Arte pagã,  História antiga

As setes maravilhas do mundo antigo

Introdução

  • As sete maravilhas do mundo antigo foram monumentos que estudiosos consideram o auge da arte, arquitetura e habilidade de engenharia do Mundo Antigo. As listas mais conhecidas são do poeta Antípato de Sidon (século II EC), do matemático Filão de Bizãncio, Calímaco de Cirene e de Heródoto. Todas baseadas em relatos ou opinião pessoal.
  • Infelizmente, entre as sete maravilhas, apenas a Grande Pirâmide de Gizé resistiu até os tempos atuais para ser admirada. Todas as demais existiram por um breve período de tempo.
  • O texto de hoje convida vocês a reflexão de que os povos antigos eram avançados em muitos aspectos e que antigo não é sinônimo de falta de qualidade e complexidade.
  • Além disso, a ideia de que foram “deuses astronautas” os autores dessas magníficas construções também deve ser deixada de lado, porque retira o protagonismo desses povos.
  • Admirem-se com essas maravilhas para que elas nunca sejam esquecidas.
As sete maravilhas do mundo antigo.
As sete maravilhas do mundo antigo.
Linha do tempo das sete maravilhas do mundo antigo. BC = Antes da Era Comum, AD = Era Comum.

I) Grande pirâmide de Gizé

  • A mais antiga e a única das sete maravilhas da Antiguidade que permanece em pé no norte do Egito. nos tempos atuais podendo ser visitada. As pirâmides do Egito Antigo são uma das realizações mais emblemáticas e grandiosas da civilização egípcia. Construídas como tumbas monumentais para os faraós e, em alguns casos, para nobres importantes, as pirâmides eram parte de um complexo funerário que simbolizava poder, religiosidade e a conexão com o divino.
Esquema de pirâmide egípcia por dentro.
  • Construídas na planície de Gizé, perto de Mênfis (atual Cairo) na 4ª dinastia (c. 2600 AEC). Representam o auge da construção de pirâmides e foram construídas para três faraós consecutivos:
    • Grande Pirâmide (Pirâmide de Quéops/Khufu): Altura original: 146,6 metros (atualmente 138 metros). Maior pirâmide do Egito, composta por cerca de 2,3 milhões de blocos de pedra durando 14 anos para ser construída. Contém câmaras internas elaboradas, incluindo a “Câmara do Rei”. Ela era considerada a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem até o século XIV, quando a Catedral de Lincoln foi erguida na Inglaterra.
    • Pirâmide de Quéfren (Khafre): Altura original: 143 metros (ligeiramente menor que a de Quéops). Famosa por ter o topo revestido remanescente de calcário polido. Parte do complexo inclui a Esfinge de Gizé, que se acredita ser uma representação do faraó.
    • Pirâmide de Miquerinos (Menkauré): Altura original: 65 metros. Muito menor, mas mais detalhada em acabamento, com granito vermelho em sua base.
Pirâmides de Gizé.

II) Jardins suspensos da Babilônia

  • Para comemorar suas vitórias, Nabucodonosor construiu grandiosas obras públicas, dentre as quais destacavam-se os jardins suspensos e uma torre de 215 m de altura, a Torre de Babel.
  • Apesar de haver descrições detalhadas em muitos textos antigos, tanto gregos quanto romanos, nenhuma outra maravilha é mais misteriosa do que os Jardins Suspensos da Babilônia. Isso pois não existem evidências conclusivas de que realmente tenham existido.
  • Caso seja real, apresentava um nível de engenharia muito à frente de seu tempo. Manter um jardim exuberante e vivo no deserto, que hoje é o Iraque, teria sido uma grande façanha.
  • Uma teoria é que o rei babilônico Nabucodonosor II mandou criar os Jardins Suspensos em 600 AEC para confortar sua nostálgica esposa, que sentia falta da vegetação de sua terra natal.
  • A vegetação exótica seria irrigada por meio de um sofisticado sistema de bombas e tubulações que trazia água do Rio Eufrates. O escritor e engenheiro grego Filão de Bizâncio descreveu o processo de irrigação dos jardins dizendo que “os aquedutos contêm água que corre de lugares mais altos, permitindo que parte do fluxo desça encosta abaixo, enquanto força outra parte para cima, correndo para trás, por meio de um parafuso”.
  • Supõe-se ainda que os jardins suspensos existiram, mas não na Babilônia. Stephanie Dalley, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que os jardins e o sistema de irrigação foram uma ideia do rei assírio Senaqueribe para seu palácio em Nínive, 480 km ao norte.
A Torre de Babel. Artista: Pieter Bruegel, o Velho (1563).
Desenhos que representam os jardins suspensos da Babilônia.

III) Templo de Ártemis em Éfeso

  • O templo, construído em mármore, era considerado um dos mais belos do mundo à época dentre cerca de 30 santuários construídos pelos gregos para honrar Ártemis, a deusa da caça, da vida selvagem e do nascimento. Tinha 127 colunas, 20 m de altura, 91 metros de comprimento por 45 metros de largura.
  • Éfeso foi uma cidade grega na costa da Jônia, atual Turquia.
  • A “maravilha” foi destruída repetidas vezes: por uma inundação no século 7 AEC, em 356 AEC por um incendiário chamado Herostratus, que queria alcançar a fama de qualquer custo e por uma invasão dos godos – tribo germânica – no século 3.

“Pus os olhos nas elevadas muralhas da Babilônia, em que há uma estrada para carruagens, e a estátua de Zeus junto a Alfeu, e os Jardins Suspensos, e o Colosso do Sol, e o trabalho árduo das altas pirâmides e a vasta tumba de Mausolo, mas quando vi a casa de Ártemis que subia às nuvens, aquelas outras maravilhas perderam o brilho, e eu disse: ‘Fora o Olimpo, o Sol nunca viu algo tão grandioso.”
Antíparo de Sidron, poeta grego.

Ilustração do Templo de Ártemis em Éfeso
  • A citação bíblica que menciona o templo de Ártemis (também chamada Diana pelos romanos) encontra-se em Atos dos Apóstolos 19: 24-41. Neste trecho, é relatado um tumulto em Éfeso causado por um ourives chamado Demétrio, que fabricava miniaturas do templo de Ártemis e temia que a pregação de Paulo sobre a falsidade de ídolos feitos por homens prejudicasse seu negócio. O relato descreve como Demétrio reuniu outros artesãos e alertou sobre o perigo de Paulo “convencer e desviar muita gente, não só em Éfeso, mas em quase toda a província da Ásia”. 
Ilustração do Templo de Ártemis em Éfeso.
Planta do templo feita por John Turtle Wood (1877).
  • Ártemis de Éfeso, diferentemente da Ártemis grega dos bosques e da caça, é uma deusa profundamente sincrética, que reflete a fusão entre a divindade grega Ártemis e antigas deusas anatólicas da fertilidade, como a hitita Kubaba e a frigia Cibele. Seu culto foi centrado na cidade jônia de Éfeso, na Ásia Menor (atual Turquia), onde foi venerada como a Grande Mãe, senhora da natureza, da fecundidade e da abundância.
  • A imagem mais famosa de Ártemis de Éfeso não é a da jovem caçadora com arco e flechas, mas a de uma figura imóvel e hierática, ricamente adornada, com uma coroa muralhada na cabeça, o corpo coberto por fileiras de elementos que foram tradicionalmente interpretados como múltiplos seios. Essa multiplicidade de seios simbolizaria sua capacidade de nutrir toda a vida — não apenas humana, mas também animal e vegetal.
  • Contudo, essa interpretação não é unânime entre os estudiosos. Alguns arqueólogos e historiadores da arte sugerem que o que se interpretou como seios pode, na verdade, representar sacos de touros sacrificiais, ovos de avestruz, ou até frutos, todos símbolos de fertilidade e doadora de vida. O simbolismo, portanto, permanece aberto, mas a ideia central de Ártemis como uma deusa da fertilidade cósmica é clara.

IV) Estátua de Zeus de Olímpia

  • Feita pelo escultor Fídias, a sua obra-prima fica no Templo de Zeus em Olímpia, e foi feita por volta de 435 AEC. 
  • Era Zeus resplandecente sentado em um trono feito de madeira de cedro e decorado com ouro, marfim, ébano e pedras preciosas. O deus do trovão segurava uma estátua de Nike, a deusa da vitória, em sua mão direita, e um cetro com uma águia na ponta na outra.
  • Durante oito séculos, as pessoas viajavam para Olímpia apenas para ver a estátua de 12 metros de altura. Embora tenha sobrevivido ao imperador romano Calígula, que queria levá-la para Roma para substituir o rosto da mesma por sua própria imagem, a estátua de Zeus acabou se perdendo.
Estátua de Zeus de Olímpia.
Estátua de Zeus de Olímpia.

V) Mausoléu em Halicarnasso

  • Ao longo da vida, o poderoso governante persa Mausolo construiu uma nova e magnífica capital para ele e sua esposa Artemísia em Halicarnasso (na costa oeste da atual Turquia), sem poupar gastos para enchê-la de belas estátuas e templos de mármore.
  • Após a morte de Mausolo, Artemísia construiu um túmulo imponente. Projetada pelos arquitetos gregos Satyros e Pythius, o Mausoléu de Halicarnasso tinha três níveis, combinando os estilos arquitetônicos lício, grego e egípcio. Feita de mármore branco, a estrutura ficava em uma colina com vista panorâmica para a cidade construída por Mausolo.
  • Tamanho era o esplendor do túmulo de Mausolo que a palavra “mausoléu” deriva de seu nome. O Mausoléu não sobreviveu a sucessivos abalos sísmicos durante a Idade Média e foi destruído. As ruínas dessa construção ainda podem ser encontradas em Bodrum, na Turquia. 
Mausoléu em Halicarnasso.

VI) Colosso de Rodes

  • Os termo colosso (kolosso ou kolossoi) era usado para estátuas colossais como a estátua de 33 m de altura do deus Hélio em Rodes.
  • Apesar do termo colosso ser usado para estátuas, esse termo também já foi usado para bonecas de feitiços de amarração.
  • Erguido em 282 AEC, o Colosso de Rodes – uma estátua do deus grego Hélio – foi construído em Rodes para celebrar um triunfo militar. Com 32 metros de altura, a estátua ficava no mar e representava o deus-sol segurando uma tocha, voltado para o porto de Rodes.
  • O Colosso não foi forte o suficiente para resistir a um terremoto em 226 AEC, e a estátua foi destruída. Os cidadãos de Rodes não quiseram reconstruí-la, uma vez que um oráculo teria dito a eles que haviam ofendido Hélio. Os pedaços gigantes da construção permaneceram no local por mais de 800 anos, quando invasores no século 7 venderam os destroços.
O colosso de Rodes, segundo gravura do século XIX. O colosso de Rodes (em grego clássico: ὁ Κολοσσὸς Ῥόδιος) foi uma das mais altas estátuas do mundo antigo com 70 côvados ou 33 metros do deus Hélios erguida na cidade de Rodes por Chares de Lindos em 290 ou 280 AEC. Uma das setes maravilhas do mundo, construído para comemorar a vitória de Rodes contra o cerco de Demetrius Poliorcetes. O monumento foi destruído durante um terremoto de 226 AEC e nunca foi reconstruído.
O colosso de Rodes.

VII) Farol de Alexandria

  • Navegar até o porto de Alexandria era complicado, devido às águas rasas e às rochas. O próspero porto mediterrâneo (na costa do Egito), fundado por Alexandre, o Grande em 331 AEC, precisava de solução urgente e a resposta chegou na forma de uma imponente torre de sinalização luminosa construída na ilha vizinha de Pharos.
  • Acredita-se que o farol tinha pouco menos de 140 metros de altura, o que o torna a segunda maior estrutura feita pelo homem na Antiguidade, depois da Grande Pirâmide de Gizé.
  • Como algumas das outras “maravilhas”, o Farol de Alexandria foi vítima de terremotos. Conseguiu sobreviver a vários abalos, que, no entanto, o levaram a ser abandonado. As ruínas desabaram definitivamente no século 15.
  • Contudo, aquele não foi o último vestígio do farol, uma vez que arqueólogos franceses descobriram pedras enormes nas águas ao redor da Ilha de Pharos em 1994, que alegaram fazer parte da antiga estrutura.
Farol de Alexandria.
Farol de Alexandria.

As sete maravilhas do mundo moderno

  • Agora que já conhecemos as maravilhas antigas, venho com as novas maravilhas que já foram elencadas para a nossa lista moderna. Esses monumentos foram escolhidos em uma votação global realizada em 2007, e representam marcos da engenharia, arquitetura e cultura de diferentes épocas e regiões do mundo. 
  • As sete maravilhas do mundo moderno são:
    • Grande Muralha da China: Uma fortificação com mais de 21 mil quilômetros de extensão, construída ao longo de séculos para proteger o império chinês de invasões. 
    • Cristo Redentor: Uma estátua de Jesus Cristo com 38 metros de altura, localizada no topo do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, Brasil. 
    • Machu Picchu: Uma antiga cidade inca localizada no alto dos Andes peruanos, conhecida por sua arquitetura e paisagens impressionantes. 
    • Chichén Itzá: Um antigo centro cerimonial maia, localizado na península de Yucatán, no México, com a famosa pirâmide de El Castillo. 
    • Coliseu: Um antigo anfiteatro romano, localizado em Roma, Itália, palco de combates de gladiadores e espetáculos públicos. 
    • Petra: Uma cidade histórica e arqueológica, localizada na Jordânia, famosa por suas construções esculpidas em rocha. 
    • Taj Mahal: Um mausoléu de mármore branco, localizado em Agra, Índia, construído pelo imperador Shah Jahan em memória de sua esposa. 
As sete maravilhas do mundo moderno.

Referências

  1. As 7 Maravilhas do Mundo Antigo. Disponível em <https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento/as-7-maravilhas-do-mundo-antigo/#:~:text=S%C3%A3o%20elas%3A%20a%20Grande%20Pir%C3%A2mide,os%20Jardins%20Suspensos%20da%20Babil%C3%B4nia.> Acessado em 16/04/2023.
  2. Onde ficavam os Jardins Suspensos da Babilônia? Como eram? Disponível em <https://www.hipercultura.com/os-jardins-suspensos-da-babilonia/> Acessado em 16/04/2023.
  3. As 7 maravilhas do mundo antigo: quais são, quem as escolheu e o que aconteceu com elas? – BBC News Brasil, BBC News Brasil. Disponível em<https://www.bbc.com/portuguese/geral-54341234> Acessado em 02/01/2024.
  4. Templo de Ártemis. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Templo_de_%C3%81rtemis> Acessado em 16/04/2023.

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