou com o primeiro, que incluía São Vicente (a sede), Santos e São Paulo, entre outras localidades; prevalecendo o nome. A outra porção, que corresponde principalmente ao atual Litoral Sul paulista, ficou com a condessa, que estabeleceu a sede em Itanhaém, sendo por isso mesmo conhecida como Capitania de Itanhaém.
  • Segundo uma versão, em 22 de março de 1681, o Marquês de Cascais, donatário da Capitania de São Vicente, teria transferido a capital da capitania para a Vila de São Paulo, passando a ser a “Cabeça da Capitania”. A nova capital teria sido instalada em 23 de abril de 1683, com grandes festejos públicos. O historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, com base em investigação de documentos históricos, contesta a concretização dessa transferência.
  • Como consequência do fim da Guerra dos Emboabas, em 1709 a coroa portuguesa comprou a Capitania de São Vicente do Marquês de Cascais, fundiu-a com a Capitania de Itanhaém criando então a capitania de São Paulo e Minas de Ouro.
  • Graças à ação desbravadora dos bandeirantes, tal capitania ainda abarcará um território muito maior, abrangendo grosso modo o que hoje são os estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.
Mapas do Brasil ao longo do tempo.
Bandeiras do Brasil ao longo do tempo.
Bandeira do Brasil durante o Período Imperial.
Bandeira do Brasil vigente.
Estrelas da bandeira do Brasil.

IV) Estado do Rio de Janeiro

  • A Baía de Guanabara, à margem da qual a cidade se organizou, foi descoberta pelo explorador português Gaspar de Lemos em 1 de janeiro de 1502. Embora se afirme que o nome “Rio de Janeiro” tenha sido escolhido em virtude de os portugueses acreditarem tratar-se a baía da foz de um rio, na verdade, à época, não havia qualquer distinção de nomenclatura entre rios, sacos e baías — motivo pelo qual foi o corpo d’água corretamente designado como rio.
  • Apenas em 1530 a corte portuguesa mandou uma expedição para colonizar a área, em vez de continuar usando-a simplesmente como uma parada em suas aventuras marítimas. Os franceses, por outro lado, tinham chegado no Rio de Janeiro e arredores desde o começo do século e estavam dispostos a lutar pelo domínio da região.
  • Em 1 de novembro de 1555, os franceses, capitaneados por Nicolas Durand de Villegagnon, apossaram-se da Baía da Guanabara, estabelecendo uma colônia na ilha de Sergipe (atual ilha de Villegagnon). Neste local, ergueram o Forte Coligny, enquanto consolidavam alianças com os indígenas tupinambás locais. Enquanto isso, os portugueses se aliaram a um grupo indígena rival dos tupinambás, os temiminós e foi com o auxílio destes que atacaram e destruíram a colônia francesa em 1560. Os franceses só foram completamente expulsos da região pelos portugueses em 1567.
  • Em 1560, depois de uma série de escaramuças, os portugueses expulsaram os franceses.
Fundação da Cidade do Rio de Janeiro. Artista: Antonio Firmino Monteiro (1855-1888).
  • Persistindo a presença francesa na região, os portugueses, sob o comando de Estácio de Sá, acompanhado por um grupo de fundadores incluindo também D. Antônio de Mariz, desembarcaram num istmo entre o Morro Cara de Cão e o Morro do Pão de Açúcar, fundando, a 1 de março de 1565, a cidade de “São Sebastião do Rio de Janeiro”, em homenagem ao seu padroeiro São Sebastião e ao rei Dom Sebastião.
  • Uma vez conquistado o território, em uma pequena praia protegida pelo Morro do Pão de Açúcar, edificaram uma fortificação de faxina e terra, o embrião da Fortaleza de São João.
  • O começo da cidade como tal foi no Morro de São Januário, mais tarde conhecido como Morro do Castelo, e depois na Praça Quinze até hoje centro vital do Rio.
Mapa da Baía de Guanabara em 1555.
Fortaleza de São João ou Forte de São João. A várzea entre o sopé do Morro Cara de Cão e o Morro do Pão de Açúcar foi ocupada pelas forças – cerca de trezentos homens desembarcados de cinco navios – do primeiro governador da capitania do Rio de Janeiro, Estácio de Sá (1565-1567), que aí fundou a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (1 de Março de 1565), no contexto da luta para a expulsão dos franceses da baía da Guanabara
Forte de São José é uma obra toda feita em pedra talhada, é parte integrante do sítio histórico da Fortaleza de São João, na entrada da Baía da Guanabara.
  • A expulsão e derrota definitiva dos franceses e seus aliados indígenas, no entanto, só se deu em janeiro de 1567. A vitória de Estácio de Sá, subjugando elementos remanescentes franceses (os quais, aliados aos tamoios, dedicavam-se ao comércio e ameaçavam o domínio português na costa do Brasil), garantiu a posse do Rio de Janeiro, rechaçando, a partir daí, novas tentativas de invasões estrangeiras e expandindo, à custa de guerras, seu domínio sobre as ilhas e o continente. A povoação foi refundada no alto do antigo Morro do Castelo, que se localizava no atual centro da cidade. O morro foi removido em 1922 como parte de uma reforma urbanística. O novo povoado marcou o começo de fato da expansão da cidade.
Mercado de pessoas escravizadas no Rio de Janeiro. Artista: Edward Francis Finden (1824).
  • O Rio de Janeiro desenvolveu-se graças à sua vocação natural como porto. Na mesma época em que ouro foi descoberto no Estado de Minas Gerais, no final do século XVII, o Governador do Brasil foi feito Vice-rei. Salvador era capital da colônia, mas a importância crescente do porto do Rio garantiu a transferência da sede do poder para o sul, para a cidade que se tornaria, e ainda é, o centro intelectual e cultural do país.
  • Em 1808, a família real portuguesa veio para o Rio de Janeiro, refúgio escolhido diante da ameaça de invasão napoleônica. Quando a família real voltou para Portugal e a independência do Brasil foi declarada em 1822, as minas de ouro já haviam sido exauridas e dado lugar a uma outra riqueza: o café.
  • O crescimento continuou durante quase todo o século XIX, inicialmente na direção norte, para São Cristóvão e Tijuca, e depois na direção da zona sul, passando pela Glória, pelo Flamengo e por Botafogo.
  • No entanto, em 1889, a abolição da escravatura e colheitas escassas interromperam o progresso. Esse período de agitação social e política levou à Proclamação da República. O Rio, então chamado Distrito Federal, continuou sendo o centro político e a capital do país.
  • No começo do século XX surgiram as ruas largas e construções imponentes, a maioria no estilo francês fin-de-siècle. O Rio de Janeiro manteve sua posição até a inauguração de Brasília como capital da república em 1960. A capital do Estado do Rio de Janeiro, a cidade continua sendo o centro social e cultural do país.
  • A pessoa natural do Rio de Janeiro, coisas ou fatos a ela relacionados são chamados de carioca, palavra de origem tupi (kari´oka, casa de branco, de kara´i, branco e oka, casa).
  • A cidade foi, sucessivamente, capital da colônia portuguesa do Estado do Brasil (1763–1815), depois do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815–1822), do Império do Brasil (1822–1889) e da República dos Estados Unidos do Brasil (1889–1968) até 1960, quando a sede do governo foi transferida definitivamente para a recém-construída Brasília. Naquele ano, o Rio foi transformado em uma cidade-estado com o nome de Guanabara e, somente em 1975, torna-se a capital do estado do Rio de Janeiro.
Mapa do Rio de Janeiro.
Bandeira do estado do Rio de Janeiro. Este modelo foi instituído no ano de 1965, sendo criado pelo Dr. Alberto Rosa Fioravanti. Na época, o governador do estado era o General Paulo Torres. Um dos grandes destaques desta bandeira é o seu lema em latim, ‘Recte Rempublicam Gerere’, que, numa tradução livre, seria gerir o governo com retidão. m sua primeira versão, informal e ainda à época Imperial, ainda não era utilizado o brasão, bem como a ordem dos retângulos azuis e brancos era inversa. O esquema de cores se deve à origem portuguesa tradicional. A inserção do brasão ocorreu com o Brasil República, porém tanto a bandeira como o brasão, assim como ocorreu em outros estados, ficaram de lado por Lei Federal, durante a Era Vargas. No Brasão, fica destacado o espírito cristão, com a representação do pico Dedo-de-Deus, coberto por um azul claríssimo como a justiça, a verdade e a lealdade que representa. As regiões cariocas são representadas por uma faixa verde (baixada fluminense) e por uma faixa azul (regiões litorâneas). Junto com a tão famosa frase em latim, há uma águia branca. Ela também busca demonstrar um governo forte, honesto e abrangente, com possibilidade de circundar e olhar por todo o estado, sem restrições. Todo este povo, a ser olhado pelo governo, tem a sua união representada pela corrente de ouro que circunda o brasão. E os principais produtos agrícolas à época da criação da bandeira com brasão, o café e a cana-de-açúcar, estão representados também. A estrela do escudo simboliza a capital do estado, de mesmo nome que ele.
Bandeira do município do Rio de Janeiro, capital do estado.
Significado do brasão da bandeira do município do Rio de Janeiro, capital do estado.

V) Baixada Fluminense

  • A Baixada Fluminense é uma região do Estado do Rio de Janeiro, pertencente à Região Metropolitana do Rio de Janeiro, ou Grande Rio.
  • Existem várias formas de se identificar os limites da Baixada Fluminense, sendo a menos abrangente a que inclui apenas os 8 municípios localizados no território correspondente ao antigo município de Iguaçu (região da Grande Iguaçu), e a mais abrangente aquela que considera como integrantes da região os 13 municípios remanescentes dos desmembramentos ocorridos nos antigos municípios de Itaguaí, Nova Iguaçu e Magé durante o século XX. 
  • Atualmente, a expressão “Baixada Fluminense” apresenta duas definições: Uma em sentido estrito (definição predominante da expressão neste artigo), outra em sentido amplo.
    • Em sentido estrito, a expressão se refere à região de natureza política, econômica e social abordada acima, definida pela sua relação com o restante da área metropolitana do Rio de Janeiro, especialmente com o núcleo metropolitano. Esta definição de “Baixada Fluminense” é a mais comum nos dias atuais. Das várias delimitações feitas dessa região, a mais abrangente engloba os municípios de Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo, Mesquita, Queimados, Japeri, Paracambi, Seropédica e Itaguaí.  Com cerca de 4 milhões de habitantes, é a segunda região mais populosa do estado (atrás, apenas, do município do Rio de Janeiro), e, tal como a capital fluminense e o Leste Metropolitano, é uma das três sub-regiões em que se divide a metrópole do Rio de Janeiro.
    • Em sentido amplo, a expressão se refere à geografia física do Estado, e denota toda a região de planícies localizada entre a Serra do Mar e o litoral do RJ, desde Mangaratiba até Campos dos Goytacazes. Essa região ainda é dividida em quatro setores: Baixada de Sepetiba, Baixada da Guanabara, Baixada de Araruama e Baixada dos Goytacazes.
Mapa da Baixada Fluminense

História de São João de Meriti

  • São João de Meriti é um município da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
  • O nome histórico é Cidade de São João do Rio Meriti. Localiza-se a 22º48’14” de latitude sul e 43º22’20” de longitude oeste, a uma altitude de 19 metros. Ocupa 34,838 km² de área.
  • Os meritienses identificam-se linguística e culturalmente como cariocas da Baixada, e não como fluminenses.
  • A cidade já foi chamada de Freguesia de João Batista de Meriti, São João Batista de Trairaponga e São João Batista de Meriti.
  • Foi um dos distritos iguaçuanos (ao lado de Vila da Estrela) mais importantes no século XIX, porém só tornou-se município no ano de 1947, quatro anos após a emancipação de Duque de Caxias da cidade de Nova Iguaçu.
  • Localiza-se na região da Baixada Fluminense, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
  • O município possui, de acordo com o Censo Demográfico 2010, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, uma população atual de 458.673 habitantes. Há projeção de uma população estimada para o ano de 2020 de 472.906. A cidade concentra o maior adensamento populacional da América Latina, são cerca de 13 mil habitantes por km² – peculiaridade que rendeu o apelido de “Formigueiro das Américas”.
Mapa de São João de Meriti e seus bairros.
  • O território que forma hoje a cidade era banhado pelos Rios Miriti e Sarapuí, que tiveram suas origens em uma sesmaria doada a Brás Cubas, tendo seu primeiro povoado iniciado em 1566, fixando os primeiros colonos nas terras do atual município de Duque de Caxias, localizando-se, de preferência, no vale dos Rios Meriti, Sarapuí, Iguaçu e Estrela (Inhomirim), ou na orla praiana, dando início à exploração de seu solo e de suas riquezas naturais. Durante muito tempo as lavouras de cana-de-açúcar, arroz, milho, mandioca e feijão proporcionaram aos proprietários locais a acumulação de fortunas, graças à força do trabalho escravo.
  • Ao lado das muitas fazendas existentes, os rios Miriti e Sarapuí eram as principais vias de transporte das mercadorias que eram produzidas. Em suas margens havia 14 portos, todos com um grande serviço de canoagem. Nessa época, a região era um importante produtor de milho, mandioca, feijão e açúcar. Esses produtos eram levados aos portos do Rio de Janeiro para serem consumidos e exportados para a Europa.
  • Em 1637, foi criada a freguesia de Nossa Senhora do Pilar (atual Duque de Caxias). Alguns anos depois, foi fundada uma povoação denominada São João Batista de Trairaponga, alterada, em 1747, para São João Batista de Meriti.
  • No ano de 1828, ocorre a abertura do canal da Pavuna, que era um prolongamento do rio Meriti, buscando favorecer os fluxos comerciais da região. As principais fazendas foram a dos Teles (que atualmente dá nome ao Distrito) e Engenho de São Matheus.
  • Em 1833, o povoado de Iguassu é elevado à categoria de Vila de Maxabomba (atual Nova Iguaçú) e a Freguesia de São João Batista de Meriti passou a integrar aquela jurisdição como seu 4º Distrito, assim como Nossa Senhora do Pilar.
  • Ainda por alguns anos, foi notável o progresso na região. Somente pela metade do século XIX começou seu período de decadência. A devastação impiedosa de suas matas trouxe como resultado funesto a obstrução dos rios e o seu consequente extravasamento motivou a formação de pântanos, onde os miasmas e os mosquitos tornavam a região praticamente inabitável. As terras foram abandonadas e cobriram-se de vegetação inútil, própria de pantanais.
  • Em 1886 suas terras são cortadas pela Estrada de Ferro Rio D’ouro.
  • Em 1875, teve início a construção da Igreja de São João Batista de Meriti, no local onde hoje ainda se encontra. Vale mencionar, que nesse período, a presença das capelas e igrejas numa determinada região, demonstrava a importância que aquele território representava perante o poder secular e o poder eclesiástico.
  • Em 1886, José do Patrocínio foi à Vila Meriti para assistir a inauguração da reabertura do canal da Pavuna em um trabalho de desobstrução realizado pelos moradores. Compareceram ao evento os grandes fazendeiros da região, em trajes que bem diziam a importância daquela presença. Após os discursos de saudação, o capitão Salustiano convidou Patrocínio para fazer uma visita à Igreja, que estava no alicerce. À noite, numa palestra que tivera, José do Patrocínio disse aos moradores que, em obediência a uma promessa feita, daria para a construção da igreja a vultosa soma de trinta contos de reis. Como também por interferência sua, a Princesa Izabel ofertou, além de diversos castiçais, a pia batismal. Na foto, vemos a torre da Igreja e, ao fundo, o cemitério. A Rua da Matriz no seu início, tomado de lojas de ambos os lados, demonstra a importância que teve e continua tendo para a cidade. Nela, funcionou também, no fim da década de 1940 e durante a de 1950 a Câmara Municipal. Ao fundo, está o Morro do Carrapato.
  • Em 1898, a Empresa de Melhoramentos no Brasil estendeu os trilhos da Linha Auxiliar pelo território do Estado, atravessando a povoação de São João Batista de Meriti, o que veio trazer novas possibilidades de progresso para a localidade. Outro fator que, mais tarde, muito contribuiu para o soerguimento da região, foram as obras de saneamento da Baixada Fluminense, iniciadas por Nilo Peçanha. Posteriormente, com a abertura da Estrada Rio-Petrópolis, ainda mais próspera tornou-se São João Batista de Meriti e adjacências.
  • Na década de 1920, era o 4º Distrito de Nova Iguaçu. A Vila — situada às margens do Rio Pavuna — era cortada pelas estradas de ferro Rio D’ Ouro e o ramal auxiliar, que ligava São Mateus à Pavuna. Contava o distrito com uma Estação da Linha Auxiliar e quatro importantes artérias: a Rua da Matriz, fazendo a ligação do Centro em direção ao bairro de Coelho da Rocha, até Belford Roxo; a Rua São João Batista, em direção ao Distrito de Caxias; a Estrada de Minas (hoje Getúlio de Moura), em direção à Itinga (depois Éden); e Nova Iguaçu e a Rua Tavares Guerra (hoje Nossa Senhora das Graças) em direção ao bairro da Pavuna no Rio de Janeiro. Todas essas artérias convergiam em direção a Praça da Matriz, onde estava o comercio mais importante do distrito.
  • A cidade, por sua vez, rivalizava com o bairro da Pavuna, onde o controle comercial com grandes armazéns e trapiches estava nas mãos da família Tavares Guerra. Antônio Tavares Guerra era proprietário da Fazenda do Carrapato, no Centro do distrito, e foi vereador na Câmara de Iguassú. A Igreja da Matriz de São João Batista começou a ser construída em 1875 em terreno doado por Antônio Tavares Guerra, que, ao lado do comendador Pedro Antônio Telles Barreto de Menezes, era o mais importante provedor da construção.
  • No início da década de 1940, a região contava com uma população, que não ultrapassava os 25 mil habitantes, distribuída em torno da Igreja da Matriz, nas margens do Rio Pavuna, próximo aos leitos das ferrovias em Engenheiro Belford, São Matheus, Éden, Vila Rosali e Coqueiros.
  • Devido à dificuldade de se encontrar mão-de-obra disponível, as grandes fazendas vão sendo fracionadas em sítios e chácaras fazendo surgir na região uma grande quantidade de pequenos proprietários, que acabaram por desenvolver atividades da fruticultura e hortigranjeiros para abastecer a cidade do Rio de Janeiro.
  • Quando Caxias se emancipou em 1943, incorporou a região como seu 2º Distrito. O mundo ainda sentia os efeitos do fim da Segunda Guerra Mundial quando, em 1947, ocorreu a emancipação política e administrativa da cidade, sendo criada assim, a cidade de São João de Meriti, por meio da Lei nº 6, pelo Projeto nº 132/47, do Deputado Lucas Andrade Figueira. Desde então, o município teve momentos de expansão e de retração no desenvolvimento. Neste momento, ele possui três distritos: São João de Meriti, Coelho da Rocha e São Mateus, administrado por Aníbal Viriato de Azevedo.
Instalação oficial do município de São João de Meriti. Praça da Matriz 21 de agosto de 1947 – Fonte: http://meriti.rj.gov.br/sjm/fotos/
Inauguração da primeira bica pública de Vilar dos Teles em 1952 – Fonte: http://meriti.rj.gov.br/sjm/fotos/
  • Segundo Simões (2011), um dos fatores que intensificou o processo de urbanização da cidade foram a construção de diversas vias, sendo as principais:
    • BR 116 (Via Dutra) que promoveu intensificação da ocupação para fins de negócios, com a ligação do estado do Rio de Janeiro e São Paulo, sendo possível a construção de parques logísticos, concessionarias de automóveis, Hotéis, Shopping Grande Rio e a Via Show;
    • Av. Automóvel Clube que liga o centro do munícipio ao Distrito de Vilar dos Teles, que possui uma importância econômica e política, além de, ao longo do seu percurso possuir um polo de revenda de automóveis;
    • Via Light por ligar alguns municípios: Nilópolis, Mesquita, Nova Iguaçu, Belford Roxo.
  • Villar dos Teles é um distrito de grande importância para o município, tanto no que se relaciona à questão econômica, quanto política e histórica, tanto que abriga a sede da prefeitura de São João. “Vale lembrar também de que a transferência da sede da prefeitura para este bairro contribuiu para esse desenvolvimento acima do apresentado pelo centro de São João”. (SIMÕES, 2011. Ambiente e Sociedade na Baixada Fluminense)
  • Na década de 1980, o bairro de Vilar dos Teles era conhecido como “capital do jeans” devido a grande quantidade de fábricas e lojas de roupas, vendendo o jeans mais barato do Brasil.
Reportagem falando sobre os direitos trabalhistas de funcionários no Vilar dos Teles.
Bandeira do município de São João de Meriti, versão antiga.
Bandeira do município de São João de Meriti, versão nova.

Locais históricos de São João de Meriti

  • Na prática da bruxaria é importante entender a egrégora que é formada na cidade que vivemos, mas existem locais que são pontos de poder. Entender o quão antigo são também auxiliam no uso dessas energias e na honra dos ancestrais que passaram pelo local realizando as mesmas práticas. Portanto, locais de culto religioso, decisões administrativas e de concentração de pessoas possuem uma energia diferente. Inclusive locais de festas, convivência ou de acidentes/violências podem ser compreendidos de maneira particular.
  • A minha lista dentro da minha cidade ainda está longe de acabar, e pouco encontro sobre os locais, mas vou deixar registrado aqui o que já reuni até o momento.

I) Igreja da Matriz

  • A primeira igreja de São João de Meriti data de 1647, nas margens do rio Meriti.
  • Atualmente a Igreja Matriz de São João Batista, ou popularmente chamada apenas de Igreja da Matriz é um ponto central da cidade. Localizada na Praça Getúlio Vargas, popularmente chamada de Praça da Matriz, fica no Centro de São João de Meriti.
  • Ela teve a sua construção começou por volta de 1875 com a doação de 30 contos de réis e mais a pia batismal feita pela Princesa Isabel, além da ajuda de famílias tradicionais da cidade, como os Tavares Guerra, Telles de Menezes, Alves Carneiro, entre outras. Foi construída em terreno doado por Antônio Tavares Guerra, que, ao lado do comendador Pedro Antônio Telles Barreto de Menezes, era o mais importante provedor da construção.
  • No local foi erguida uma capela e a Igreja começou a ganhar os contornos de uma Matriz com a chegada dos franciscanos à região, em 1932.
  • A sua inauguração deu-se no dia 24 de junho de 1938 com a presença do então interventor no Estado do Rio de Janeiro, o sr. Amaral Peixoto. Aos fundos, ficava o Cemitério da Irmandade Sagrado Coração. A área da praça ia desde o cemitério até a av. Dr. Arruda Negreiros.
Igreja Matriz de São João Batista (1933). Igreja vista desde o sudeste, antes da reforma da torre. Observa-se a parede
 anterior e a direita e a torre com sinos. Vê-se também um coreto na praça em frente à igreja.
Igreja vista desde o sul, antes da reforma da torre, data ignorada, mas entre 1938 e 1960. Observa-se a parede anterior e a torre com sinos. Não se vê mais o coreto na praça em frente à igreja.
Inauguração da Praça Matriz, em 1958 com sua reforma geral. Igreja vista desde o sul, antes da reforma da torre. Observa-se a parede anterior e a torre com sinos. Não se vê mais o coreto na praça em frente à igreja.
  • A Igreja Matriz de São João Batista que conhecemos atualmente nada tem a ver com a sua construção original. Devido às obras de ampliação, nas décadas de 1950 e 1960, perderam-se todas as linhas arquitetônicas coloniais.
  • A Igreja de São João Batista de Meriti é constituída de uma grande nave central com capela-mor e coro. Quadros da Vida de Cristo compõem os vitrais. Detalhes em alto-relevo nas paredes representam a via-crúcis. Teto e pilastras decorados.
  • Destaca-se ainda a construção da Torre do relógio nas décadas de 1950/1960. Possui teatro, salões de festa e prédio de residência paroquial. Como estilo de arquitetura, apresenta-se uma profusão de traços que nos lembram o gótico nos arcos frontais do interior e exterior, prevalecendo o estilo maneirista.
Igreja vista desde o sudoeste, após a reforma da torre, 1960. Observa-se a parede anterior e a esquerda e a torre com os relógios.
Praça da Matriz, em 2021.

II) Prefeitura de São João de Meriti

  • O prédio atual da prefeitura da cidade foi construído em 1969 na gestão do Prefeito José de Amorim Pereira, é a sede do Governo Municipal.
  • Nela estão localizadas as Secretarias de Governo, Obras e Urbanismo, Promoção Social, Procuradoria, Fazenda, Cultura, Esporte e Lazer, Meio Ambiente, Planejamento, Educação, Administração e Assessoria de Imprensa.
  • Abriga também a Junta do Serviço Militar. A Prefeitura passou por grande reforma na gestão do Prefeito Dr. Antônio Pereira Alves de Carvalho. É um dos mais belos prédios públicos da Municipalidade.
  • O inchaço populacional no centro de São João de Meriti forçou a sua vinda para o Vilar dos Teles, que atraiu a partir de 1970 grande desenvolvimento para esta região.
  • A tomada de decisões importantes para os cidadãos da cidade é a prefeitura e a câmara dos vereadores. Você pode fazer práticas mágicas para que os líderes políticos tomem decisões que beneficiem os moradores do local e para buscar diminuir práticas ilícitas.
Término da obra do novo prédio da Prefeitura de São João de Meriti, em 1969.
Local onde é encontrado o prédio da Prefeitura de São João de Meriti, em 2021.
Assinatura de posse do primeiro prefeito eleito de São João de Meriti. Dr. José dos Campos Manhãs (1947).
  • Prefeitos de São João de Meriti:
    • 1947 – Aníbal Viriato de Azevedo
    • 1947 – 1951 – José dos Campos Manhães
    • 1951 – Plácido de Figueiredo
    • 1952 – Oswaldo Marcondes de Medeiros
    • 1952 – Alberto Rocha Possa
    • 1952 – Miguel Archanjo de Medeiros
    • 1952 – 1955 – Elpídio Estevão Salles
    • 1955 – Miguel Archanjo de Medeiros
    • 1955 – Waldemiro Proença Ribeiro
    • 1955 – 1959 – Domingos Corrêa da Costa
    • 1959 – 1963 – Ário Woltz Theodoro
    • 1963 – 1967 – Domingos Corrêa da Costa
    • 1967 – 1968 – José de Amorim Pereira
    • 1968 – 1970 – Alzira dos Santos da Silva
    • 1970 – José de Amorim Pereira
    • 1970 – 1971 – João Batista Barreto Lubanco
    • 1971 – 1973 – Alayr Moreira Dias
    • 1973 – 1977 – Denoziro Afonso
    • 1977 – Juary Silva
    • 1977 – 1982 – Celestino dos Santos Cabra
    • 1982 – 1983 – Ramiro Martins Lucas
    • 1983 – Manoel Valência Opasso
    • 1983 – José Cláudio da Silva
    • 1984 – Manoel Valência Opasso
    • 1984 – 1989 – José Cláudio da Silva
    • 1989 – 1993 – José de Amorim Pereira
    • 1993 – 1996 – Adilmar Arcêncio dos Santos
    • 1996 – Jonas Peixoto da Silva
    • 1997 – 2004 – Antônio Pereira Alves de Carvalho
    • 2005 – 2008 – Uzias Mocotó
    • 2009 – 2012 – Sandro Matos
    • 2016 – João Ferreira Neto

Hino da Cidade de São João de Meriti

Desejando, a lei, conceber o progresso
De ver o sol, renascendo maior,
Fez ir ao berço da mãe gentil
São João transformado em cidade.
Do passado é memória na história presente
Para tecer um futuro melhor.
Continuamente, nosso dever,
É guiá-lo crescente e avante.

REFRÃO
São João de Meriti é o nome da terra que louvamos
O povo meritiense com áureos lauréis honramos
Se tiver que partir eu irei onde a vida decidir
Mas em meu coração levarei a bandeira de Meriti.

Sobre o chão dos Tamoios virou Freguesias
Nas sesmarias de Iguaçú,
A produzir finas iguarias
Levadas nas águas do rio.
Tal labor construiu sobre tua presença
Templos à pura e exata razão
Enaltecendo a doce emoção
De quem ama, trabalha e pensa

Que teu céu guarde o voo da sã liberdade
E que no solo ela ame correr
Fartas virtudes possam chover
Sobre nossa querida cidade
Pois ao imaginar não haver mais saída,
Ao que a luz do final se apagar
Quero chorar do amor que te sinto
Ao ver teu brazão acendendo.

Autor: Livingstone Pinheiro de Resende

III) Cemitérios de São João de Meriti

  • Na prática da bruxaria, os cemitérios são lugares sagrados e que possuem muito poder. Saber o quão antigo são os cemitérios e se eles possuem alguma especificidade pode auxiliar em práticas mágicas e também em rituais devocionais ou em honra aos ancestrais.
  • Em São João de Meriti temos os seguintes cemitérios:
  • Cemitério Israelita de Vila Rosali
    • Fundação: Outubro de 1920
    • Endereço: R. da Matriz, 1276 – Vila Rosali, São João de Meriti – RJ, 25515-000 (Velho)
    • É uma das principais necrópoles destinadas ao sepultamento de membros da comunidade judaica do Rio de Janeiro. Foi fundado em outubro de 1920, quando a Chevra Kadisha, entidade que cuida dos funerais judaicos, adquiriu um terreno junto à linha férrea. Na década de 1960, o cemitério ganhou um anexo, em terreno situado bem próximo ao cemitério antigo. Ambos os espaços, chamados respectivamente de “Velho” e “Novo”, se encontram superlotados, sendo raros os sepultamentos nos dias atuais. No “Cemitério Velho” se encontra o mais antigo Memorial do Holocausto das Américas. Em uma urna, em seu interior, se encontram barras de sabão resgatadas de campos de extermínio, supostamente confeccionadas com a gordura corporal de prisioneiros.
Vista geral do Cemitério Israelita de Vila Rosali (Velho).
  • Cemitério Municipal de Vila Rosali
    • Fundação: ?
    • Endereço: R. da Matriz, s/n – Vila Rosali, São João de Meriti – RJ, 25520-640
  • Cemitério de São Lázaro
    • Fundação: ?
    • Endereço: Av. João de Deus Menezes, s/n – Venda Velha, São João de Meriti – RJ, 25565-614
  • Cemitério de Éden
    • Fundação: ?
    • Endereço: Av. Dr. Roberto Silveira, 700 – Agostinho Porto, São João de Meriti – RJ, 25545-120
Cemitério de Éden.
  • Cemitério Israelita de Vilar dos Teles
    • Fundação: ?
    • Endereço: Av. Automóvel Clube, 1921 – Glaucia, Belford Roxo – RJ, 26196-030.

Pessoas ancestrais de São João de Meriti

I) Povos originários

  • Temos no Brasil hoje um pouco mais de um milhão de indígenas, divididos em 305 grupos étnicos, falando 274 línguas diferentes, porem, na época do descobrimento a realidade era outra – Estima-se que havia 5 milhões de habitantes, pertencentes a 1.300 grupos linguísticos, mas a colonização portuguesa foi predatória no que diz respeito a nossos povos ancestrais.
  • Segundo Darcy Ribeiro, no ano de 1957 a população indígena no Brasil chegou ao assustador número de 80.000 pessoas, devido as doenças europeias e escravidão. Na véspera da chegada dos europeus à América em 1500, calcula-se que o atual território do Brasil (a costa oriental da América do Sul) fosse habitado por dois milhões de indígenas, do norte ao sul.
  • Como os indígenas não  dominavam a escrita e como a base de conhecimento ancestral era mantida apenas na tradição oral, tendo nos anciãos seus registros cultuarias e históricas, a perda foi inevitavelmente enorme.
  • Os povos do grupo Tupi-Guarani habitavam a região chamada de “Pindorama” (terra das palmeiras), atual região oriental da América do Sul, que habitava o imaginário Tupi-Guarani como terra mítica, uma terra livre dos males.
  • Sabemos os nomes de alguns dos principais grupos que habitavam Pindorama na véspera da chegada europeia (entre eles alguns de origens não tupi): os potiguaras, os tremembés, os tabajaras, os caetés, os tupiniquins, os tupinambás, os aimorés, os goitacás, os tamoios, os carijós e os temiminós.
Povos indígenas no Brasil.
  • O litoral do atual estado do Rio de Janeiro era habitado por povos originários do tronco linguístico macro-jê há milhares de anos. Por volta do ano 1000, a região foi conquistada por povos de língua tupi procedentes da Amazônia. Um destes povos, os tamoios, também conhecidos como tupinambás, ocupavam a região ao redor da Baía de Guanabara no século XVI, quando os portugueses chegaram à região.
  • Os tamoios foram um povo indígena ou agrupamento de povos indígenas do tronco lingüístico tupi que habitava a costa dos atuais estados de São Paulo (litoral norte) e Rio de Janeiro (Vale do Paraíba fluminense). Em seu território localizava-se a Baía de Guanabara, estendendo-se desde a região dos Lagos (Rio de Janeiro) até ao litoral norte do atual estado de São Paulo (Bertioga). Sua população era de cerca de 70 mil indivíduos.
  • O etnônimo “tamoio” vem de “ta’mõi“, que, em língua tupi, significa “avós”, indicando que eles eram o grupo tupi que há mais tempo se havia instalado no litoral brasileiro.
  • Os antropólogos Beatriz Perrone-Moysés e Renato Sztutman sustentam que o termo “tamoio” não fazia referência a um povo indígena homogêneo, mas sim a um “coletivo de líderes” de diferentes tribos que constituíram uma aliança entre si e com os franceses contra os colonizadores portugueses.
O Último Tamoio. Artista: Rodolfo Amoedo (1883).
  • Confederação dos Tamoios é a denominação dada à revolta liderada pela nação indígena Tupinambá, que ocupava o litoral do Brasil entre Bertioga e Cabo Frio, envolvendo, também, tribos situadas ao longo do Vale do Paraíba, contra os colonizadores portugueses, entre 1554 e 1567.
  • Entre as práticas indígenas, estava a do cunhadismo, pela qual um homem, ao se casar com uma mulher de uma determinada tribo, passava a ser membro dessa mesma tribo. Aproveitando-se dessa prática, João Ramalho, parceiro do governador da Capitania de São Vicente, Brás Cubas, casou-se com uma filha da tribo dos tupiniquins. Através dessa parceria, João Ramalho angariou um grande número de aliados para um ataque à aldeia dos tupinambás, na tentativa de aprisioná-los e usá-los como mão de obra escrava. Eles capturaram o chefe da tribo, Cairuçu, e o mantiveram em um cativeiro no território do governador Brás Cubas.
  • Preso em péssimas condições de sobrevivência, o tupinambá Cairuçu acabou morrendo no cativeiro. Seu filho, Aimberê, de Uwa-ttybi, assumiu o comando da tribo e declarou guerra aos colonos portugueses e à tribo dos tupiniquins. Para fortalecer o levante, ele se reuniu com os membros tupinambás Pindobuçu, de Iperoig, atual Ubatuba, e Cunhambebe (pai), de Angra dos Reis. Cunhambebe assumiu a liderança da Confederação dos Tamoios e conseguiu o apoio das tribos goitacás e aimorés. Neste momento, os franceses estavam chegando no Rio de Janeiro, na intenção de colonizar territórios pertencentes a Portugal e aos Tupis.
Guerra entre Tamoios e Temiminós na Baia de Guanabara. Artista: Jacques le Moyne de Morgues (1576).
  • Para patrocinar o conflito contra os portugueses, o francês Villegaignon ajudou os tupinambás oferecendo armamentos a Cunhambebe. Porém, uma epidemia dizimou alguns indígenas combatentes, inclusive o líder Cunhambebe, enfraquecendo enormemente o levante. Aimberê continuou a revolta contra os portugueses e fez o possível para que os tupiniquins lutassem a seu favor. Ele fez contato com o líder Tibiriçá, através do sobrinho Jagoaranhó, e marcou um encontro para selar a confederação. Quando os tamoios chegaram na aldeia, Tibiriçá se declarou fiel aos portugueses e matou seu sobrinho, suscitando uma investida que dizimou grande parte da tribo dos guaianases.
  • Apesar do armistício de Iperoig, em 1563, os combates continuaram. Em 1567, a chegada de Mem de Sá ao território do Rio de Janeiro provocou a derrota dos franceses e dos tamoios, encerrando o conflito.
  • A confederação dos Tamoios é relatada, em parte, nos escritos do mercenário alemão Hans Staden, que foi prisioneiro dos tamoios em Uwa-ttybi, aldeia tupinambá que ficava em algum ponto do litoral entre a Bertioga e o Rio de Janeiro atuais, como descreve Hans Staden.
  • Além das nações indígenas dos tupinambás, tupiniquins, aimorés e temiminós, estiveram envolvidos os colonizadores portugueses e os franceses. Estes últimos ocuparam a Baía de Guanabara, a partir de 1555, para, ali, estabelecer a colônia da França Antártica. O tempo de duração dessa colônia foi de 1554 a 1567.
  • O governador da capitania de São Vicente, Brás Cubas, pretendia promover a colonização mediante a escravização de indígenas. Entre as práticas indígenas, estava o cunhadismo, pela qual um homem, ao se casar com uma mulher de uma determinada tribo, passava a ser membro dessa mesma tribo. Por essa prática, João Ramalho, companheiro de Brás Cubas, desposou Mbici, também conhecida como Bartira, filha do chefe dos tupiniquins, o cacique Tibiriçá.
  • A colaboração dos tupiniquins com os portugueses resultou numa forte aliança que possibilitou, entre outros eventos, a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, em 1554, pelos jesuítas Manuel da Nóbrega e José de Anchieta e pelo cacique Tibiriçá.
  • A rivalidade entre as diferentes nações indígenas, associada à necessidade de força de trabalho escravo para o empreendimento da colonização, fez com que portugueses e tupiniquins se lançassem sobre os tupinambás, atacando a aldeia do chefe tupinambá Cairuçu, sendo que todos os tupinambás aprisionados foram levados às terras de Brás Cubas.
  • Com a morte de Cairuçu no cativeiro, seu filho, Aimberê, insuflou uma revolta e fuga do cativeiro, indo para as terras da capitania do Rio de Janeiro e constituindo o conhecido entrincheiramento de Uruçumirim, no outeiro da Glória, passando a ser o chefe da Confederação dos Tamoios junto com Cunhambebe.
  • Aimberê, de Uwa-ttybi, reuniu-se onde hoje é Mangaratiba, no litoral oeste fluminense, com os demais chefes tupinambás: Pindobuçu, de Iperoig (atual Ubatuba); Koaquira, de Uyba-tyba (atual Ubatuba); Cunhambebe (pai), de Ariró (atual Angra dos Reis); e Guayxará, de Taquarassu-tyba. Sob a liderança de Cunhambebe e com o apoio de outras nações indígenas, como os Goitacá, os tupinambás organizaram uma aliança contra os tupiniquins e portugueses.
  • Os franceses forneceram, aos tupinambás, armas para o confronto, visto que tinham interesse em ocupar a baía de Guanabara. Com a morte de Cunhambebe (pai) durante uma epidemia, Aimberê passou a ser o líder da confederação.
A Execução de um Inimigo dos indígenas tupinambás. Artista: Theodore de Bry.
  • A estratégia de Aimberê consistiu em ampliar ainda mais a confederação, de modo a incluir o apoio dos tupiniquins. Para isso, pediu a Jagoaranhó, chefe dos tupiniquins e sobrinho de Tibiriçá, que o convencesse a deixar os portugueses e a se juntar à confederação.
  • Tibiriçá deu a aparência de concordar com o sobrinho e propôs que a confederação o encontrasse, a fim de desfecharem um ataque final contra os portugueses. Entretanto, Tibiriçá permanecia fiel aos portugueses e, quando os tamoios chegaram, matou seu sobrinho Jagoaranhó.
  • Com a interferência dos jesuítas Nóbrega e Anchieta – este, já fundador de São Paulo (1554) – no episódio conhecido como Armistício de Iperó-ig, foi selada uma trégua, em que os portugueses foram obrigados a libertar todos os indígenas escravizados.
  • O fim da trégua conquistada em Iperoig (atual Ubatuba) se deu com o fortalecimento da colonização portuguesa, com os portugueses se lançando sobre as aldeias indígenas, matando e escravizando a população. Os tupinambás foram se retirando em direção à baía de Guanabara. Contudo, em 1567, com a chegada de reforços para o capitão-mor Estácio de Sá, que havia fundado, dois anos antes, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, iniciou-se a etapa final de expulsão dos franceses e de seus aliados tamoios da Guanabara, tendo lugar a dizimação final dos tupinambás e a morte de Aimberê na Guerra de Cabo Frio.
Indígenas tupinambás observado por Hans Staden Durante sua viagem ao Brasil. Artista: Theodore de Bry.

II) Martin Afonso de Souza

  • Martim Afonso de Sousa (Vila Viçosa, 1500 — Lisboa, 21 de julho de 1564) foi um nobre, militar e administrador colonial português. Foi o primeiro donatário da Capitania de São Vicente (1533–1564), e governador da Índia (1542–1545). Jaz no Convento de São Francisco da Cidade de Lisboa.
A obra foi produzida com tinta a óleo. Faz parte da Coleção José Wasth Rodrigues, no Museu Paulista, especialmente voltada à reconstrução da formação cultural de São Paulo. A obra foi uma encomenda de Afonso d’Escragnolle Taunay, no contexto do programa decorativo do Museu Paulista, na primeira metade do século XX. O quadro foi colocado no saguão principal do museu.
Assinatura de Martim Afonso de Sousa.

III) Salvador Correia de Sá

  • Salvador Correia de Sá, O Velho, (cerca de 1540/1547 — 1631) foi um nobre e militar português, que ocupou por duas vezes o cargo de governador-geral do Rio de Janeiro. Pertencia à família Sá, de Coimbra, vindo a destacar-se no Brasil onde se tornou rico e poderoso proprietário de terras e engenhos no Rio de Janeiro.
Salvador Correia de Sá, O Velho.

IV) Brás Cubas

  • Brás Cubas (Porto, dezembro de 1507 — Porto, 10 de março de 1592) foi um fidalgo e explorador português. Fundador da vila de Santos (hoje cidade), governou por duas vezes a Capitania de São Vicente (1545-1549 e 1555-1556). É considerado por alguns historiadores como fundador de Mogi das Cruzes, em 1560.
Brás Cubas em bico-de-pena do artista Lauro Ribeiro da Silva.
Assinatura de Brás Cubas.
Croquis da Situação da Sesmaria de Braz Cubas, Ruy Pinto, Pero Góes, Luiz da Gran e Outros – 1, Acervo do Museu Paulista da USP.

V) Família Telles Barreto de Menezes

  • A história da família Telles Barreto de Menezes começa no século XVII quando três membros da família de fidalgos vieram para o Brasil, na Bahia.
  • Diogo Lobo Telles de Menezes, um dos irmãos foi para o Rio de Janeiro, sendo o percursor da família no estado. Seus descendentes foram responsáveis pela construção de importantes prédios como o Juizado de Órfãos da antiga Capitania e a Casa do Senado, cuja a base resistiu ao incêndio do século XVIII e passou a ser conhecido como o Arco do Telles. Local que protagoniza a lenda da Bruxa do Teles, história para outro texto.
  • Por volta de 1700, a família já era dona de várias terras na Capitania e aparecendo como sesmaria na antiga freguesia de São João de Meriti sob a liderança de Luiz Telles Barreto de Menezes. Seu filho, Pedro Antônio, já nasceu em terras meritienses, sendo responsável pela compra de uma área que seria chamada de Engenho do Barbosa, mais tarde chamada de Fazenda dos Telles. Essas terras são hoje conhecidas como Vilar dos Teles, Coelho da Rocha e parte de Duque de Caxias.
  • Em 1864, toda a propriedade media 453 alqueires de terra. O solar do Telles, local onde vivia a nobreza da região, era uma das áreas mais prósperas da Baixada Fluminense na produção de açúcar e aguardente.
Família Telles de Menezes.
Solar dos Telles.

No século a Fazenda dos Teles aparece como Engenho de propriedade do Comendador Pedro Antônio Telles Barreto de Menezes, que se destacava como um dos grandes produtores de açúcar e aguardente.

(SOUZA, Sinvaldo,1998 4,5.)
  • No final do século XVIII, a sede da fazenda era conhecida como Vilar dos Teles. Era uma região repleta de palmeiras imperiais.
  • A morte do Comendador Pedro Antônio em 1882, sua propriedade ficou com seu filho Pedro Telles de Barreto Menezes, que por sua vez morreu em 1919 e a fazenda ficou abandonada e saqueada.
  • A partir da década de 1940, a fazenda foi loteada e vendida a Companhia Várzea do Carmo. O restante dos imóveis situados na área da antiga fazenda, no bairro atual da Venda Velha, ficaram em ruínas e foram descaracterizados, como a Casa da Grota, propriedade de Antônio Telles Barreto de Menezes construída no final do século XIX e o Sítio Carioca propriedade de Pedro Telles Barreto de Menezes, construído na década de 1930.
  • Parte do acervo em pratarias, porcelanas e cristais que se salvaram do desabamento estão no acervo do Instituto Histórico da Câmara Municipal de Duque de Caxias e os descendentes do Comendador Telles continuam sendo importantes figuras históricas no local.
Fazenda dos Menezes, localizada no bairro da Venda Velha. Outra propriedade construída pela família Teles de Menezes e que ainda guarda o estilo rural de suas linhas originais. São dez cômodos e um varandão colonial. Fica em um outeiro, com ampla área ao seu redor, guardando assim a opulência dos casarões do Império.
Sítio Carioca, localizado na Rua Piracicaba (-22°47’13.56″S, – 43°21’9.61″O), Venda Velha, foi outra fazenda que pertenceu à família Teles de Menezes. Ocupa uma área de 11.000m e foi comprada em fins da década de 1970 e transformada em clube de lazer. Possui um campo de futebol, bosque e uma saudável mina d’agua, que serviu durante muitos anos ao povo da região e ficou conhecida como “fonte carioca”.
Casa da Héspera em relação ao Cemitério São Lázaro, Sítio Carioca e Casa da Grota.

VI) João Cândido

  • João Cândido Felisberto nasceu de Ventre Livre (Lei 2040/1871) em 1880, em uma fazenda em Encruzilhada do Sul/RS. Aos 14 anos, ingressou na Marinha como grumete e, depois, se tornou marinheiro, navegando pela Europa, América e África.
  • Enviado para a Inglaterra em julho de 1909 para aprender a operar o encouraçado Minas Gerais, tomou conhecimento das revoltas de marinheiros, como a do encouraçado Potemkin, promovida em 1905 por marinheiros russos, que reivindicavam melhores condições de trabalho. Inspirado pelo que ouvira no estaleiro britânico, ao chegar ao Brasil, tentou negociar o fim da chibata com o então presidente Nilo Peçanha, sem sucesso.
  • O uso da chibata como castigo na Marinha brasileira havia sido abolido em 16 de novembro de 1889; na prática, porém, ele continuou sendo aplicado.
  • João Cândido não desistiu de sua ideia e, em novembro de 1910, junto a alguns companheiros, começou a planejar uma rebelião. A revolta foi precipitada pela punição do marinheiro Marcelino de Menezes. João Cândido assumiu a liderança do movimento a bordo do Minas Gerais. Depois de enviar carta ao presidente Marechal Hermes da Fonseca, os marujos receberam o enviado do governo, o deputado José Carlos de Carvalho, e negociaram a anistia e o fim da chibata.
  • O final infeliz já se conhece: os marinheiros foram traídos pelo presidente, João Cândido foi preso, interrogado e levado para a ilha das Cobras. Na solitária número cinco, onde só cabiam 6 prisioneiros, ficaram 18 por três dias, sem ter o que comer ou beber, num calor insuportável. Apenas dois sobreviveram: João Cândido e João Avelino Lira.
Marinheiro João Cândido.
João Cândido (à direita) liderou a Revolta da Chibata.
  • Em abril de 1911, João Cândido foi internado no Hospital Nacional de Alienados. O diretor da instituição, Juliano Moreira, atestou que o marinheiro não era louco. Liberado, voltou à prisão. Foi absolvido, em emocionante julgamento defendido pelo então jovem advogado Evaristo de Moraes.
  • Saiu da prisão em dezembro de 1912 e passou a vender peixes para se manter.
Jornal Gazeta de Notícias de 31 de dezembro de 1912, publicada, manchete da soltura de João Cândito. Domínio Público.
João Cândido vendendo peixe na praça XV, 1938. Acervo Biblioteca Nacional – BN Digital.
  • Discriminado e perseguido pela Marinha até o final da vida, recolheu-se no município de São João de Meriti, onde aproximou-se da Igreja Metodista. Passou mal em casa e foi levado ao Hospital Getúlio Vargas, na capital do Rio de Janeiro, onde morreu em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos, vítima de câncer.
João Cândido em 1963. Arquivo Nacional – Fundo Correio da Manhã
  • O monumento a João Cândido é uma estátua de bronze que foi doada à cidade pela Secretaria Especial de Igualdade Racial em homenagem ao Almirante Negro.  O monumento foi instalado em 12 de novembro de 2007 no Museu do Catete e somente em 2008 foi instalado na Praça XV. Depois da construção da VLT na Praça XV, o monumento perdeu sua  visibilidade anterior, sendo novamente transferido e reinaugurado na Praça Marechal Âcora, 300 m adiante, em 21 de novembro de 2022.
Monumento a João Cândito no Rio de Janeiro.
Detalhe da inscrição no monumento a João Cândito.
  • Em 11 de maio de 2022, São João de Meriti ganhou a Casa de Memória Marinheiro João Cândido. O equipamento cultural será construído no terreno em frente ao posto de saúde Aníbal Viriato, no Jardim Meriti. O local terá cursos, diversas atividades e vai guardar o acervo de um grande representante do movimento negro, herói municipal e estadual, reconhecido líder da Revolta da Chibata. O projeto da Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro – Funarj tem a participação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro – Alerj.
Descerramento da placa da casa do marinheiro João Cândido. Foto: Beto Oliveira.

VII) Família Tavares Guerra

  • EM CONSTRUÇÃO

VIII) Família Alves Carneiro

  • EM CONSTRUÇÃO

Plantas e animais ancestrais

I) Mata Atlântica

  • A Mata Atlântica é um bioma de floresta tropical que abrange a costa leste, nordeste, sudeste e sul do Brasil, leste do Paraguai e a província de Misiones, na Argentina.
  • Seus processos ecológicos evoluíram a partir do Eoceno, quando os continentes já estavam relativamente dispostos como estão hoje.
  • A região é ocupada por seres humanos há mais de 10 000 anos. No entanto, apenas após a colonização europeia, e principalmente, no século XX, a Mata Atlântica passou por intenso desmatamento, restando menos de 20% da cobertura vegetal original.
  • Devido a grande diversidade de ambientes que o bioma proporciona, existem espécies que são exclusivas da Mata Atlântica, sendo chamadas de endêmicas.
  • Devido a grande destruição do ambiente e a caça ilegal, espécies são extintas como caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), o gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e o limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) e outras sofrem grande risco de extinção como o mico-leão-dourado (Leontopithecus rosália) e a onça-pintada (Panthera onça).
A famosa vista do Pão de Açúcar na Enseada do Botafogo, como foi batizada em 1590, quando as terras pertenciam ao chefe da artilharia do Galeão Botafogo, João Pereira de Sousa (Manipulação fotográfica).
Orla das praias de Leblon e Ipanema junto à entrada da Lagoa Rodrigo de Freitas, o local era conhecido pelos portugueses como Costa Brava. Seus habitantes originais, os índios Tamoios, chamavam a região de Piraguá (Manipulação fotográfica).

II) Pé de Buriti

  • O nome da cidade “Meriti” foi inspirado na árvore chamada “Buriti” que predominava na região. É uma árvore que também é conhecida como coqueiro-buriti, buritizeiro, miriti, muriti, muritim,  muruti, palmeira-dos-brejos, carandá-guaçu e carandaí-guaçu.
  • “Meriti” é oriundo do termo da língua tupi antiga meriti’yba, que significa “pé de buriti”, através da junção de meriti (buriti) e ‘yba (pé). Por sua vez, “buriti”, “miriti”, “muriti”, “muritim” e “muruti” provêm do tupi mburi’ti, que significa “natural da vida”.
  • Seu fruto, além de rico em vitamina A, B e C, ainda fornece cálcio, ferro e proteínas. Consumido tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também pode ser transformado em doces, sucos, picolé, licor, vinho, sobremesas de paladar peculiar e ração de animais. O óleo extraído da fruta é rico em caroteno e tem valor medicinal para os povos tradicionais do Cerrado que o utilizam como vermífugo, cicatrizante e energético natural. Também é utilizado para amaciar e envernizar couro, colorir e aromatizar diversos produtos de beleza, como cremes, xampus, filtro solar e sabonetes.
  • O buriti também é um bioindicador de dois tipos de fitofisionomias que se chamam veredas e buritizal.
  • O buriti é de grande importância na manutenção de olhos d’água. Em locais em que olhos d’água estão secando, recomenda-se o plantio de buritis, além do de ingazeiros e sangra-d’água, entre outras árvores, para recuperá-los.
  • O buriti fornece, ainda, palmito saboroso, fécula, seiva e madeira. As folhas jovens produzem uma fibra muito fina, a “seda” do buriti, usada pelos artesãos na fabricação de peças de capim-dourado.
  • Na região dos Lençóis Maranhenses nos municípios de Barreirinhas e Paulino Neves o artesanato feito por mulheres em vários povoados.
  • A folha jovem, conhecida como “olho do buriti” ou “linho do buriti”, possui uma fibra, que é transformada no  artesanato de bolsas, tapetes, toalhas de mesa,  brinquedos, bijuterias, redes, cobertura de teto, cordas, etc.
  • O talo das folhas se presta ainda à fabricação de móveis, que se destacam pela leveza e durabilidade.
  • O caule e as flores são utilizadas na fabricação do vinho de buriti. A madeira é utilizada na construção do instrumento musical viola de buriti.
  • Além disso, a seiva da palmeira de buriti é açucarada sendo possível extrair sacarose cristalizada.

III) Ararinhas-do-buriti

  • O maracanã-de-cara-amarela ou maracanã-do-buriti (Orthopsittaca manilata), também chamado ararinha ou maracanã-de-cabeça-amarela, é uma espécie de ave da família Psittacidae. É a única espécie do gênero Orthopsittaca.
  • Mede cerca de 44 cm de comprimento. Tem a cor verde que contrasta com a face amarela pálida nua e áspera, cabeça quase toda azul, bico pequeno e negro, extremo das asas azuis. Uma parte grande castanha-avermelhada no centro do abdômen, asas e rabo amarelados por baixo.
  • É encontrada a leste da Venezuela, Trinidad e Guianas, sudeste da Colômbia, leste de Equador e Peru, até o norte da Bolívia. Presente na Amazônia brasileira e no Piauí, oeste da Bahia, Minas Gerais e extremo nordeste de São Paulo. Encontrada também da Venezuela à Bolívia.
  • Elas não estão extintas, mas acredita-se que devido a grande quantidade de buritis que eram encontrados em São João de Meriti, elas também vivem por essa região.

Vivência de Héspera

  • Eu nasci e continuo vivendo até o momento em São João de Meriti. O texto acima é apenas um compilado de textos que fui coletando ao longo dos meus estudos.
  • A época do ano do outono e inverno me traz muito essa energia de ancestralidade e valorizar o que veio da minha terra. Afinal de contas, não dá para eu entender mais sobre história da Grécia Antiga e não saber nada sobre onde eu vivo.
  • A terra onde estava a minha casa já foi Mata Atlântica e lar de povos indígenas. Muitos seres vivos foram dizimados e explorados por aqui. Honrar a existência deles é entender também a sua história de dor e sofrimento.
  • A construção da minha casa foi feita em solo de uma fazenda de portugueses escravistas que abandonaram o local e que foram sendo ocupados de maneira desorganizada levando a formação de uma favela. De certa forma, sinto que isso é devolver a terra ao povo. No entanto, ainda marginalizado e longe de seus direitos básicos de saúde e moradia segura.
  • Entender da história do local onde vivo também gera significado e empoderamento da minha história. Entendo melhor porque existem tantos descendentes portugueses por aqui, inclusive meus vizinhos, e também a maioria da população ser negra ou mestiça.
  • Por muitas vezes me questionam se eu gostaria de ir morar em outro lugar e eu fico sempre reflexiva sobre isso. Normalmente uma pessoa que melhora financeiramente logo quer ir para locais centrais que possuem melhor estrutura e organização. Eu não julgo quem tem essa oportunidade e aproveita para ter melhor qualidade de vida. Se fizer esse movimento, apenas recomendo que também estude o local onde vai se mudar também.
  • No meu caso, eu só quero ter o direito de permanecer na minha terra respeitado. Quero lutar pela melhoria dela de perto sem ser considerada medíocre ou que eu penso pequeno. Eu quero que os frutos do meu trabalho cheguem aqui. Eu quero continuar cumprimentando os vizinhos e valorizando o solo de onde brotei a partir de uma mistura de pai nordestino e mãe descendente de portugueses.
  • Relembre os mortos que lutaram por essa terra onde vive. Lembre das plantas e animais que viveram por aqui e ainda vivem. Lembre dos seus heróis. Lembre dos violentadores e invasores que prosperaram a partir do sofrimento. Lembrem e honrem a história do local onde vivem, ela também é sua história. Como devotas de deusas da terra não tem como fazer diferente. Valorizem a terra.

Referências

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  2.  LUKATA, Lasana. Exercício de Garça. São João de Meriti, RJ: Íthaca Edições, 2011.
  3. SIMÕES, Manoel Ricardo. Ambiente e sociedade na Baixada Fluminense. Mesquita: Editora Entorno, 2011.
  4. SOUZA, Sinvaldo do Nascimento. Engenhos de ontem cidades de hoje. In: Memória. Órgão de divulgação sobre a história da Baixada Fluminense – Nº1- Edição trimestral, 1998.
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  6. VALENTE, Armando. Um pioneiro esquecido. In: Memória. Órgão de divulgação sobre a história da Baixada Fluminense- Nº1- Edição trimestral, 1998.
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